Notícia

Jornal da Unesp online

Parceria cria Banco de Tumores

Publicado em 28 novembro 2006

Por Genira Chagas

Desde o mês de junho, está em funcionamento o Banco de Amostras Tumorais, ou Banco de Tumores, uma parceria do Hospital de Câncer de Barretos — Fundação Pio XII — com o Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), campus de São José do Rio Preto. A iniciativa amplia as perspectivas para os estudos na área de oncologia e aumenta as esperanças de cura de pacientes com diagnóstico de câncer.
A partir de um banco de dados, onde serão reunidas as informações clínicas sobre os pacientes, seu perfil genético, características da doença e dados epidemiológicos, serão possíveis diagnósticos mais precisos, e, como conseqüência, tratamentos mais eficientes. "É um grande avanço científico na área de biologia molecular, que vai evitar tratamentos na base de tentativa e erro", destaca a bióloga Paula Rahal, do Laboratório de Estudos Genômicos do Ibilce e uma das coordenadoras do Banco, por parte da UNESP.
De acordo com Paula, no Banco são armazenadas amostras de tecidos tumorais e sadios, sangue e soro dos pacientes do hospital. Esses materiais darão suporte para o levantamento de informações para a pesquisa básica sobre DNA e RNA e de proteínas utilizadas como marcadores, ou indicadores dos tipos de câncer. As amostras são congeladas em nitrogênio líquido e conservadas em freezer de —86 ºC a —140 ºC.
Atualmente, os estudos sobre os cânceres estão condicionados ao diagnóstico e tempo de duração do tratamento de um determinado caso, que pode se estender por até cinco anos. Outro problema é a limitação da conclusão a um caso específico.
De acordo com o oncologista Edmundo Carvalho Mauad, diretor técnico do Hospital, o volume de atendimentos na instituição justifica a criação do Banco de Tumores, que recebeu US$ 80 mil da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). "O Banco vai contribuir com a pesquisa básica na área de oncologia", enfatiza.
Entre os atendimentos realizados no Hospital de Barretos, 90% são feitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Mauad conta que ocorrem cerca de 2,5 mil atendimentos diários para o tratamento rotineiro. Casos de novos diagnósticos somam aproximadamente 8,5 mil por ano.

Dados em rede
O Banco de Tumores do Hospital de Barretos é o terceiro no País a oferecer esse serviço, ao lado do Hospital do Câncer A. C. Camargo, em São Paulo, e do Instituto Nacional de Câncer, no Rio de Janeiro. Também está em estudo um convênio para unir, por intermédio da Internet, as informações dos Bancos de Barretos e de São Paulo, para a criação de uma Rede Nacional de Biorrepositórios.
O projeto e a implantação de um banco de dados para organizar as informações coletadas no hospital é coordenado pelo docente Carlos Roberto Valêncio, do Grupo de Banco de Dados do Departamento de Ciência da Computação e Estatística do Ibilce. O banco de dados torna viável toda a parte operacional do Banco de Tumores, desde a identificação de um material localizado em suas instalações, até o conhecimento advindo do cruzamento das informações.
Valêncio explica que a primeira fase do trabalho é a implantação do próprio sistema de informática. "Neste momento, estabelecemos o mecanismo para registro do fluxo do material que entra e sai do Banco", diz. A próxima etapa deverá permitir aos usuários do Banco levantar dados mais abrangentes relacionados a determinado tipo de câncer.
Informações como origem do paciente, perfil, características da doença, tipo de tratamento e resposta à droga, somadas com fatores de risco, grau de incidência e faixa etária, contribuirão para o diagnóstico, tratamento e prognóstico da doença.