Notícia

Agência C&T (MCTI)

Parceria se propõe a resgatar produção de uva no Estado

Publicado em 14 novembro 2007

Esforço da Fundação SPVinho, IAC, Unicamp, Ital e IEA busca revitalizar a cultura para produção de vinho


O Estado de São Paulo já foi um dos grandes produtores de uva e vinho no Brasil. Porém, com os custos de produção reduzidos em outros estados e com condições climáticas também ideais, os produtores migraram para os estados do Sul e, até mesmo, para regiões do Vale do São Francisco. Para resgatar a cadeia produtiva do vinho em São Paulo foi feita uma parceria da Fundação SPVinho, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) e Instituto de Economia Agrícola (IEA), com o desafio de estimular o plantio de uvas selecionadas e a vitivinicultura nas regiões com condições ideais para a produção.

O trabalho conjunto das instituições de pesquisa e da iniciativa privada ligada à produção do vinho no Estado visa avaliar a expressão ambiental de uvas paulistas ou de castas européias, na produção da uva e do vinho representativos de São Paulo, com esforços que correm na direção da revitalização da vitivinicultura paulista.

Na primeira fase do projeto, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foram formados grupos que irão fazer um diagnóstico de toda a cadeia nas diversas regiões do Estado, sendo as principais produtoras as de São Roque, Jundiaí, Jales, Botucatu e Campos do Jordão.

"Na segunda fase, que esperamos ainda a aprovação na Fapesp, partiremos para o diagnóstico efetivo, com pesquisas para saber até quantos produtores de uva e vinho estão no Estado, quanto é produzido e quais as variedades de uva. Por enquanto, não podemos dizer nem o quanto esse mercado representa para cadeia de produção do Brasil", explica o pesquisador do Centro de Fruticultura, José Luiz Hernandes, que participa da parceria pelo IAC.

De acordo com Hernandes, a fase do diagnóstico ficará pronta num período de um a dois anos de trabalho. "Após essa fase é que serão propostas medidas para a revitalização da cadeia."

A proposta de fazer esse trabalho no Estado, diz o pesquisador, surgiu com uma demanda criada pela própria indústria do vinho paulista, especialmente das regiões de Jundiaí e São Roque. O interesse também está voltado para essa questão do turismo rural. A uva e o vinho podem contribuir para o crescimento também desse setor. "Mas o que é preciso para alavancar o mercado? É isso que precisamos descobrir, já que quase 20% do vinho produzido no Sul do País é engarrafado no Estado de São Paulo, o que significa 70 milhões de litros da bebida por ano. Portanto, existe a possibilidade de crescimento. O que precisamos descobrir é a viabilidade", reforça.


Mercado

Os empresários também estão de olho no aumento do consumo de vinhos no Brasil, que avança numa média de 10% ao ano. Porém, esse avanço ainda é muito tímido. De vinhos de mesa são consumidos 280 milhões de litros por ano, além de mais 60 milhões de litros de vinhos finos. Isso dá uma média de dois litros per capita por ano. Na Europa, a média é de 60 litros per capita.


Saiba mais

O Estado de São Paulo foi o primeiro produtor de vinho no Brasil no final do século 19, com a chegada dos imigrantes italianos. A uva era de boa qualidade, já que a região se mostrava muito promissora, com clima adequado.

O auge dessa cultura foi na década de 60, do século seguinte. Em seguida começou o declínio por causa da questão imobiliária e do êxodo rural. São Roque, uma das maiores regiões produtoras de vinho do Estado chegou a ter 160 empresas vinícolas. Atualmente, conta com 13. Em Jundiaí são mais quatro. Com isso, o padrão de qualidade foi se perdendo.


Mudança ganha fôlego há dois anos

O processo de transformação no cultivo de uvas e na produção de vinhos em território paulista começou a ganhar fôlego há cerca de dois anos. Começou isoladamente com iniciativas centralizadas no Projeto Pró-Vinho, lançado em 2005. Foi focada não na ampliação do volume de vinho produzido no Estado, mas na revitalização da produção e melhoraria da qualidade que se perdeu com o tempo. "O que precisamos é aglutinar todas as frentes do setor", diz o presidente da SPVinho, Cláudio José de Góes, também proprietário da Viti-Vinícola Góes. (VG/AAN)

Cadeia produtiva é tema de simpósio neste mês

Evento terá mostra para analisar e classificar vinhos e uvas do Estado

A preocupação com a cadeia produtiva da uva e do vinho no Estado de São Paulo também será discutida em um simpósio nos próximos dias 21 e 22 na Unicamp, onde será apresentado um Painel do Vinho Paulista e as ações de revitalização do setor, ressaltando que a cultura teve início no País justamente pelo Estado de São Paulo com a introdução dos primeiros bacelos de castas de uva da Europa.

O simpósio também terá uma apresentação do projeto de revitalização da vitivinicultura paulista. "Estamos fazendo uma ação conjunta para revitalização da cadeia produtiva em São Paulo. Não que esse setor esteja caminhando devagar. O que faltam são ações, pois São Paulo já é o maior Estado produtor de uva de mesa, ou seja, a viticultura vai bem. Já a produção de vinho é que precisa ser revista, com introdução de novas variedades, novas tecnologias e novos manejos", diz o professor da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, Cláudio Messias, que frisa também que não há números para indicar o potencial atual do mercado.

Entre os temas que serão debatidos durante o simpósio estão as novas tecnologias para introdução de novos vinhedos, a fisiologia das videiras e as uvas e aptidões para a produção de vinhos. Durante o primeiro dia do evento também será realizada a 1ª Mostra de Vinhos do Estado de São Paulo, onde serão analisados e classificados os vinhos e as uvas dessa região do Brasil.

A análise química já foi feita em Jundiaí e será apresentada durante o evento, quando será realizada a análise sensorial, com participação de vários degustadores. Serão premiados dois vinhos de cada tipo e o resultado será anunciado no dia 22. (VG/AAN)