Notícia

Jornal da Tarde

Parceria para salvar bebês prematuros

Publicado em 24 fevereiro 2006

Por Luanda Nera

Os Institutos Sadia e Butantan assinaram convênio para ampliar a produção de biofármaco essencial para o tratamento de problemas respiratórios de prematuros. A Sadia vai se encarregar da primeira fase do processo, o que permitirá a ampliação da produção de 4 mil para 200 mil doses anuais

Mais de 40 mil bebês prematuros poderão ser salvos com a produção em larga escala de uma substância essencial para o tratamento de problemas respiratórios. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 63 mil recém-nascidos - o correspondente a 30% dos prematuros - podem adquirir a doença.
A boa notícia é resultado da ampliação da parceria entre o Instituto Sadia de Sustentabilidade e o Instituto Butantan, firmada ontem. A cerimônia contou com os principais representantes das áreas acadêmicas e científicas do Brasil, como USP, Unesp, FAPESP, além do Ministro da Saúde, José Saraiva Felipe, do vice-governador de São Paulo, Cláudio Lembo, e do secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata.
A parceria entre as entidades começou há quatro anos, o que garantia a produção de 4 mil doses anuais do biofármaco. O medicamento é fabricado a partir do surfactante, substância extraída de pulmões de suínos doados pela Sadia.
A partir de agora, a empresa vai se encarregar da primeira fase do processo - a extração do surfactante -, o que permitirá que a produção seja ampliada para 200 mil doses/ano. Para viabilizar o projeto, a Sadia montou uma área especial em sua unidade de Uberlândia (MG), onde será feito o "beneficiamento" de 500 quilos de pulmões de suínos por semana.
O fornecimento dos pulmões suínos, além dos custos operacionais e de transporte, serão de responsabilidade da Sadia. "Nós estamos muito felizes por intensificar nossa participação nesse projeto. O aumento da produção do surfactante vai ajudar a reduzir a mortalidade neonatal", comemora Luiz Murat, diretor do Instituto Sadia.

Medicamento será distribuído em todo o País
Numa primeira fase, toda a produção do Instituto Butantan será destinada ao Ministério da Saúde, que pretende distribuir gratuitamente o biofármaco para as maternidades públicas do País.
Na opinião do professor Isaías Raw, diretor da Fundação Butantan e coordenador do projeto, a medida terá um impacto significativo na economia do País e na qualidade de vida da população carente. Segundo ele, há 20 anos o Brasil importa surfactante e o comercializa internamente. O custo de cada dose chega a R$ 700. "Estava na hora de garantir o acesso dos bebês que nascem em maternidades públicas a esse importante medicamento", reforça o professor Isaías Raw.
Na segunda fase do projeto, o Ministério prevê o uso profilático e terapêutico do medicamento em outras patologias, como pneumonias graves.
O secretário da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, destaca o pioneirismo de São Paulo ao sediar um projeto desse porte. "A parceria do Butantan com a Sadia é um ótimo exemplo de parceria bem-sucedida entre o público e o privado. E mostra como a ciência pode servir à sociedade", completa.