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Correio Popular (Campinas, SP) online

Parceria fomenta Instituto da Água em Campinas

Publicado em 18 julho 2020

Por Maria Teresa Costa

Campinas vai inaugurar um Instituto da Água, centro de pesquisa em parceria da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), Fundação de Apoio à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) e Unicamp. A unidade está sendo implantada na Unicamp, em uma área de 5 mil metros quadrados com investimentos de R$ 130 milhões. A data da inauguração oficial ainda depende dos desdobramentos que envolvem a pandemia.

O Brasil Water Research Center (BWRC) - nome do centro - vai reunir e coordenar grupos de pesquisas multidisciplinares para desenvolver e aplicar tecnologias e políticas inovadoras sobre a água, além de capacidades profissionais e conscientização pública. O foco das pesquisas será nos usos sustentáveis da água para um ambiente saudável e seguro.

A proposta, disse o prefeito Jonas Donizette, é que o centro trate de assuntos relacionados à segurança hídrica, qualidade da água e tratamento de esgoto. “O centro discutirá e encampará pesquisas dos grandes temas, como dessanilização, telemetria, desenvolvimento de membranas filtrantes de esgoto mais baratas, para estender os resultados para todo o País”, disse o presidente da Sanasa, Arly de Lara Romêo.

Segundo o professor do Instituto de Química da Unicamp, Lauro Kubota, que coordenará o centro de pesquisa, a iniciativa, que vem sendo articulada desde 2015, já desperta interesse de vários centros de água internacionais. “Temos parceria com cinco centros mundiais, que estarão juntos nas pesquisas”, disse.

O investimento de R$ 130 milhões tem, na primeira fase, aporte de R$ 15 milhões da Sanasa e R$ 15 milhões da Fapesp, o restante será aplicado anualmente. A Unicamp entra com a área e o trabalho de pesquisadores e bolsistas.

O presidente da Sanasa tem interesse especial em processos de dessanilização da água, segundo ele, o futuro do abastecimento público, onde as cidades não dependerão mais dos rios para fornecer o produto à população.

Outra linha de pesquisa, disse, é a substituição do cloro por ozônio no tratamento da água. O oxigênio, cloro e outros produtos químicos conseguem diminuir os níveis de poluentes de água encontrada em estações de tratamento, piscinas e tanques de cultivo de peixes. Além deles, o ozônio, devido a sua ação oxidante, é usado no tratamento da água, pois consegue desinfectar em menos tempo de contato com os agentes infectantes e mais rápido do que a ação de outros desinfetantes.

Interatividade chega ao Museu da Água

O novo Museu da Água da Sanasa será ampliado e ganhará interatividade, para permitir o conhecimento, de forma lúdica, da história, dos processos de tratamento de água e esgoto, especialmente às crianças. O presidente da empresa, Arly de Lara Romêo, anunciou ontem que a inauguração ocorrerá em agosto, mês de aniversário da Sanasa. O Museu é parte do Centro de Conhecimento da Água (CCA), que funciona dentro do Parque das Águas. Ali existe um acervo da empresa que mostra o passado e parte da história da cidade. Objetos e documentos históricos foram catalogados e distribuídos pelo prédio para que a população tenha acesso aos primórdios do saneamento . Ao todo são 182 peças catalogadas. Capítulos da história de Campinas e do saneamento da cidade são contados por meio de fotografias e objetos antigos. Está ali, por exemplo, o primeiro bebedouro público, de 1874. A peça ficava na Rua do Pórtico, atual Ferreira Penteado com a Rua Direita, hoje Barão de Jaguara. O museu terá agora maquetes de estações de tratamento de água e esgoto, que permitirão ao visitante conhecer todo o processo com interatividade.

(MTC)