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Parcerias entre pesquisadores e empresas geram conhecimento

Publicado em 27 março 2013

Uma relação simbiótica envolve parcerias entre empresas e instituições de pesquisa no Brasil, com impactos positivos sobre toda a economia. Universidades e institutos de pesquisa são importantes para as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) das empresas, assim como os desafios tecnológicos da produção realimentam o conhecimento científico.

Esse é um dos resultados dos estudos realizados no âmbito do Projeto Temático "Interações de Universidades e Institutos de Pesquisa com Empresas no Brasil", desenvolvido entre 2007 e 2012, com apoio da FAPESP, e coordenado pelo professor Wilson Suzigan, do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"São fluxos de conhecimento bidirecionais ainda localizados, que merecem atenção especial das políticas públicas, de modo a promover o avanço articulado das instituições de pesquisa e do setor produtivo e estabelecer conexões consistentes entre ciência e tecnologia", disse Suzigan.

Identificar como se dá o relacionamento entre empresas e instituições de pesquisa no Brasil e investigar se há intercâmbios importantes com áreas de conhecimento e setores diversos estão entre os principais motivadores do projeto, que contemplou três eixos básicos: teórico-conceitual, histórico e de recortes temáticos.

Com o envolvimento de pesquisadores e estudantes de várias instituições do país, o projeto buscou realizar um mapeamento abrangente das parcerias, combinando informações fornecidas por cientistas e empresas, além de estudos de caso em diversas partes do Brasil.

O trabalho também integrou um conjunto de estudos internacionais, no contexto do projeto "Interactions between Universities and Firms: searching for paths to support the changing role of universities in Latin America", apoiado pelo International Development Research Centre (IDRC), do Canadá, e que inclui 12 países da África, América Latina e Ásia.

"Procuramos reproduzir a experiência realizada nas décadas de 1980 e 1990 pelas universidades de Carnegie Mellon e Yale, nos Estados Unidos, para estudar o tema por meio de pesquisas com aplicação de questionários", explicou Suzigan.

Segundo ele, para a pesquisa brasileira foi preciso contornar obstáculos de acesso a microdados oficiais e adaptar alguns procedimentos metodológicos, de modo a sintonizar o andamento do projeto nacional com o do projeto internacional.

"Trabalhamos exclusivamente com as informações presentes no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], tanto as que se referem a grupos de pesquisa que declararam interagir com empresas, quanto a empresas identificadas pelos grupos como interativas", disse.

Segundo Suzigan, essa limitação exige atenção na interpretação de resultados, mas não impede a comparação com dados de mesma natureza referentes a outros países. Na enquete realizada entre empresas de 27 setores econômicos, foram identificadas 1.687 empresas que interagem com pesquisadores do Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. Dessas, 20% responderam ao questionário da pesquisa, percentual similar ao de estudos semelhantes realizados em outros países.

Especificidades brasileiras

Os estudos feitos no âmbito do Projeto Temático revelaram que o contexto histórico de desenvolvimento econômico e social do país condiciona o padrão de interações entre empresas e instituições de pesquisa.

"Nosso Sistema Nacional de Inovação pode ser situado em um nível intermediário, com instituições de pesquisa e ensino construídas, mas ainda incapazes de mobilizar um contingente de cientistas comparável ao de países desenvolvidos", disse Suzigan.

Institutos de pesquisa e universidades foram criados tardiamente, com limitações e em condições adversas de distribuição de renda e de generalização do ensino. Tardia também foi a industrialização brasileira, com um longo período de protecionismo comercial que desviava o foco da construção e do desenvolvimento de capacitações científicas e tecnológicas, ou de canais de interação entre organizações científicas e empresas com vistas a reduzir a distância em relação à fronteira tecnológica.

"Apesar dessa herança histórica, existem pontos de interação forte entre empresas e instituições de pesquisa, unindo as dimensões científica e tecnológica", apontou Suzigan.

Os estudos de caso mostraram que as áreas científicas atualmente de maior impacto no Brasil têm raízes históricas sólidas, com esforços sistemáticos e duradouros. São elas medicina/saúde, agricultura e as engenharias de minas, materiais, metalúrgica e aeronáutica.

"Os estudos de casos bem-sucedidos de interação entre universidades/institutos de pesquisa e empresas indicam a presença de processos de aprendizado e capacitação científica e tecnológica envolvendo universidades, institutos de pesquisa, governos e produtores", disse Suzigan.

Além disso, as regiões têm padrões muito diferenciados de interação, refletindo atrasos relativos na criação de instituições e no desenvolvimento local. No que se refere aos recursos para ciência e tecnologia, o Estado de São Paulo exerce inequívoca liderança no país, de acordo com a pesquisa.

"Verificou-se ali a existência de grupos de empresas com interação em todas as principais áreas de conhecimento, além de casos exemplares, como o do Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (Liec)", disse Suzigan.

No Nordeste, as interações revelaram-se menos intensas, em parte pelo caráter tardio da base de ciência e tecnologia e da industrialização da economia da região.

Comparando-se o perfil brasileiro de interações entre grupos de pesquisa e empresas com os da Argentina e do México, notam-se relações mais frequentes e densas no Brasil. Para Suzigan, isso é reflexo de uma estrutura industrial mais diversificada. "Por outro lado, a comparação com os Estados Unidos coloca o Brasil em posição desfavorável", disse.

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Fonte: Agência Fapesp