Notícia

Correio Popular

Paralisação prejudica rotina dos estudante

Publicado em 28 maio 2000

O lingüista Lourenço Ocuni Cá, doutorando em Educação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cancelou a viagem que programara para sua terra natal, Guiné Bissau, no meio do ano, em virtude da greve. Além de sentir-se prejudicado quanto ao andamento das aulas, Lourenço sente, agora, a solidão do isolamento. "Não posso ler e-mails porque trancaram a sala dos computadores. Tenho muito material para ser lido, não me sinto motivado, não há com quem trocar idéias, o ambiente está monótono e não tenho mais contato com meu orientador", contou ele, lembrando que a ansiedade prevalece em tempos de greve. "A greve deve ter seu motivo, mas eu estou saindo muito prejudicado com isso", acrescentou. Lourenço não conseguiu enviar, seu projeto de mestrado à Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "A situarão está complicada. Sem dinheiro, vou ter que telefonar para o meu irmão que? mora em Portugal,1 para que me mande alguma ajuda", lembrou. O estudante do curso de Filosofia, Douglas Carlos Chinarelli, não recebeu os R$ 240.00 da bolsa-trabalho deste mês. Ele ficou também sem o trabalho que presta à Biblioteca do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), porque esta fechou desde o inicio da paralisação. Perdeu também o direito à alimentação gratuita porsitário (RU) 2 deixou de funcionar. "Não quero condenar o princípio da greve, mas preocupa um movimento desses, sem perspectiva de resolução", afirmou. Saulo Veiga Oliveira, do segundo ano de Ciências Sociais, também deixará de visitar a família em Goiânia (GO) em julho. "Se nao houver recesso vou matar a primeira semana de aula", falou. "A primeira semana define como vai ser o curso, é importante acompanhar, mas, no meu caso, não vai ter jeito, acho que recupero depois". O estudante de piano popular, Hércules Gomes, de Vitória (ES), sente dificuldade nos estudos porque as salas dos pianos estão fechadas desde que o Instituto de Artes (IA) ficou paralisado. Segundo' ele, as salas de estudo são abertas apenas às pessoas que farão algum concerto para os eventos de greve. "O que não é o meu caso". Enquanto a paralisarão não termina, ele estuda em um teclado, uma oitava menor do que os pianos tradicionais. "Não é a mesma coisa. A ação nas teclas é outra, o resultado final acaba sendo diferente", explicou. Ele também toca sanfona e aproveita a greve para se aperfeiçoar em casa. Bruno Mangueira, de Vitória (ES) também estuda Música Popular na Unicamp. Ele disse que ganha mais tempo para estudar em casa, "mas a desvantagem da greve é exatamente o fato de não termos aulas", pondera. (RC)