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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Parceria com Brasil ganha prêmio IBEROEKA 2003

Publicado em 14 setembro 2003

O SEIRA é um sistema de captura de imagens digitais e orientação direta por GPS-INS que pretende oferecer informações cartográficas a um custo bastante menor que o dos sistemas tradicionais (no momento seu uso para este fim é proibitivo, devido ao custo elevado) e praticamente em tempo real. As empresas Stereocarto (Espanha) e Aerocarta (Brasil), em conjunto com o Departamento de Cartografia da Unesp e o Instituto de Geomática espanhol, são os reponsáveis pelo projeto, selecionado por um júri composto por diversos países iberoamericanos. A FINEP é o organismo gestor do IBEROEKA no Brasil e é a responsável pela aprovação de projetos para certificação pelo programa. O IBEROEKA é uma iniciativa internacional de cooperação de caráter multilateral, criada no âmbito do Programa Iberoamericano de Ciencia y Tecnologia para el Desarrollo - CYTED, destinado a promover a cooperação empresarial entre países iberoamericanos no campo da inovação e desenvolvimento tecnológico. Participam desse acordo 21 países. Histórico do SEIRA O projeto SEIRA é resultado de esforços bilaterais de cooperação, para fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico das áreas da Geomática e Cartografia bem como a formação de recursos humanos de alto nível. Na tabela abaixo estão resumidas algumas das ações desenvolvidas no contexto da cooperação. Estão envolvidos no projeto o Departamento de Cartografia, da Unesp de Pres. Prudente, o Instituto de Geomática da Universidade de Barcelona, a empresa Stereocarto (Madri, Espanha) e Aerocarta (São Paulo, Br). 1997-7 PP Ismael Colomina (IG-Barcelona) é convidado a visitar a Unesp e inicia-se a concepção do projeto; 1997-9 RJ Primeiro texto do projeto é produzido; 1998-5 BCN Gestões técnicas junto à AECI; 1998-5 BCN Visita técnica de Antonio M. G. Tommaselli (FCT/UNESP) ao ICC e reinicio dos trabalhos: 2a versão do projeto; 1998-8 SP Apresentação do resumo executivo a Tânia Andrade (ITESP), potencial cliente do sistema; 1998-8 SP Apresentação do resumo executivo à FAPESP; 1998-8 PP Preparação da 3a versão do projeto; 1998-9 PP Encontro com lideranças políticas: Tania Andrade (Coordenadora do ITESP); Belizário Bittencourt (Secretário da Justiça); Franco Montoro (Deputado Federal); 1998-12 PP-SP Apresentação do projeto à Fapesp como um projeto dentro dos Centros de Inovação e Difusão Tecnológica (CEPID); 1999-01 PP-SP O projeto não alcança grau de prioridade para receber financiamento dentro do programa CEPID; 1999-03 MD-ES As empresas Estereocarto-ES e Aerocarta-BR manifestam interesse pelo conceito e passam a liderar uma proposta ao programa IBEROEKA, com a colaboração do Instituto de Geomática, Universidade de Barcelona e do Departamento de Cartografia, Unesp-Presidente Prudente; 1999-12 SP-BR É assinado acordo de cooperação técnica entre o Instituto de Geomática e a Universidade Estadual Paulista 2000-01 MD-ES SP-BR A proposta é apresentada aos órgãos gestores do programa IBEROEKA na Espanha-CDTI e no Brasil- Finep 2000-07 Visita do Prof. João Fernando C. da Silva (FCT/UNESP) ao instituto de Geomática 2000 BR-ES Certificação Iberoeka 2000 Financiamento para Stereocarto e IG é aprovado pelo Cyted-ES 2003 Premio de Inovação Tecnológica Sistema aerotransportado na Unesp - A busca por sistemas de baixo custo começou na Unesp em meados da década de 80. Nesta época ocorre o primeiro financiamento para a aquisição de uma câmara de pequeno formato, para coleta de fotografias não-métricas e para ensino na área de Engenharia Cartográfica (Tommaselli, 1986). Com estes recursos, foram desenvolvidas algumas aplicações, em particular o monitoramento de infestantes do reservatório de Santo Anastácio, que abastecia a cidade de Presidente Prudente. Outros trabalhos foram realizados, estudando-se formas de processamento destes dados obtidos com câmaras de pequeno formato (Amorim, Tommaselli e Silva, 1989). Com o advento da tecnologia de imageamento digital, na década de 90, foram iniciados projetos de pesquisa na área de Fotogrametria à curta distância, mas que causaram reflexos no desenvolvimento coletivo da cnologia digital no Departamento. Em 1986, com financiamento do CNPq, foi adquirida a primeira câmara digital, uma Kodak DC40, com a qual foram efetuadas algumas imagens aéreas. Ficou claro que a resolução propiciada por esta câmara era insuficiente para aerolevantamento. Posteriormente, com financiamento da Fundunesp, foi adquirida uma câmara Kodak DC210, também fará aplicações de curta istância, mas que foi utilizada em várias coberturas aéreas. Da primeira cobertura, realizada em 1998, resultou um trabalho de graduação, no qual foi produzida uma ortoimagem do campus. Posteriormente, no ano de 2000, foi realizada uma restituição digital na escala de 1:2.000, também como trabalho de graduação de alunos do curso de Engenharia Cartográfica. O processamento digital destas imagens aéreas foi possível graças a um financiamento da Fapesp (Implantação de recursos de Fotogrametria Digital na FCT- Fapesp-97/ 10749-4, coordenado pelo Professor doutor Antônio M.G. Tommaselli), para a aquisição de 2 estações fotogramétricas, com software Socet Set, da LH Systems. Verificou-se o potencial de utilização das câmaras digitais, embora ficasse claro que a resolução e a estabilidade geométrica da câmara empregada (DC210) estivesse aquém das necessidades para o mapeamento em larga escala. Também no final da década de 90, outros projetos de docentes do Departamento de Cartografia procuraram trazer a tecnologia digital para a coleta de imagens aéreas. O projeto "Mapeamento Fotogramétrico com Sensores Digitais" (Fapesp-98/10062-1), coordenado pelo professor doutor Júlio Hasegawa, trata da coleta de imagens obtidas com vídeo digital e da integração com o sistema GPS. O projeto "Recursos não convencionais de levantamento de dados da superfície para aquisição de informações cartográficas" (Fapesp-97/10956-0), coordenado pelo Prof. Dr. Nilton Nobuhiro Imai, permitiu a aquisição de uma câmara digital multiespectral, adequada para aplicações temáticas. Ambos os projetos fornecem feedback para o desenvolvimento da proposta que se apresenta e também se beneficiarão dos resultados obtidos. O esforço para a definição de um sistema leve (ou rápido), começou em 1997, com a vinda do Dr. Ismael Colomina, do Instituto Cartográfico da Cataluna a Presidente Prudente. Àquela época, definiu-se como objeto de estudo as áreas de assentamento do Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo). Posteriormente, em dezembro de 1999, foi assinado um acordo de cooperação entre a Unesp e o Instituto de Geomática da Universidade de Barcelona, sendo um dos objetivos o desenvolvimento de um sistema de coleta e processamento de imagens obtidas com sensor ótico aerotransportado. O projeto, denominado SEIRA (Sistema de Exploração de Imagens Rápido Aerotransportável), agregava dois grupos acadêmicos (Unesp e IG), uma empresa espanhola (Stereocarto) e uma empresa brasileira (Aerocarta), pretendendo-se desenvolver um sistema completo de aquisição e processamento de imagens georeferenciadas. O projeto foi submetido às agências Finep (Brasil) e Cyted (Espanha), obtendo a certificação Iberoeka, o que habilitou as empresas a prosseguirem para a fase seguinte, a apresentação de propostas de financiamento. A proposta espanhola foi contemplada com financiamento para a integração de uma IMU com GPS. A empresa brasileira Aerocarta não considerou adequadas as condições de financiamento e decidiu não prosseguir com o pedido junto à Finep. A Unesp considerou que poderia subdividir o projeto e obter financiamentos a fundo perdido. Foram encaminhados alguns pedidos, tendo sido aprovados os financiamentos mencionados na tabela 1. Outro aspecto importante foi a adaptação do conceito SEIRA para agricultura de precisão, que motivou um acordo de cooperação com a Embrapa e a viabilização de um financiamento e de experimentos. Também tem sido objeto de estudo a utilização de modelos híbridos para a orientação das imagens digitais. Nesta técnica, imagens tomadas com câmaras digitais são orientadas em conjunto com fotografias aéreas métricas preexistentes, eliminando a necessidade de pontos de apoio.