Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Parceria público-privada é diferencial para a inovação

Publicado em 23 outubro 2013

A pesquisa conjunta entre empresas e universidades pode ser um grande diferencial para alavancar a inovação. Essa foi a tônica nas apresentações feitas durante a conferência “Parcerias Brasil-Bélgica: olhares convergentes sobre a inovação”, realizada na sede da Fapesp, em São Paulo. No encontro, foram apresentadas as diversas experiências em pesquisa entre instituições públicas e privadas desenvolvidas na região da Valônia, no sul da Bélgica, e as ações para a internacionalização da inovação na federação Valônia-Bruxelas, que reúne a capital e a comunidade francófona daquele país.

Alguns casos desse tipo de parceria em São Paulo, como a criação dos parques tecnológicos do estado e de empresas de base tecnológica com forte vínculo com as universidades, também foram expostos, indicando que a parceria público-privada, aliada ao apoio à pesquisa, tem desempenhado papel chave para a inovação em pequenas empresas também por aqui.

Durante o evento, foi feito o anúncio de um acordo de cooperação entre a Fapesp e a Divisão Operacional Economia, Emprego e Pesquisa da Região Valã (DGOEER,na sigla em francês), uma das principais financiadoras da Bélgica para a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação. O acordo prevê o apoio à cooperação científica e tecnológica entre pesquisadores de instituições e pequenas empresas da Valônia e de São Paulo, com financiamento de pesquisas conjuntas, sobretudo nas áreas de biotecnologia, saúde, alimentos, tecnologias verdes e desenvolvimento sustentável; logística, mecânica, aeronáutica e aeroespacial.

Este é o terceiro acordo internacional que a Fapesp faz voltado para a pesquisa inovativa em pequenas empresas, para a qual mantém o programa Pipe. “A Fapesp vê com interesse essa colaboração, por oferecer, por meio dela, oportunidades para pequenas empresas de São Paulo com pequenas empresas da região Valã que se dedicam à pesquisa e desenvolvimento”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da fundação.

Pesquisa e desenvolvimento

De acordo com o diretor de Programas Federais e Internacionais do Departamento dos Programas de Pesquisa da DGOEER, Baudouin Jambes, futuros projetos conjuntos poderão se beneficiar do financiamento à pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novas tecnologias na região Valã, que tem como característica a forte presença do setor privado. “Esta proporção é maior que a média da Europa, sobretudo nas áreas farmacêutica e química, mas o crescimento do investimento público em P&D também é superior à média europeia”, afirmou.

Ele observou que esse tipo de investimento é fortemente direcionado para a inovação, feita em grande parte por empresas do tipo spin-off, ou seja, que surgiram a partir de grupos de pesquisa em universidades ou centros de pesquisa voltados para o desenvolvimento de novas tecnologias. No caso da DGOEER, o investimento se concentra nas áreas de TIC, biotecnologia e agroalimentos.

“A Valônia é uma região pequena e com bom financiamento à pesquisa, mas, para a inovação, os acordos internacionais são importantes. A Fapesp reúne todas as qualidades de que precisamos para uma parceria que possa trazer muitos resultados, pois o Brasil é muito grande e São Paulo concentra boa parte da pesquisa feita no país”, disse Jambes.

O diretor da DGOEER tem a expectativa de conseguir fomentar pesquisas conjuntas em várias áreas, a exemplo das que já acontecem no setor aeronáutico. “Ternos muitas empresas que fazem pesquisa aeroespacial, e São Paulo, onde está a Embraer, uma das maiores do mundo em aeronáutica, concentra a pesquisa nesse setor.”

Segundo Jambes, hoje há parcerias entre a Embraer e empresas da região Valã que desenvolvem peças para a indústria aeronáutica. “Trabalhamos com a agência espacial europeia, que consome boa parte de nossos investimentos em pesquisa. Já temos grande cooperação com os países europeus, mas parcerias com instituições de outras regiões são imprescindíveis.”

DA REDAÇÃO

(Com Agência Fapesp)