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Para não dizer que não falei de rosas

Publicado em 15 agosto 2007

(ou: A descoberta da areia milionária do Maranhão)

Há coisas no Brasil que fazem o mais ácido dos críticos cair num ufanismo escrachado. Veja esta notícia divulgada pela Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), um dos mais prestigiosos órgãos científicos do país: "Uma composição mineral, encontrada em abundância na bacia do Rio Parnaíba, no Maranhão, poderá ser empregada para fixar nutrientes em plantas e ajudar pequenos e médios agricultores a aumentar a produtividade e reduzir custos".

Segundo a Agência Fapesp, trata-se de uma areia, ou melhor de uma "composição zeolítica", formada principalmente por quartzo, argila esmectita e zeólita sedimentar.

Enfim, o importante é que esse sedimento mineral zeolítico brasileiro tem as mesmas características dos materiais importados para a fabricação de fertilizantes, especialmente de Cuba e dos Estados Unidos. E estima-se que cerca de 40% dos custos da agroindústria brasileira estejam nos gastos com fertilizantes e nutrientes.

A agência científica informa que a composição foi analisada e aprimorada com a inclusão de fertilizantes e outros elementos químicos por pesquisadores do Centro de Tecnologia Mineral, da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E o trabalho gerou um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

Segundo um dos pesquisadores disse à Fapesp, Fernando de Souza Barros, professor emérito do Instituto de Física da UFRJ, "esse tipo de areia zeolítica sedimentar, encontrada em abundância na bacia do Rio Parnaíba, tem o mesmo efeito do material importado, mas, com um custo bem inferior. E, com o pedido de patente, começamos a desmistificar a necessidade de importação desse material nobre extraído de jazidas vulcânicas".

Souza Barros explica que "não é necessário fazer grandes buracos nem nenhum tipo de mineração sofisticada" para extrair a zeólita sedimentar no Maranhão: "Temos uma área extremamente abrangente com esse sedimento. Só na bacia do Parnaíba são mais de 300 mil os quilômetros quadrados". No chão!

Testes confirmaram a eficácia do sedimento no cultivo de rosas. Conduzidos por pesquisadores da Embrapa Solos junto a floricultores de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, os estudos de campo mostraram que as hastes das flores cresceram, em média, 20% a mais. "Nesse caso, chegamos ao extremo de não ter que fazer nenhum tratamento nas rosas. Simplesmente, essa areia zeolítica foi jogada com outros fertilizantes ao redor das mudas e as plantas conseguiram absorver mais nutrientes do solo".

Como disse Pero Vaz de Caminha? "Em se plantando, tudo dá!".