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Brasilagro

Parceiros devem ajudar a acelerar ritmo do negócio

Publicado em 31 julho 2012

Participar de um processo de incubação requer sensibilidade para saber a hora certa de deixar as dependências da incubadora. A empresa tem de estar pronta para enfrentar sozinha o mercado, estabelecer parcerias capazes de acelerar o negócio e estabelecer metas realistas. Mesmo com chances de se graduar antes do prazo previsto, a Lychnoflora - especializada na aplicação química de produtos naturais - não pretende antecipar a sua saída da Supera, incubadora de empresas de base tecnológica ligada ao campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). "Ainda precisamos desse nível de envolvimento com a instituição de ensino e, mesmo após nossa graduação, queremos manter a associação com a academia", explica José Norberto Callegari Lopes, presidente da Lychnoflora.

Entre os planos da empresa está o de continuar prestando serviços técnicos para a indústria farmacêutica e, ao mesmo tempo, aproveitar a capacidade de atração de investimentos da Supera. Com apoio de entidades como a Financiadora de Projetos e Estudos (Finep), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Lychnoflora toca projetos orçados em mais de R$ 2 milhões e participa de novas rodadas para conseguir mais financiamento.

Com três anos de atuação, fatura R$ 200 mil por ano com seus serviços, atende grandes empresas farmacêuticas e está desenvolvendo fitoterápicos para combater a leishmaniose, linha de ativos que pode, de fato, mudar os rumos da empresa. "Por enquanto, a expansão acontecerá dentro da incubadora, vamos mudar para um espaço maior, mas continuamos na Supera", afirma.

Ajuda para estruturar os negócios é uma atividade que tem evoluído dentro das incubadoras. Mais do que hospedar empreendimentos, as instituições avançam para lançar vencedoras no mercado. Na Supera - fundada em 2003 e que já apoiou 105 projetos de base tecnologia - essa tendência fica clara. De acordo com Geciane Porto, coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Inovação, Gestão Tecnológica e Competitividade (Ingtec,) da Universidade de São Paulo, a Supera fechou parceria com uma rede inglesa de incubadoras. A aliança, além de incluir mais empresas, vai permitir a atuação de uma aceleradora de negócios para ajudar a modelar as empresas e divulgar os empreendimentos para investidores. "A combinação entre conhecimento acadêmico e empreendedorismo é fundamental para o sucesso das empresas hospedadas. Temos de buscar alternativas para lançar negócios fortes no mercado", explica.

Entre as novidades para a Supera, Geciane destaca a construção do Parque Tecnológico de Ribeirão Preto, nas dependências da USP. As obras, que devem ser concluídas no próximo ano, vão trazer mais espaço para a incubadora, hoje com capacidade para hospedar 23 empresas e que poderá receber até 60 empreendimentos. "O espaço para cada negócio também será maior. Hoje temos 30 metros quadrados para cada projeto, teremos 80 metros a partir da conclusão do parque", conta.

Forte no segmento da saúde, a Supera foi a base para o desenvolvimento de produtos da Pelenova Biotecnologia, empresa que seguiu um caminho pouco convencional no processo de incubação. Fundada em 2002, a Pelenova lançou um curativo à base de látex para hospitais. A eficiência da biomembrana chamou a atenção de empresários como Ozires Silva - hoje presidente do conselho da empresa. Em 2003, a Pelenova captou R$ 7 milhões e construiu uma fábrica em Mato Grosso para produzir o Biocure.

A expansão dependia do desenvolvimento do produto. Então, a Pelenova, resolveu entrar no processo de incubação. Chegou à Supera em 2007 para pesquisar as propriedades curativas do látex. "Conseguimos isolar a proteína, o que nos deu versatilidade e permitiu a criação de cremes para aplicar nas feridas e promover a recuperação da pele", conta Marcos Silveira, diretor-presidente.

Em 2009, graduada, a Pelenova decidiu construir uma nova fábrica, em Ribeirão Preto - após fechar operações no Mato Grosso -, para fabricar o soro do látex. Licenciou a tecnologia para o laboratório americano Valeant, que já lançou o produto no mercado. "Nossa meta é fornecer matéria-prima e licenciar a tecnologia. É com isso que vamos ganhar dinheiro", finaliza Silveira, lembrando que as propriedades do látex possuem grande potencial para o mercado de dermocosméticos .

Fonte: Valor, 31/7/12