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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Parceria entre Unicamp e Rhodia encontra novas soluções industriais

Publicado em 21 março 2005

Um novo processo produtivo na indústria química começa, quase sempre, pela escolha do solvente mais apropriado para a formulação de um novo medicamento, uma tinta com secagem mais rápida ou mesmo um xampu que ajuda a desembaraçar o cabelo. Selecionando o solvente adequado, que nada mais é do que um líquido, como a acetona, o benzeno, o álcool e muitos outros, é possível separar um ingrediente de uma substância complexa.
Mesmo que o produto final seja um sólido, os processos de fabricação industrial em suas etapas iniciais geralmente partem de bases líquidas. Em testes tradicionais nos laboratórios, a fase de experimentação para identificar os solventes mais indicados para um novo produto, ou mesmo para modificar formulações que já se encontram no mercado, pode demorar vários dias e até semanas.
Agora, um software desenvolvido em parceria entre a Rhodia Brasil e a Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) permite tornar esse processo mais rápido, com grande economia de tempo.

Resposta rápida
"A ferramenta trouxe um grande benefício para nós, que é a velocidade de resposta aos problemas dos nossos clientes e agilidade no desenvolvimento de novos processos produtivos", diz Richard Macret, diretor de pesquisa e desenvolvimento da empresa para a América Latina. A empresa é subsidiária do grupo Rhodia, com sede na França e unidades industriais em quase cem países, que tem como foco química fina, fibras e polímeros.
Anteriormente, a Rhodia já havia desenvolvido outro software para procurar a melhor mistura de solventes para polímeros. Mas ele não conseguia prever a solubilidade - a quantidade máxima de um sólido que pode ser dissolvido em um solvente - de uma grande classe de produtos, que são os sólidos cristalinos. Nessa categoria química, assim chamada por conta da arrumação molecular, que segue sempre um padrão regular de distribuição, encontram-se, por exemplo, os princípios ativos dos medicamentos.
Antes de começar a utilizar o novo software, resultado de um projeto de pesquisa financiado pela Fapesp no âmbito do programa Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), a Rhodia trabalhava com uma lista padrão de cerca de 90 solventes, tanto para produzir seus produtos quanto para atender aos pedidos dos clientes.
"Eles faziam experimentos com cada um deles, um processo lento, caro e não muito apropriado", conta o professor Martín Aznar, coordenador do projeto. "Desenvolvemos uma ferramenta que permite restringir essa lista a apenas seis ou sete solventes, mas que ainda assim é representativa", diz.
Para criar o software, os pesquisadores tomaram como base um modelo teórico, chamado de metodologia de Hansen, utilizado na indústria química desde a década de 1970 para formulação de produtos com polímeros, que são os plásticos, as borrachas e os silicones, e solventes orgânicos, especialmente tintas. Mas esse método ainda não havia sido usado para os sólidos cristalinos.

(Agência Fapesp)