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Olhar Direto

Para pesquisador, cientistas estrangeiros têm medo de vir ao Brasil

Publicado em 14 setembro 2010

O Brasil é dono da maior biodiversidade do mundo, com enorme potencial para o desenvolvimento de remédios, cosméticos e outra tecnologias baseadas em produtos naturais.

O químico William Fenical, da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), nos Estados Unidos, diz que mesmo com todas essas qualidades, o país nunca conseguirá tirar proveito desse potencial se não controlar seu medo da biopirataria e se abrir para parcerias com cientistas e empresas internacionais, que possuem a infraestrutura e os recursos necessários para fazer esse tipo de desenvolvimento.

- Desenvolver uma droga consome pelo menos dez anos de pesquisa e US$ 1 bilhão. E, ainda assim, só uma em cada dez candidatas chega de fato ao mercado. Quem é que vai fazer esse investimento no Brasil?

O químico esteve no país na semana passada para um evento sobre biodiversidade marinha do programa Biota, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Sem uma indústria farmacêutica de grande porte, e com o trabalho de pesquisa dificultado por uma série de amarras regulatórias e incertezas jurídicas, o Brasil não tem como desenvolver produtos naturais de alta tecnologia sozinho. Por isso a necessidade de parcerias internacionais, argumenta Fenical.

O problema é que, segundo ele, cientistas e empresas estrangeiras têm medo de vir ao Brasil.

- A impressão é de que o Brasil é um país fechado, controlado pelos militares e pelos burocratas; que tudo é proibido, e que sempre vai ter alguém acusando-o de ser um biopirata. Por isso ninguém quer vir fazer pesquisa com biodiversidade aqui, apesar do enorme potencial.