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JC Notícias

Parceria pela vacina contra dengue

Publicado em 11 janeiro 2019

O Instituto Butantan firmou em 12 de dezembro um acordo de colaboração tecnocientífica em um formato inovador que deve acelerar o processo de desenvolvimento de sua vacina contra dengue, patenteada nos Estados Unidos e atualmente na etapa final de testes, a chamada fase 3, em voluntários do Brasil. Em um país mais acostumado a comprar tecnologias e serviços científicos do exterior, o novo contrato com a multinacional farmacêutica norte-americana MSD (Merck Sharp & Dohme) inverte essa tendência: assegura a entrada de investimentos externos e prevê o compartilhamento de dados e de experiência para que os produtos desenvolvidos pelas duas entidades parceiras – uma pública, outra privada – possam chegar mais rapidamente às pessoas.

O acordo prevê um aporte inicial para o Butantan de US$ 26 milhões, a serem pagos pela MSD, cuja candidata à vacina contra dengue está em um estágio mais atrasado, para ter acesso aos testes clínicos e ao processo de desenvolvimento do imunizante contra essa doença criado pelo instituto paulista. O laboratório também se compromete a repassar ao instituto até US$ 75 milhões adicionais ao longo dos próximos 24 meses. Também poderão ser recebidos royalties se a vacina da empresa atingir metas de comercialização no exterior. Até agora, foram investidos no projeto da vacina do Butatan R$ 224 milhões, provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da FAPESP, da Fundação Butantan e do Ministério da Saúde.

Em princípio, o Butantan e a MSD não concorrerão em nenhum mercado. O instituto tem a exclusividade da produção da vacina contra dengue no Brasil e a MSD detém os direitos para os Estados Unidos, Japão, China e Europa. “O Butantan atingiu um nível de excelência internacional no desenvolvimento de vacinas de interesse mundial. Essa é a primeira transferência com esse perfil feita entre um instituto brasileiro e uma empresa farmacêutica global”, afirma o médico Dimas Tadeu Covas, diretor do Butantan. “É uma satisfação ver um projeto iniciado a partir de estudos financiados pela FAPESP ao longo de 10 anos se transformar em um produto que, dentro de alguns anos, poderá entrar no mercado mundial”, disse, na cerimônia de assinatura do acordo, Marco Antonio Zago, presidente da Fundação e então secretário da Saúde do Estado de São Paulo.

Leia na íntegra: Pesquisa Fapesp