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DiabeteNet

Parceria aplicará tecnologia ao diagnóstico precoce de diabetes

Publicado em 08 junho 2016

A Unesp e a RMIT University, da Austrália, irão cooperar em um projeto que estudará o desenvolvimento de modelos matemáticos para o diagnóstico precoce de diabetes. A proposta elaborada na parceria foi aprovada em chamada internacional divulgada pela Fapesp no final de Abril.

O projeto foi um dos aprovados na chamada SPRINT (São Paulo Researchers in International Collaboration), da Fapesp, que visa aproximar pesquisadores do estado de São Paulo com instituições parceiras da agência paulista no exterior.

Em linhas gerais, o projeto pretende elaborar modelos matemáticos capazes de identificar um padrão de ocorrência da doença, tendo em vista dados disponibilizados pela instituição australiana, tais como idade, região em que mora, peso, entre outras informações. O projeto foi elaborado pelo professor do departamento de computação da Unesp Bauru, João Paulo Papa, em parceria com Dinesh Kant Kumar, professor da RMIT University especialista em engenharia biomédica.

O docente da Unesp explica que o aprendizado da máquina (machine learning, em inglês) envolve a elaboração de algorítmos que identificam padrões dentro de um conjunto de dados. Esta tecnologia é responsável, por exemplo, pela ferramenta que identifica o rosto das pessoas no Facebook ou pela sugestão musical adequada ao gosto do ouvinte em aplicativos como o Spotify. Tendo em vista a quantidade de dados fornecidos pelos milhões de usuários do aplicativo de música, o algoritmo é capaz de identificar o gosto musical do usuário e sugerir uma música que o agrade.

“Existe o termo big data que na prática se refere a quantidade de informações disponíveis para determinado fim. O que o aprendizado da máquina faz é dar um sentido para esta quantidade imensa de dados”, explica Papa.

Neste sentido, o projeto elaborado pela Unesp em parceria com a RMIT University irá usar a base de dados de informações clínicas do sistema de saúde australiano para encontrar padrões relacionados à incidência de diabetes. “A ideia desse trabalho também é aumentar esta base com dados do Brasil, visto que temos uma população bastante heterogênea que poderia incrementar este acervo”, explica.

Os dois pesquisadores ainda devem se reunir pessoalmente nos próximos meses para acertar os últimos detalhes do projeto. Visitas dos docentes às instituições parceiras para fins acadêmicos (cursos, palestra, workshops, etc) também estão programadas ao longo dos dois anos de duração do projeto.

A RMIT University está entre as 100 melhores do mundo com menos de 50 anos, segundo o ranking da Times Higher Education. Com cerca de 60 mil estudantes matriculados, a instituição tem foco em pesquisa aplicada e diversas parcerias com governo e indústria.