Notícia

Esteta

Parceria com Portugal criará método para purificar biomarcadores

Publicado em 16 outubro 2015

Por Marcos Jorge

Desenvolver um novo processo para a fabricação de um biomarcador é o objetivo de um projeto elaborado pela Unesp em parceria da Universidade de Aveiro, de Portugal. A proposta pretende usar o conhecimento do grupo de pesquisa português na aplicação de líquidos iônicos para separar e purificar proteínas recombinantes, uma etapa complexa no processo de produção de biofármacos.

A proposta foi uma das dez selecionadas no edital lançado pela Fapesp em parceria com a FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia), de Portugal. A chamada foi uma das mais concorridas dos últimos anos, segundo a própria agência de fomento paulista. Ao todo, foram mais de 300 propostas submetidas e apenas dez selecionadas.

O projeto será coordenado na Unesp pelo professor Sandro Roberto Valentini, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, de Araraquara e, na Universidade de Aveiro, pelo professor João Coutinho, do Departamento de Química.

O professor Valentini explica que no processo de produção de bioprodutos, a etapa mais complexa e de maior custo está relacionada com a separação e purificação da proteína de interesse. A ideia do projeto é desenvolver uma metodologia alternativa para esta etapa do processo a partir da ampla experiência da equipe colaboradora de Portugal no uso de líquidos iônicos.

"Nós usamos a proteína GFP [do inglês, Green Fluorescent Protein], produzida a partir da bactéria Escherichia coli, porque ela tem uma florescência verde, o que facilita o seu acompanhamento na etapa de separação e purificação, além da sua aplicabilidade em kits de diagnóstico como biomarcador. A etapa inicial da indução da produção de GFP já foi realizada aqui em Araraquara", explica. A etapa seguinte está sendo desenvolvida pelos professores Jorge Pereira e Valéria Ebinuma, do curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, também da FCF-UNESP de Araraquara, que irão otimizar a produção desta proteína.

O português Jorge Pereira é um docente recém contratado pela universidade e foi quem estabeleceu o contato com a Universidade de Aveiro, além de ter participado ativamente na elaboração do projeto. "Com pouco mais de um ano na Unesp o professor Jorge Pereira já se envolveu e apresentou esse projeto de parceria de pesquisa com seu país", elogia Valentini.

A etapa seguinte traz a maior inovação do projeto e será desenvolvida com a parceria da Universidade de Aveiro. A equipe dos professores Jorge Pereira e Valéria Ebinuma, em colaboração com a equipe do professor João Coutinho, desenvolverá uma técnica para ajudar na separação e purificação da proteína de interesse do restante das proteínas da bactéria Escherichia coli, utilizando sistemas de duas fases aquosas com líquidos iônicos.

A equipe portuguesa é atualmente uma referência mundial na utilização desta técnica na recuperação de diversos bioprodutos. Para Valentini, a colaboração será de grande importância para o Departamento de Bioprocessos e Biotecnologia da Unesp Araraquara. "Essa etapa do processo é bastante complexa porque precisamos separar, sem perda de rendimento, a GFP das demais proteínas produzidas pelo microrganismo utilizado no processo biotecnológico, nesse caso, a bactéria Escherichia coli", explica. “O que está sendo feito com essa proteína é o desenvolvimento de uma nova metodologia que poderá ser posteriormente aplicada a outros processos de produção de proteínas recombinantes que tenham alto valor agregado, como os biofármacos”, explica.

Além da produção de artigos científicos com a equipe parceira internacional – o que aumenta o impacto das publicações –, a expectativa é que o processo para separar e purificar a proteína utilizando sistemas de duas fases aquosas com líquidos iônicos seja patenteado e traga recursos para as duas instituições.

Portal Unesp