Notícia

Gazeta Mercantil

Parceria aumenta produtividade

Publicado em 02 abril 1997

Assustada com seu baixo índice de produção diária de uma ou até meia lente de contato por dia, a ótica carioca Contactus não se intimidou com a novidade quando soube, em 1991, do serviço Disque-Tecnologia, da Universidade de São Paulo. Seu proprietário Leonel do Canto e Mello não hesitou em arcar com os custos de transporte e hospedagem de um físico da Universidade de São Carlos, indicado pelo Disque-Tecnologia. Com apenas uma visita de meio período e algumas ligações telefônicas, a Contactus conseguiu elevar sua produção diária para seis lentes e eliminar o desperdício de matéria-prima. O grande entrave para o salto na produção revelou-se extremamente simples e foi solucionado com um mero ajuste no processo de beneficiamento da lente, alterando, uma determinada etapa da produção. Com 15 anos no mercado, a Contactus fatura hoje R$ 35 mil por mês. Satisfeito com o resultado, Canto e Mello nunca mais recorreu ao Disque-Tecnologia. Postura diferente adotou a empresária Ricarda Antunes, dona da Luminaris, empresa que fabrica velas decorativas. Desde que conheceu os serviços do Disque-Tecnologia, em 93, Ricarda estabeleceu uma estreita parceria com os técnicos da USP e hoje suas velas, ao derreter, formam pingos coloridos, em uma mistura de cores que atraiu até a atenção da cantora Madonna, em sua passagem pelo Brasil em novembro de 93. Após essa primeira experiência, que conseguiu dar um efeito especial para suas velas, a Luminaris não parou mais de usar a parceria do Disque-Tecnologia para desenvolver novos produtos. Até hoje, além do primeiro projeto, foram outros cinco trabalhos em conjunto. Sem revelar os produtos químicos que utiliza, a empresa conseguiu melhorar o desempenho das velas (incluindo duração e luminosidade); desenvolver técnicas para conservar folhas de frutas; tirar a anilina das velas queimadas na própria loja para reaproveitamento da parafina; determinar com exatidão o tom de dourado que o pavio deveria ter e trabalhar com a textura da parafina para que ela pudesse ser moldada à mão. Existe ainda um projeto para deixar as próprias chamas coloridas que está sendo estudado há dois anos. Na opinião de Ricarda, o trabalho do Disque-Tecnologia é muito importante pela aproximação da universidade com as micro e pequenas empresas, que são as que mais precisam de apoio. Em todos os projetos, a proprietária afirma ter arcado somente com os custos de materiais para desenvolver os produtos. Com as novas tecnologias incorparadas à produção, a empresária conseguiu projetar 200 moldes diferentes para fabricação das velas, comparados a apenas um molde quando a empresa surgiu em 93. A produção do ano de 95, que era de 500 velas mensais, hoje chega a 15 mil, com vendas para o atacado e varejo em todo Brasil. Mesmo com a escala muito maior, o processo de fabricação continua sendo inteiramente artesanal. Para conseguir atender a demanda e continuar sendo uma microempresa, Ricarda tercerizou a produção, que hoje ocupa 36 pessoas e garante um faturamento de R$ 9 mil mensais. (FF) Contactus: (021) 259-3640 Luminaris: (011) 541-7429