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Parcerias inovativas em saúde

Publicado em 30 setembro 2009

Por Thiago Romero

Por Thiago Romero

Agência FAPESP - As novas instalações do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Laboratório Cristália foram inauguradas em Itapira, na região de Campinas (SP). O lançamento ocorreu no dia 22 de setembro com a presença de José Serra, governador de São Paulo

O centro reunirá todo o planejamento e coordenação das pesquisas desenvolvidas pelo Cristália, uma das empresas farmacêuticas com maior número de patentes no Brasil e que hoje tem 29 projetos de novos medicamentos em andamento.

"Trata-se de um laboratório de desenvolvimento de produtos capaz de reproduzir, em escala piloto, todas as operações unitárias que ocorrem em escala industrial na planta de produção", disse o professor Marcelo Ganzarolli de Oliveira, do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Ganzarolli coordena o projeto de pesquisa "Biomateriais doadores de óxido nítrico para aplicações tópicas no auxílio à cicatrização", conduzido junto com a Cristália com apoio do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE).

"Com o novo centro de pesquisa é possível fazer modificações nas formulações dos medicamentos ainda em escala laboratorial, de forma a otimizar as tecnologias antes de elas irem para a produção industrial. Como os equipamentos do centro conseguem reproduzir perfeitamente o que ocorre em escala industrial, o laboratório terá papel fundamental para a pesquisa científica realizada em parceria com as universidades brasileiras", disse o pesquisador à Agência FAPESP.

O Laboratório Cristália soma atualmente 117 pedidos de patentes, dos quais 15 já concedidas. Conta também com cerca de 180 medicamentos, sendo que grande parte da linha de produção é destinada a hospitais e é concentrada na fabricação de anestésicos e adjuvantes.

"Na cerimônia de lançamento do centro foi enfatizada a necessidade de se estabelecer novas parcerias da empresa com universidades brasileiras, de modo que a pesquisa acadêmica possa gerar interações mais produtivas nos próximos anos", disse Ganzarolli.

O governador ressaltou também a importância do interior de São Paulo para a produção tecnológica. "As cidades de São Carlos, Campinas, Piracicaba, Bauru e Ribeirão Preto têm sozinhas mais mestres e doutores universitários, em comparação com a sua população, do que a cidade de São Paulo. O interior é a vanguarda do desenvolvimento tecnológico no Brasil e Itapira faz aqui sua contribuição com esse laboratório", disse Serra.

Foram investidos cerca de R$ 30 milhões em construções e equipamentos do laboratório, dinheiro oriundo de órgãos de fomento do governo federal e da própria empresa. A expectativa é que o centro torne o fluxo das pesquisas pelo menos 30% mais rápido, tornando mais produtivo o processo de descoberta de novas moléculas e medicamentos para o tratamento de doenças como câncer e Aids.

O centro conta com laboratórios que cumprem com as Boas Práticas de Fabricação (BPF) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que demandam pessoal qualificado e equipamentos de alta tecnologia, o que confere qualidade assegurada para que o desenvolvimento de novos produtos possa ser aplicado em pesquisas clínicas.

Parcerias por meio do PITE

O projeto de pesquisa coordenado por Ganzarolli junto com o Laboratório Cristália tem como principal objetivo o desenvolvimento de formulações de hidrogéis doadores de óxido nítrico para a cicatrização de feridas externas.

Apoiado pelo PITE, o projeto está em sua segunda fase. As formulações desenvolvidas têm ação farmacológica na aceleração da cicatrização de tecidos. A proposta é desenvolver produtos inovadores com grande potencial de penetração no mercado de produtos médicos voltados para o tratamento e recobrimento de feridas.

"Já temos alguns resultados eficazes do ponto de vista farmacêutico e agora, na segunda fase dos trabalhos, estamos dando continuidade aos ensaios de otimização da formulação para viabilizar sua produção industrial. Temos ainda uma fase clínica a ser desenvolvida antes de regulamentar a produção do medicamento", explicou Ganzarolli.

Outro projeto de pesquisa do Cristália apoiado pelo PITE é intitulado "Desenvolvimento de compostos quinazolínicos inibidores de adenosina quinase para uso terapêutico". A coordenação é de Kleber Gomes Franchini, professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e diretor do Centro de Biologia Molecular Estrutural (CeBiME), um dos centros de pesquisa operados pela Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ABTLuS).

O objetivo do projeto é implementar o desenvolvimento de compostos derivados de anilinoquinazolinas inibidoras de adenosina quinase (AK) para uso terapêutico. A AK tem papel crítico no metabolismo de adenosina e sua inibição provoca o acúmulo tecidual de adenosina, que é responsável pelos efeitos farmacológicos conhecidos dos derivados de anilinoquinazolinas.

Essa descoberta orientou pedido de patente e o estabelecimento de convênio de desenvolvimento entre a Unicamp e o Laboratório Cristália. O projeto apoiado pelo PITE visa à aplicação de métodos analíticos fundamentados em plataformas de espectrometria de massas para a determinação da interação entre derivados anilinoquinazolinicos e a enzima AK, bem como a determinação de metabólitos dos derivados.

O Cristália, que conta com mais de 100 cientistas e 20 técnicos, desenvolve diversos outros projetos de pesquisa próprios ou em parceria com outras universidades e institutos de ciência e tecnologia, como a Universidade de São Paulo, a Universidade Estadual Paulista, o Instituto do Coração, e a Fundação Oswaldo Cruz.

Mais informações: www.cristalia.com.br