Notícia

UDOP - União dos Produtores de Bioenergia

Parceria busca combustíveis alternativos  

Publicado em 27 outubro 2011

- O foco da parceria entre a Embraer, a Boeing e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no desenvolvimento de biocombustíveis para aviões é encontrar soluções variadas de fontes de matérias-primas, que gerem biocombustíveis adaptados às aeronaves já existentes.

"O foco é usar combustíveis de fontes renováveis que vão substituindo os de fontes fósseis, sem alterações nos sistemas das aeronaves", afirmou o presidente da Boeing Internacional, Shep Hill.

O executivo esteve presente em evento ontem em São Paulo, no qual as três empresas assinaram a intenção da parceria. Conforme adiantou o Valor, as companhias realizarão estudo detalhado sobre as possibilidades de se criar no país uma indústria no setor. A conclusão desse estudo está prevista para 2012

As companhias aéreas Azul, Gol, TAM e Trip serão consultoras no projeto. Segundo o vice-presidente de Engenharia e Tecnologia da Embraer, Mauro Kern, para atender a demanda, o estudo deve identificar diferentes fontes de biomassa. A ideia é que se trabalhe - em quantidade crescente - os combustíveis renováveis em conjunto com o de fonte fóssil.

"Esse é o primeiro passo para estabelecer uma indústria de biocombustíveis para aviação no Brasil", afirmou a jornalistas a presidente da Boeing no Brasil, Donna Hrinak. Foram citados como fontes de matérias-primas de alto potencial a cana-de-açúcar (dada a tradição do país no segmento) e as algas. Segundo a executiva, o diagnóstico das possíveis rotas de tecnologia criará as bases para o funcionamento de um centro de pesquisas, focado no desenvolvimento do produto, com início das operações previsto para 2013.

Os executivos evitaram falar sobre os investimentos necessários para a realização do estudo e do centro de pesquisas. "As empresas ainda não estão entrando nas questões específicas de investimentos", afirmou Kern. Tampouco está definido um papel para cada uma das fabricantes envolvidas na parceria. A Boeing, no entanto, garantiu que não tem a intenção de ser vendedora de combustíveis e, sim, quer colaborar no desenvolvimento tecnológico e científico do setor.

Para a Embraer, o projeto é uma forma de atender às necessidades futuras dos clientes, que enfrentam os altos custos do petróleo e têm uma meta de reduzir suas emissões em 50% em 50 anos, a partir de 2005. A viabilidade econômica do biocombustível está, portanto, intimamente ligada à sua capacidade de redução de custos e de adaptação às frotas antigas das aeronaves.




Fonte: Valor Econômico