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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Para Robert Shellis, artigos científicos dão retorno à sociedade

Publicado em 14 abril 2011

Por Manuel Alves Filho

O professor Robert Peter Shellis, da University of Bristol, no Reino Unido, ministra nesta quinta-feira (14), às 14 horas, no Salão Nobre da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), uma palestra com o tema "Erosão Dental". O especialista, que por dez anos foi editor da revista científica Caries Research, uma das mais importantes do segmento, está em visita à FOP a convite dos professores Jaime Aparecido Cury e Cinthia Pereira Machado Tabchoury. Além da apresentação de conferências, Shellis também tem participado de outras atividades no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Odontologia daquela unidade.

Nesta quarta-feira, Shellis fez uma pequena pausa nos trabalhos para falar ao Portal da Unicamp. De acordo com ele, os cientistas devem procurar publicar os resultados das suas pesquisas por dois motivos principalmente. Primeiro, para levar os dados obtidos ao conhecimento da comunidade científica. Segundo, para prestar contas à sociedade, dado que boa parte dos trabalhos científicos é financiada por agências de fomento governamentais. "É uma forma de devolver à sociedade parte daquilo que ela ajudou a produzir", explicou.

A escolha da revista científica, conforme o docente, deve recair inicialmente sobre aquela que tem maior impacto na área. Ele lembra, porém, que essas publicações são justamente as que recebem mais artigos para análise, e nem todos podem ser aceitos. Um aspecto importante a ser observado pelo autor, prosseguiu Shellis, é que o periódico eleito atinja de fato o público alvo desejado. "No caso de o pesquisador ser iniciante, é recomendável ainda que ele procure a supervisão ou se aconselhe com um profissional mais experiente", advertiu.

Além desses cuidados, de acordo com o docente da University of Bristol, é fundamental que o artigo atenda às normas da revista, que os dados tenham sido cuidadosamente confirmados e que a redação seja a mais precisa, clara e concisa possível. "Também é importante que alguém que domine o tema, mas que não trabalhe diretamente com o autor, leia o texto. Essa pessoa poderá fazer críticas e sugestões importantes para o aprimoramento do trabalho", disse. No entender de Shellis, atualmente os pesquisadores que atuam foram dos países centrais estão tendo maior oportunidade de publicar nas melhores revistas científicas do mundo.

Os cientistas da FOP, lembra a professora Cinthia, comprovam isso. Entretanto, Shellis lembrou que, no caso dos pesquisadores brasileiros, eles também têm a oportunidade de publicar seus artigos em periódicos nacionais que estejam indexados internacionalmente. Isso também fará com que os resultados possam ser acessados pela comunidade científica em âmbito global. Segundo ele, em razão da crescente demanda por publicações científicas, as revistas têm sido mais criteriosas na análise dos trabalhos, daí a necessidade de buscar sempre a qualidade.

Em relação à erosão dental, terma da sua palestra desta quinta-feira, o docente da University of Bristol afirmou que alguns estudos têm apontado que a prevalência do problema tem crescido entre crianças e adolescentes. Alguns fatores, conforme Shellis, contribuem para o seu surgimento, como o ácido estomacal, gerado por refluxo, por exemplo, ou o consumo de bebidas ácidas como refrigerantes e sucos de frutas, estes em alguns casos. "Existem algumas pesquisas que avaliam quais bebidas são potencialmente erosivas, mas penso que ainda é preciso estudar essa questão mais a fundo".

Shellis considerou que a adição de cálcio em determinadas concentrações em bebidas pode contribuir para reduzir a erosão dental. O flúor, acrescentou o especialista, também é muito efetivo para evitar a cárie. "O uso de creme dental com esse tipo de substância é importante e deve ser adotado pela população", recomendou. Segundo a professora Cinthia, a vinda de Shellis faz parte de um ciclo de palestras promovidas pelo Programa de Pós-Graduação em Odontologia da FOP, que tem a nota máxima (sete) conferida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação.

Segundo ela, "são ações como esta que ajudam a manter o nosso nível de excelência". O próximo convidado será o diretor cientifico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e ex-reitor da Unicamp, Carlos Henrique de Brito Cruz. No dia 5 de maio, ele apresentará uma conferência abordando os aspectos relacionados ao desenvolvimento da pesquisa científica no Brasil.