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Parceria traz avanço nas ações de Ciência e Tecnologia na Paraíba

Publicado em 31 dezembro 2019

O Governo do Estado avança nas ações de fomento à Ciência e Tecnologia na Paraíba. Um dos exemplos disso é um projeto bilateral, envolvendo equipes do Brasil e Alemanha, que desenvolve um material mais resistente e sustentável para indústria automobilística, um plástico biodegradável.

Trata-se do projeto BestBioPLA, que teve início em 2019 e será concluído em 2022, que desenvolve novos sistemas de matriz polimérica para a produção de plásticos reforçados com fibra natural. Para isso, são utilizados polilactídeo à base de amido de milho (PLA) e ácidos graxos regionais, como óleo de linhaça e óleo de soja, além de fibras de sisal e linho.

A realização da pesquisa é viabilizada na Paraíba pela Secretaria de Estado da Educação, Ciência e Tecnologia (SEECT), onde são investidos cerca de €140 mil pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq) e €1 milhão por parte do Instituto Fraunhofer para Tecnologia de Manufatura e Materiais Avançados (IFAM), com sede em Bremen, na Alemanha.

Também financiado pelo Governo Federal Alemão, por meio do Ministério Federal de Educação e Pesquisa (BMBF), o BestBioPLA conta com a participação do Instituto Fraunhofer IFAM, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), além de parceiros institucionais como a Fapesq, o INVENT GmbH, nova-Institut GmbH, Rabe design & engineering GmbH e a parceira comercial no Brasil, Sisal Gomes.

De acordo com informações repassadas pela coordenadora geral do projeto na Paraíba, a doutora em Engenharia de Processos, Renate Maria Ramos Wellen, que fez pós-doutorado no Fraunhofer IFAM, o BestBioPLA concluiu, atualmente, a síntese dos polímeros. Ela lembra que esse projeto é viabilizado através de um convênio entre o Governo do Estado da Paraíba e o Governo Alemão.

“Já foram sintetizados os polímeros de origem natural. Essas amostras já foram enviadas da Alemanha para o Brasil. Os ensaios de biodegradação já começaram. Eles já estão caracterizados quimicamente e termicamente. Vai ser enviado um relatório do primeiro ano do projeto, agora no final do ano, para se decidir quais são as melhores resinas sintéticas que se prestam para o uso na indústria automobilística e aí começa a segunda fase do projeto, no início do ano que vem. As amostras com óleos também já começaram a ser caracterizadas, que são essas amostras PLA obtidas a partir de óleo. Tudo é de origem natural”, enfatiza a cientista.

Renate explica que na segunda fase do projeto, em 2020, vão ser verificadas as propriedades mecânicas. Ela acrescenta que a pesquisa já começa a investigar também a viabilidade do sisal e do linho. “Vamos começar com produção em escala piloto e verificar a adaptação para a indústria”.

Em recente visita a Alemanha, quando fez parte de missão do consórcio dos governadores do Nordeste na Europa, o governador João Azevêdo manteve contatos com o Instituto Fraunhofer para Tecnologia de Manufatura e Materiais Avançados (IFAM), com o objetivo de intensificar a relação do Governo do Estado com o instituto, para a execução de novos projetos, diante dessa aproximação que já existe entre as duas nações e, evidentemente, entre as equipes envolvidas nos projetos que têm convênio com o Fraunhofer Institute. O BestBioPLA é apenas um dos projetos.

Governo está sempre atento às chamadas para editais bilaterais

O Governo do Estado, por meio da Secretaria Executiva de Ciência e Tecnologia está sempre atento às chamadas de trabalho em conjunto com instituições internacionais, abertas pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). O Confap sempre abre chamadas para todas as fundações do Brasil, entre elas a Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq).

Uma delas, foi a Chamada Confap /Fapesq/Fraunhofer, com um investimento total de € 140 mil, que corresponde a aproximadamente R$ 620 mil, dos quais R$ 86,3 mil são recursos do Governo do Estado. Os recursos são para concessão de auxílio financeiro a pesquisador, por meio de Acordo de Cooperação para Pesquisa entre o Fraunhofer IFAM (Fraunhofer Institute for Manufacturing Tecnology and Advanced Materials), da Alemanha, com enfoque em pesquisa voltada para aplicações de inovação de interesse direto para a indústria, no Brasil e na Alemanha, com vistas a implementar uma cooperação científica e tecnológica entre pesquisadores do Fraunhofer IFAM e da Paraíba, por meio do intercâmbio de cientistas e da condução de projetos de pesquisa conjunta na área de novos biomateriais.

O Fraunhofer é uma organização alemã de pesquisa, que conta com 69 institutos espalhados por toda a Alemanha, cada um deles tendo seu foco em um campo diferente da ciência aplicada. A instituição emprega mais de 24.500 pessoas, principalmente cientistas e engenheiros, e tem um orçamento anual de pesquisa de cerca de 2,1 bilhões de euros. O financiamento básico para a associação é prestado pelo Estado. O povo alemão, através do governo federal, em conjunto com os estados federados alemães, é “proprietário” da Associação Fraunhofer.

Para o presidente da Fapesq, Roberto Germano, a iniciativa do governador João Azevêdo, ao procurar fazer com que mais portas se abram para a ciência, tecnologia e inovação na Paraíba, além de enaltecer o trabalho da fundação. “Ficamos evidentemente muito contentes, porque o governador está dominando muito bem a temática e reconhecendo a importância deste tema para o desenvolvimento cientifico e tecnológico da Paraíba”, ressalta.

Com relação à pesquisa BestBioPLA, Roberto Germano afirma que é um projeto muito cativante, interessante e impactante, porque trata acerca de material biodegradável, ou seja do desenvolvimento de um composto de poli(ácido lático) (PLA) reforçado com fibra natural totalmente bio-base que mostra tanto a estabilidade durante sua vida útil quanto a capacidade de reciclagem por biodegradabilidade no final de sua vida útil.

A importância econômica do projeto está no resgate de culturas como a do sisal, já que a pesquisa BestBioPLA exibirá novas cadeias de valor agregado para matérias-primas renováveis cultivadas localmente que usam plásticos reforçados com fibra de base totalmente bio de alto desempenho. A viabilidade da escala industrial será demonstrada pela produção de peças de demonstração, a serem produzidas por empresas alemãs participantes do consórcio.

“Quando estivemos na Alemanha, acompanhamos a avaliação que foi feita com o pessoal da indústria automobilística e também da indústria de design de portas de veículos. Os plásticos biodegradáveis são utilizados em carros de elevado custo. Isso tem um valor agregado muito alto, porque as pessoas que pagam por um acabamento biodegradável sabem que estão comprando um produto diferenciado. Então, esses produtos estarão sendo utilizados em carros de custo elevado para um público que sabe o diferencial de acabamento do produto que ele está comprando”, observa Roberto Germano.

O presidente da Fapesq garante que o projeto já é algo concreto, por conta do envolvimento da indústria. “A indústria está dentro do projeto. Não é que a pesquisa vá gerar um resultado, a indústria e o design já fazem parte do projeto. Então é o que nós chamamos da tríplice hélice do desenvolvimento. Estão juntos academia, governo e indústria. É diferente de algumas pesquisas, na qual você tem primeiro o avanço tecnológico, para depois tentar jogar o produto no mercado. Neste caso não, porque já durante a pesquisa está sendo gerado o produto para a indústria, que vai se apropriando da inovação”, detalha.

Germano lembra que, na Alemanha, o pessoal da área de design mostrou a ele uma porta de carro utilizando o material biodegradável e argumentando que o diferencial é que mesmo que o custo ainda esteja elevado em relação a outros materiais, existe um público que deseja comprar um produto dessa natureza. “É como uma pessoa que escolhe entre um produto agrícola orgânico e um produto que leva agrotóxico, ela paga um diferencial por isso, porque sabe o valor do produto que está adquirindo para a saúde e, principalmente, para a preservação do meio ambiente. Então é um projeto de alto impacto positivo e muito importante para a nossa instituição apoiar”, justifica.

Governo do Estado lança editais com investimento de R$ 33 mi

O secretário de Estado da Educação, Ciência e Tecnologia, Cláudio Furtado, ressalta a importância do conjunto de editais de R$ 33 milhões lançados, este ano, pelo governador João Azevêdo, consolidando ações na área de bolsa de mestrado e doutorado e apoio à pesquisa, com destaque para o Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), onde foram selecionados 14 propostas, aprovadas no Edital 06/2018 – Fapesq/CNPq. O investimento foi de R$ 4,5 milhões, com recursos do convênio CNPq/Governo do Estado.

O edital foi destinado a pesquisadores, Bolsistas de Produtividade, Categoria I, do CNPq (PQ ou DT), líderes de grupos consolidados, e teve como objetivo apoiar a execução de projetos de pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação, visando dar suporte financeiro aos trabalhos dos grupos de pesquisas, vinculados a instituições de ensino e/ou pesquisa sem fins lucrativos, no Estado de Paraíba, e com excelência reconhecida.

São núcleos constituídos de pesquisadores de várias instituições de pesquisa do Estado, que têm colaboração nacional e internacional na área de sua atuação. Cada núcleo tem na faixa de 50 ou mais pesquisadores. Os valores investidos para execução dos projetos submetidos poderão ser ampliados com a participação de parcerias com outros financiadores públicos ou privados que se interessem em financiar Núcleos no Estado da Paraíba com pesquisas em áreas convergentes e de interesse estratégico. “O Pronex é muito importante para a consolidação do sistema de pós-graduação e também reforça a questão da cooperação internacional”, afirma Cláudio Furtado.

Segundo explica o secretário, outro edital bilateral muito interessante, que foi lançado pelo Governo do Estado, consolidou uma parceria entre a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da ordem de R$ 4 milhões, para desenvolver pesquisas de grupos sediados na Paraíba e grupos sediados em São Paulo, por meio de intercâmbio.

“Uma linha que o governo vem dando bastante prioridade é a questão da inovação. Nesse sentido, a gente teve o Edital Centelha Paraíba, com investimentos de R$ 1,6 milhão e tendo como fonte de recursos a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Governo do Estado. A importância desse projeto está em colher ideias e, com isso, a Paraíba terminou sendo proporcionalmente um dos estados no Brasil que mais ideias tiveram, mais de 500 ideias, e atualmente estamos numa fase de peneira. Essas 500 ideias passaram para 240 e, esta semana, passaram para 100. No final, deve chegar em 28 ideias, que vão se tornar startup. Cada uma delas vai receber o valor de R$ 60 mil em subvenção econômica, além de outros benefícios oferecidos por parceiros do programa”, detalha.

Ao longo de todas as etapas são oferecidas capacitações para auxiliar o empreendedor a aprimorar sua ideia e desenvolver seu negócio. O Programa Nacional de Apoio à Geração de Empreendimentos Inovadores (Centelha) visa estimular a criação de empreendimentos inovadores em todo o território nacional.

“Para o ano que vem, a gente já tem assinado o Tecnova II, na área de inovação, onde você vai aportar, agora, a empresa que já tem um plano de negócio, ou seja, já tem um faturamento, mas tem que introduzir inovação para melhorar a competitividade. Vai ser aberto um processo, nos próximos meses, para selecionar as propostas de apoio à inovação tecnológica em vários setores, melhorando a competitividade das nossas empresas para, com isso, gerar mais empregos e mais PIB para o Estado da Paraíba”, revela Cláudio Furtado.

O Programa Tecnova PB, com investimentos de R$ 4,2 milhões, por meio de recursos da Finep e Governo do Estado, tem como objetivo apoiar através da concessão de recursos de subvenção econômica (não reembolsáveis) o desenvolvimento de produtos (bens ou serviços) e/ou processos inovadores – novos ou significativamente aprimorados de empresas brasileiras para o desenvolvimento dos setores econômicos considerados estratégicos nas políticas públicas federais e aderentes à política pública de inovação do Estado da Paraíba.