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Correio Popular

Parceria reforça controle de praga na cana-de-açúcar

Publicado em 04 julho 2000

Por Paulo Emirandetti Jr. - Do Correio Popular - pauloj@cpopular.com.br
O controle de pragas que atacam lavouras de cana-de-açúcar ganhou mais um reforço. O Centro Experimental do Instituto Biológico, sediado em Campinas, assinou no início desta semana um convênio com a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A parceria corresponde ao estudo dos novos problemas fitossanitários decorrentes da mudança no sistema de colheita da cana-de-açúcar que deverá, em breve, abolir totalmente a queimada. A Fapesp vai financiar R$ 292 mil para o desenvolvimento do projeto, durante um período de quatro anos. "Com a nova lei que obriga a colheita mecanizada, mudou-se a sistemática da produção de cana no País", comenta José Eduardo Marcondes, que integra a equipe de pesquisadores formada por 13 profissionais. O decreto de Lei estadual 42.05679-96 instituiu a alteração e deu prazo até o ano de 2008 para que as usinas se adaptem ao novo sistema. De acordo com Marcondes o convênio vai permitir que os pesquisadores desenvolvam um projeto que possa controlar a proliferação da praga conhecida como cigarrinha. O inseto se alimenta das raízes da cana, causando prejuízos na planta como perda de peso e do açúcar. Marcondes explica que pelo método mecânico o controle dessa praga é mais difícil. Segundo ele, o processo mecanizado é ineficaz no combate às pragas, diferente do que ocorre com as queimadas. "O problema é que as queimadas são nocivas ao meio ambiente", observa. Para Marcondes, no entanto, o corte mecanizado se torna mais viável que o manual, em comparação à redução pela metade, de custo e tempo do serviço. Ele comenta que o corte mecanizado já vem sendo praticado em lavouras das regiões de Ribeirão Preto, Araçatuba e Bauru. O fato das áreas de produção estarem em terrenos mais planos, comenta, viabiliza a utilização dos equipamentos. "Na região de Piracicaba os usineiros estão sentindo maiores dificuldades porque a área é mais acidentada", argumenta. A equipe é formada por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos, do Instituto Biológico e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz.