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Paranapiacaba quer conquistar classe média

Publicado em 01 março 2007

O desafio da Prefeitura de Santo André de transformar a Vila de Paranapiacaba em grife de turismo entra em novo patamar de ações. Mais do que divulgar o lugar e atrair quantidade significativa de público, a subprefeitura quer qualificar atendi mento, serviços e produtos de olho em visitantes com poder aquisitivo elevado. Várias frentes ganham prioridade em 2007 e são colocadas em prática simultaneamente. Da capacitação dos agentes de turismo com cursos básico, intermediário e avançado às ações de marketing, tudo tem a qualidade como foco. "Temos recebido público com maior grau de exigência no consumo e, por conta disso, a partir deste ano, todos os monitores que prestam serviços na Vila deverão fazer no mínimo o módulo básico" — afirma o subprefeito, João Ricardo Guimarães Caetano.
A primeira providência para atingir a excelência pretendida foi mexer na recepção. Em vez de voluntários, a abordagem dos turistas passa a ser feita por equipe profissional. Treina dos para cercar a chegada do visitante com arsenal de boas expectativas, a equipe conta com 15 operadores. Boa desenvoltura na fala e conhecimento aprofundado da Vila colocam o turista mais sofisticado em situação de pleno conforto. "A atividade turística iniciada há cinco anos modificou o perfil de Paranapiacaba e hoje temos produtos para oferecer, ou seja, não é mais uma Vila fantasma com histórias remotas de tempos quase esquecidos" — diz o subprefeito. A prova está na freqüência — de 41 mil visitantes em 2002 saltou para 221 mil em 2006. Nos fins de semana de tempo bom, o turismo na Vila gira em tomo de cinco mil pessoas.
A fase de sintonia fina exigiu revi são detalhada da agenda de eventos. Se até o ano passado a estratégia incluía um evento por mês, a partir de 2007 a proposta é dar ênfase e potencializar as festas tradicionais. Calendário oficial foi criado e começou no Carnaval com desfile do bloco das Bruacas, formado por moradores e tu ristas. Além da sétima edição do Festival de Inverno, em julho, a programação inclui atividades como a IV Festa do Cambuci, em abril, a Festa do Padroeiro Bom Jesus de Paranapiacaba, em agosto, e o 2° Festival de Jardins, em setembro, entre outros. O calendário foi desenvolvido pela sub-prefeitura em parceria com a Secreta ria de Cultura, Esporte e Lazer.
Além de esforços municipais, a Vila consta do roteiro estadual de Serras e Mares e está incluída entre as prioridades de investimento do governo federal. Paranapiacaba é tombada nas três esferas de governo — pelo Condephaat em 1987, pelo Iphan em 2002 e pelo Comdephaapasa em 2003 — e dispõe de 360 casas em arquitetura inglesa do final do século XIX. Muitas já foram restauradas e os principais prédios são usados pelo Poder Público. O projeto de restauro de quatro imóveis históricos de Paranapiacaba, executado em parceria entre a Prefeitura e a Fundação Santo André, recebeu R$ 300 mil do Programa de Políticas Públicas da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
Casas que têm vocação comercial são ainda submetidas a banco de pro posta de interessados em abrir negócio na Vila. Livre-iniciativa e pessoas físicas podem assumir restauro de casas sem a obrigação de ocupá-las. Quando o ponto é utilizado para atividade turística são feitos abatimentos no valor da locação. O Fundo de Gestão alimenta do pelo aluguéis dos imóveis que giram entre R$ 10 e R$ 200, com algumas exceções mais caras, também é utilizado em reformas. Atual mente são 81 pontos de empreendi mentos entre pousadas, restaurantes, associação de monitores, bares e lojas. Também estão revitalizados Castelinho, Clube União Lyra Serrano, Mercado e Largo dos Padeiros.
As intervenções transformaram o Largo dos Padeiros — porta de entrada para a parte baixa da Vila — em mais um espaço de lazer contemplação. A obra de revitalização resgatou a importância do Largo dos Padeiros, local de antigo galpão de consumo que atendia à antiga estação Alto da Serra e armazenava pães. O galpão foi demolido entre as décadas de 40 e 50 do século passado. Alinhadas à rampa da passarela de travessia da linha férrea, seis barracas de alimentação com base em alvenaria e parte superior em madeira permitem apreciar a vista de parte do pátio ferroviário. Cobertura em estrutura metálica circular translúcida lembra estação de trem, embora feita em material moderno e resistente.
Somada a ações de divulgação da Vila, a atração de alunos de escolas particulares de São Paulo emerge co mo solução para os dias da semana, quando Paranapiacaba recebe poucos visitantes. O serviço de contato com as escolas foi terceirizado e está a cargo da Chias Marketing. "A Vila possibilita aulas de campo em biologia, geografia e história, e a proposta é firmar pacotes que incluam monitoria e alimentação" — explica João Ricardo Caetano. Os monitores têm recebido intenso treinamento para atender público tão específico. "Os alunos de escolas privadas de São Paulo são multiplicadores que nos interessam por que divulgam a Vila" diz o subprefeito.
Distante 50 quilômetros da Capital, Paranapiacaba acolhe o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, unidade de Conservação criada pela Prefeitura de Santo André em 2003 para conservar os recursos naturais da Mata Atlântica no entorno da Vila de Paranapiacaba. O parque tem área de quatro milhões de metros quadrados onde está instalado circuito de arborismo que voltou a funcionar em fevereiro de 2007, depois de pas sar por manutenção preventiva.
O circuito é operado pela Ciclotur, empresa que presta outros serviços turísticos na Vila. Os equipamentos de atração turística aos poucos ganham raízes. A Maria Fumaça, que funciona nos fins de semana em passeios de cerca de 15 minutos no pátio ferroviário, permite volta ao passado, com tripulação vestida a caráter que conta histórias sobre o lugar. "Queremos viabilizar trem de turismo pelo menos até Rio Grande da Serra" — diz João Ricardo Caetano.
Concurso — A fim de despertar a atenção de arquitetos para o patrimônio edificado de Paranapiacaba, a subprefeitura decidiu promover concurso público nacional para escolher projeto de restauração do conjunto que reúne, entre outros, o Clube Lyra:Serrano e o primeiro Grupo Escolar de Paranapiacaba. O projeto vencedor receberá R$ 40 mil, o segundo colocado R$ 2 mil, e o terceiro R$ 1 mil. O concurso é promovido pela Prefeitura de Santo André, pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), pelo Condephaat e pelo Com dephaapasa, órgãos estadual e municipal responsáveis pela defesa do pa trimônio, além da Fundação Santo André e do Politécnico di Torino.
Antiga reivindicação de moradores e preservacionistas, a base do Corpo de Bombeiros entra em operação este ano no número 445 da Avenida Fox, na parte baixa. A instalação da base é fruto de parceria entre a Prefeitura e o 8° Grupamento de Bombeiros de Santo André e exigiu investimentos de R$ 54 mil na recuperação do imóvel. "Isso significa mais segurança ao patrimônio histórico e à comunidade local" — afirma João Ricardo Caetano. A base conta com efetivo fixo em plantão 24 horas e uma viatura também fixa no local.