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ABM Brasil - Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração

Parceria do CNPEM com startup deve acelerar desenvolvimento de modelos 3D de tecidos impressos

Publicado em 17 novembro 2021

Por Pesquisa para Inovação

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), acaba de firmar uma parceria com a startup 3D Biotechnology Solutions (3DBS), apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fapesp. O acordo visa a troca de conhecimento e desenvolvimento conjunto de aplicações em bioimpressão e reconstrução de estruturas tridimensionais para cultivo de células.

O Laboratório de Cultura 3D do CNPEM, instalado no Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), é uma das estruturas de referência da Rede Nacional de Métodos Alternativos ao Uso de Animais (Renama), que tem entre seus objetivos substituir os métodos existentes por outros que sejam igualmente ou mais eficientes e refinar os métodos já consagrados para reduzir o impacto das pesquisas com uso de animais. Outra área na qual o laboratório está se inserindo é a da medicina regenerativa e engenharia de tecidos, por meio da utilização dos modelos e materiais bioimpressos que poderão ter propriedades terapêuticas.

"Modelos de tecidos bioimpressos são recursos perecíveis e escassos, portanto muito valiosos para experimentos que buscam verificar eventuais efeitos de toxicidade, níveis de dosagem, absorção de produtos, por exemplo. A autossuficiência na produção desse recurso pode tornar mais objetivas as etapas de triagem e acelerar pesquisas", explica Ana Carolina Figueira, pesquisadora do CNPEM.

A 3DBS atua desde 2017 em São Paulo, onde possui uma oficina de customização e prototipagem de equipamentos de bioimpressão 3D e de eletrofiação e, em Campinas, um laboratório de biofabricação para o desenvolvimento de tecidos como pele, enxertos ósseos, cartilagem, entre outros.

A startup é a fabricante do equipamento de bioimpressão que o CNPEM acaba de adquirir. Além de prestar consultoria em biompressão, a empresa irá colaborar com projetos de desenvolvimento e reconstrução de tecidos e modelos in vitro e fornecerá insumos de pesquisa para testes toxicológicos e aprimoramento de métodos alternativos ao uso de animais.

"Há uma necessidade estratégica em buscar autonomia na produção desses insumos. Por serem em sua maioria importados, são muito caros. E há outro problema na importação. São materiais perecíveis, com prazo de validade de poucos dias. Há um risco muito grande de não chegarem ao laboratório em condições de serem aproveitados”, explica Figueira.

Inicialmente o trabalho dos pesquisadores do CNPEM e da 3DBS está voltado para testes de biossegurança de cosméticos, mas com perspectivas de ampliação para atender demandas de tecidos bioimpressos para outras necessidades de pesquisa, não apenas do CNPEM, mas de universidades e outras instituições científicas do Brasil.

"Acredito que essa parceria tem potencial para demonstrar quanto a conexão de empresas com centros de pesquisas pode contribuir para um novo patamar de consolidação desse segmento do mercado de biotecnologia. Temos no Brasil muitos grupos de pesquisa capacitados e um grande volume de conhecimento a ser aplicado em soluções que a sociedade precisa", avalia Pedro Massaguer, CEO da 3DBS.

A parceria entre o CNPEM e a 3DBS estabelece as condições para desenvolvimento conjunto e validação de modelos in vitro personalizados de acordo com os parâmetros debatidos no âmbito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), órgão internacional composto por 37 países que trabalham juntos para compartilhar experiências e buscar soluções para problemas comuns, como guias internacionais de uso para modelos de pele alternativos.

Fonte: Boletim Fapesp Pesquisa para Inovação (https://pesquisaparainovacao.fapesp.br/)