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Para LER e CONHECER: # A essência do ensino superior: ensino, pesquisa e extensão

Publicado em 27 agosto 2018

“O conhecimento não é de um grupo, é um bem público”.

(Botomé; Nogueira)

Olá pessoas queridas!

Daremos continuidade à temática universidades brasileiras. Hoje falaremos sobre a importância do ensino, pesquisa e extensão.

Boa Leitura!

Aideia de Universidade vem mudando ao longo do tempo: no passado, a universidade tinha cunho filosófico, pensamento crítico e envolvimento com a pesquisa. Esse entendimento estava associado à ideia de atender a sociedade. No contexto atual, está dissociado da ideia de atender o mercado.

Hoje, no Brasil, é compreendido pelas universidades que há um elo entre o ensino-pesquisa- extensão. É muito difícil desvincular esse tripé, visto que isso caracteriza o ensino superior. Através desses meios a universidade amplia a sua inserção social. A universidade leva o conhecimento através do ensino; a pesquisa só existe pela sociedade – em virtude de melhorar a sociedade; a extensão reduz as fronteiras por meio de atividades que envolvem a comunidade, descentralizando o conhecimento e levando-o ao maior número de pessoas possíveis.

Sobre o processo de aplicação da extensão nas universidades brasileiras, Fagundes (1985) afirma que a primeira instituição que iniciou o movimento extensionista foi a Universidade Livre de São Paulo, entre 1911 e 1917, por meio de conferências e semanas abertas, cujos temas eram voltados aos problemas sociais e políticos da época.

As práticas e conceitos de extensão foram sendo modificados ao longo do tempo. Para Botomé (1996), essas mudanças ocorreram principalmente sob influência das ideias de Paulo Freire, na época de criação da Coordenação de Atividades de Extensão (CODAE).

Diferentemente de países do primeiro mundo, no Brasil a pesquisa se faz essencialmente nas universidades e centros de pesquisa. Os docentes pesquisadores normalmente validam e testam ideias ou hipóteses, mas não é comum o desenvolvimento de produtos ou serviços. Ou seja, o cientista deveria encontrar muito mais espaço de trabalho nas empresas, e não buscar somente nas escolas espaços para seguir uma carreira profissional.

Para Ebert, o Brasil ainda adota uma postura passiva e prefere esperar a aquisição das tecnologias emergentes. Isto é, não desenvolve e paga por aquilo que outros países desenvolvem. Nossos cientistas estão entre os mais proeminentes, porém ainda sem o prestígio que lhes deveria ser dado. Outros seguem carreira no exterior, nas mais prestigiosas empresas e universidades. Enquanto isso, nadamos contra a maré, em total desvantagem na corrida do desenvolvimento.

Conforme (BRASIL, 2010) a maior parte dos pesquisadores brasileiros está nas instituições de Ensino Superior – 67,5% do total em 2010 –, enquanto nas empresas a proporção é de apenas 26,2%, bastante abaixo dos índices de Estados Unidos, Coreia, Japão, China, Alemanha, França e Rússia.

Para o documento Balanço das Atividades Estruturantes 2011 (MCTI), essa situação é uma das causas da dissociação entre o avanço científico e a incorporação da inovação tecnológica à base produtiva, especialmente na indústria do Brasil.

De acordo com o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, uma pesquisa feita em 2008 com todos os doutores brasileiros formados entre 1996 e 2006 revelou que quase 80 mil deles estavam no Brasil, 97% empregados. Desse total, 80% atuavam no setor educacional. Outros 11% estavam na administração pública e menos de 5% nas empresas. Nos Estados Unidos, a proporção de doutores na indústria chega a 40%.

Exigências para professores das universidades públicas do Brasil, como a dedicação exclusiva ou em tempo integral, foram consideradas como entraves à parceria com empresas e à participação desses pesquisadores em projetos inovadores fora do ambiente das universidades. Além disso, a excessiva regulamentação, a falta de autonomia das universidades para firmar parcerias com a indústria e dispor do tempo dos professores e dos recursos completam o cenário inóspito para a pesquisa traçado pelos participantes do seminário.

Glaucius Oliva cita o exemplo norte-americano: “O professor universitário nos Estados Unidos pode abrir uma empresa no seu departamento, sem que esteja violando a legislação do tempo integral e educação exclusiva. No Brasil não pode. Se abrir uma empresa, pode ser processado, porque está violando o tempo integral e você é um funcionário público”. “Nos Estados Unidos, um projeto entre uma empresa e uma universidade não passa pelo governo. Tem que ser feito dentro das linhas oficiais, mas não existe controle governamental sobre o que a indústria pode ou não fazer com a universidade.

Ebert explica que no Brasil, algumas agências de fomento à pesquisa atuam de forma expressiva. Normalmente, essas autarquias provêm recursos para que os pesquisadores, seja na indústria, ou ainda nas universidades, possam dar continuidade a suas pesquisas. Normalmente, a cada ano, os editais são lançados, e os cientistas precisam disputar parte dos recursos disponibilizados pelo governo federal. É o caso do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), que todos os anos disponibiliza recursos para diversas modalidades de pesquisa, seja para acadêmicos ou pesquisadores seniores.

O grande problema ainda é a dependência dos recursos públicos. Para o citado autor, se houvesse maior integração entre os setores público e privado, as chances de caminharmos a passos mais largos seria maior. A dependência de aporte de recursos financeiros somente dos recursos públicos diminuiria e o desenvolvimento de produtos e processos pensados à necessidade das empresas alcançaria patamares expressivos.

Fora o CNPQ, outras instituições financiam projetos. Não somente públicas, obviamente. Nos dias atuais é mais comum termos convênio entre empresas e universidades, para a prestação de serviços ou desenvolvimento de projetos com alguma necessidade específica, mas ainda longe do ideal.

Fundações sem fins lucrativos e de diversas naturezas oportunizam a pesquisadores premiações distintas ou ainda valores significativos na busca de incentivar a pesquisa nos campos experimental e teórico.

Outras autarquias públicas são as Fundações de Amparo à Pesquisa Estaduais (FAPESC, FAPESP etc.), ou ainda, a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Bolsas de pesquisa também são mais comuns entre professores-pesquisadores, e se comprovadas experiências na sua produtividade científica, recebem recursos para continuidade da pesquisa.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) também auxilia professores do Ensino Superior a realizarem seus trabalhos, seja com aporte de insumos financeiros e/ou bolsas para mestrado e doutorado. Em alguns casos essas bolsas levam o cientista para outros países, a fim de compartilhar experiências e fomentar o intercâmbio e desenvolvimento de uma área específica desses países.

Nota-se que apesar de haver certo desenvolvimento quanto à produção científica no Brasil, isto é, publicação de artigos em revistas científicas, é necessário que ocorra muitas mudanças nesse cenário, e uma delas é a valorização das ideias originadas em nosso país.

O Brasil precisa perceber a necessidade de investir cada vez mais em pesquisa e desenvolvimento, e também, não depender única e exclusivamente de tecnologias importadas a um custo bem alto.

Em suma, acredita-se que para que as instituições de ensino superior brasileiras desempenhem seu papel de modo mais eficiente, é preciso que elas ofertem as premissas básicas de ensino superior, pautadas no ensino, pesquisa e extensão, visando desenvolver além de profissionais, pesquisadores, visto que através de pesquisa obtém-se a ampliação de conhecimento, e assim, o desenvolvimento do país.

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Abraço,

Jeiane Costa.

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