Notícia

Gazeta Mercantil

Parceria é a chave para ganhar competitividade

Publicado em 08 novembro 2002

Por Sérgio Siscaro - de São Paulo
Gerar competências na indústria aeroespacial brasileira, por meio de parcerias e transferência de tecnologias, é fundamental para que se possa desenvolver o setor, dando-lhe condições de competitividade. A avaliação é do diretor cientifico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Fernando Perez. De acordo com ele, a instituição reconheceu a importância do segmento por meio da criação de um programa específico, que já tem quatro projetos em andamento. "A linha que temos adotado é a de se reduzirem os riscos do empreendimento em termos de pesquisa e desenvolvimento", diz. Além disso, Perez lembra a existência de um programa para pequenas empresas do setor na Fapesp, denominado do Programa de Pesquisa Inovadora em Pequenas Empresas (Pipe). Atualmente, a Fapesp também dispõe do programa Parceria para a Inovação Tecnológica (Pite), e um de consórcios setoriais. Para o diretor, é necessário que se criem parques industriais que possam absorver essa competência e tornar suas empresas mais competitivas. "Esse é o foco que temos aplicado em outras áreas, como a biotecnologia", salienta. Segundo Perez, também se busca diversificar a abrangência da Fapesp nesse setor - dos quatro projetos atualmente em andamento, três são de empresas localizadas fora do pólo aeroespacial de São José dos Campos, no interior paulista. Na avaliação do diretor, o governo tem exercido de forma "tímida" seu poder de compra no setor, privilegiando fatores como preço e especificações técnicas na hora de adquirir um produto - o que acaba prejudicando a obtenção de escala pelas empresas. "É necessário ter a preocupação em gerar competência no Brasil - como foi feito no projeto Genoma." Para Perez, é essencial que se procure - formar recursos humanos qualificados e se diminua a dependência do Brasil de importações de produtos aeroespaciais. Perez ressalta, contudo, que a o estímulo e o fomento do desenvolvimento tecnológico não pode, como resultado final, gerar apenas um tipo de protecionismo ao setor. "Deve-se proteger e criar os meios necessários para que se incentive a área de pesquisa e desenvolvimento (P&D)", ponderou. O diretor participou da mesa-redonda "Política Aeronáutica para o Desenvolvimento da Indústria Aeroespacial Brasileira", promovido no último dia 4 pela GAZETA MERCANTIL.