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Guia do Estudante - Pós-Graduação

Para não entrar no vermelho

Publicado em 01 novembro 2006

Os preços dos cursos de pós-graduação variam muito. Depende da região do país em que são oferecidos, do quadro de professores, da quantidade de alunos por turma e, principalmente, do prestígio da instituição educacional. Mas, independentemente de tudo isso, fazer uma pós sempre envolve valores que mexem muito no bolso. Ainda que seja um mestrado ou doutorado gratuito, há gastos com livros, viagens, refeições, e, muitas vezes, exige-se tamanha dedicação que fica inviável trabalhar.

Bancando a Pós
Para que o período da pós não seja marcado por um caos financeiro, todo planejamento é necessário. "A primeira coisa a fazer é saber detalhadamente o motivo de colocar tanto dinheiro em um projeto", adverte Fabio Gano, professor de finanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Gerulio Vargas (FGV-Eaesp) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC SP). "O segundo passo é mapear,os Pro gramas que se enquadram em suas necessidades e, aí sim, começar a avaliar os preços e a procurar formas de dar conta dos gastos, sem ficar meses ou anos enforcado." Esse planejamento faz todo o senti do ao conhecer os preços de algumas pós- graduações. Um lato sensu na PIJC-SP pode algo em tomo de 16 mil reais e um mestrado profissional na FGV Eaesp, 50 mil. Já um MBA em uma universidade norte-americana de ponta não sai por menos de 75 mil dólares.
O ideal é contar desde o início com um fundo de reserva Se a idéia é fazer a pós daqui a um ano, dá tempo de começar a fazer uma aplicação mensal. "Comece avaliando a própria capacidade de poupança e passe a guardar o dinheiro religiosamente, de preferência em um fundo que ofereça poucos riscos, como o de tenda fixa", avisa Gabo.

Negociar com a empresa
Há muitas organizações que bancam parte da pós-graduação dos funcionários. Esse auxílio cobre, em média, de 50% a 70% da mensalidade. Em algumas empresas, especialmente nas grandes, há uma política específica de capacitação dos funcionários. Em outras, é preciso negociar com o departamento de treinamento e recursos humanos. Nesse caso, é muito importante que a pessoa que está pleiteando o auxílio comprove a relevância que a pós terá em sua atividade profissional na companhia.
A administradora Nicole Strachman, 28 anos, analista de marketing da Kodak brasileira, aproveitou a oportunidade que tinha dentro da empresa e tratou de fazer sua pós-graduação. Inscreveu-se no programa de bolsa pa ra funcionários e, depois de um ano, conseguiu um financiamento de 50% para cursar a especialização em Pesquisa de Mercado, Mídia e Opinião, na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Dessa forma, a mensalidade do curso caiu para 460 reais, valor que coube em seu orçamento. "Sem o apoio financeiro da empresa, eu não teria condições de fazer o curso agora", conta.

Viver de bolsa
Instituições federais de apoio à pesquisa oferecem bolsa de estudos apenas a alunos de stricto sensu, ou seja, mestrados (acadêmicos ou profissionais), doutora dos e pós-doutorados. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) se encarregam de distribuir esse incentivo.
Os valores dessas bolsas são baixos, levando-se em conta o custo de vida nas grandes cidades brasileiras e a exigência de que o aluno se desvincule de qualquer atividade profissional, para assim ter condições de dedicar-se exclusivamente ao estudo. Pai-a ter uma idéia, a bolsa de doutorado oferecida pelo CNPq é de 1.267 reais mensais e a de mestrado, 855.
Outra via de acesso a bolsas são as fundações que apóia ha pesquisa, existentes em quase todos os estados brasileiros. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por exemplo, distribui bolsas de mestrado no valor de 1.164 reais e 1.236. Para o doutorado, o valor é de 1.716 e 2.124 reais. Mas a Fapesp permite ao bolsista trabalhar até oito horas semanais, pata complementar o orçamento, desde que haja o aval da fundação. "Quem se toma bolsista tem de aceitar uma vida espartana e viver fazendo conta, mas é um sacrifício que com pensa", opina Gallo.
O engenheiro químico Adriano Silvares, 31 anos, que foi bolsista da Capes durante o mestrado e o doutorado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), sabe bem o que é isso. Enquanto fez o mestrado, ele morava com os pais; no doutorado, já era casado e pagava aluguel. "Foi um período duríssimo, só as despesas com moradia consumiam praticamente tudo", recorda.
Silvares fez a bolsa-sanduíche, na USP e na Universidade de Karlstuhe, na Alemanha, com o programa Capes/ DAAD - Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico. Nesse tipo de programa, o aluno faz o curso no Brasil e elabora parte de sua tese no exterior. "Usamos a reserva de dinheiro da família, e minha mulher pagava várias despesas", recorda.
Além desses tipos de bolsa, existe ainda a restituível, concedida pela própria universidade, que funciona como um crédito educativo que, no fim do curso, deve ser devolvido à instituição.

Linhas de crédito
Quem não tem o dinheiro na mão pata bancar uma pós-graduação também pode recorrer às linhas de crédito oferecidas por bancos. A Caixa Econômica Federal lançou no início de maio uma modalidade de financiamento voltada especialmente para quem pretende fazer um curso lato ou stricto sensu, mas não tem condições financeiras.
Este programa de crédito da Caixa prevê o financiamento integral da pós, que pode chegar a 30 mil reais. A taxa de juros é de 2,35% ao mês, e o empréstimo pode ser quitado em até 36 meses. Para tem direito ao crédito é preciso apresentar comprovante de rendimento e matrícula em uma das 2.372 agências da Caixa espalhadas pelo Brasil.