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Para diretor científico da Fapesp, apoio em inovação no estado de São Paulo é diferente do resto do Brasil

Publicado em 21 outubro 2013

O diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, foi um dos debatedores do seminário “São Paulo: Cidade Inovação”, realizado nesta segunda-feira (21/10), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O painel contou com representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), da Agência Brasileira de Inovação (Finep) e da Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP).

Em uma breve apresentação, Brito Cruz apresentou formas de incentivo e a atuação das agências e das fontes financiadoras disponíveis a empresários.

Ele destacou que o trabalho de apoio à pesquisa em São Paulo, tanto na capital como no Estado, é completamente diferente de práticas verificadas nos outras unidades da federação.

“Aqui no Estado de São Paulo, mais da metade do dispêndio de pesquisa é feito por empresas. No Brasil, essa participação é de 35%, mas no Estado de São Paulo é de 65%, sendo que maior parte das nossas pesquisas são realizadas em centros próprios, sem depender de instituições estrangeiras.”

Outra característica paulista é o destino de impostos estaduais para inovação, em relação aos federais. “No estado de São Paulo essa participação de recursos estaduais é 10 vezes mais do que a do Rio de Janeiro [2º no ranking]”, apontou Brito Cruz.

Há quem diga que, no Brasil, há pouca interação entre universidades e empresas. Mas, para o diretor científico da Fapesp, essa “verdade” não se aplica ao estado de São Paulo. Brito Cruz citou a participação de três universidades paulistas, ao lado de 25 universidades norte-americanas, em um levantamento sobre intensidade de participação conjunta entre empresas e universidade.

Ele ressaltou, ainda, que a Fapesp é uma fundação publica financiada pelo contribuinte e que aplica recursos projeto de pesquisas e inovação tanto nas universidades como nas pequenas empresas de todo o estado e, principalmente, na capital paulista. “Do 1 bilhão de reais aplicados pela Fundação no estado de São Paulo no último ano, praticamente a metade foi aplicado à cidade de São Paulo.”

Financiamentos à pesquisa

Ana Paula Bernardino Paschoini destacou que apoiar o investimento em inovação é uma prática antiga BNDES. Segundo a executiva, o BNDES entende que o conceito de inovação pode ser amplo e, por isso, são oferecidos produtos adequados às várias realidades. “Para uma pequena empresa, inovação pode ser a aquisição de uma máquina, mas, para outras, pode ser a instalação de um laboratório tecnológico.”

Entre os exemplos de linhas de financiamento, ela destacou a Finame, com taxa anual de 3%, específica para empresas que queiram incorporar tecnologias e adquirir equipamentos; o Cartão BNDES, que oferece acesso ao crédito às micro e pequenas empresas; o BNDES Automático, que, em parceria com outras instituições, tem foco em projetos como desenvolvimento de prototipagem, design, entre outros; e o BNDES Funtec, fundo não reembolsável que exige a participação de uma instituição de pesquisa. Este último, disponibilizado por meio de chamadas periódicas, é disponível para setores considerados prioritários pelo governo, como os veículos híbridos.

A representante do BNDES relembrou os requisitos para todas as linhas é que a empresa esteja quite com as obrigações legais, ambientais e fiscais e que, portanto, não pode ser uma empresa em processo de recuperação fiscal.

Igor Bueno, chefe do departamento de Fármacos e Biotecnologia da Finep, falou das linhas de atuação da instituição do governo federal e das modalidades de apoio oferecido, que permeiam todo o ciclo que compõe o tripé Ciência, Tecnologia e Inovação.

Bueno ressaltou que, em virtude de o país viver períodos de instabilidade econômica, uma das principais preocupações é ampliar produtividade. Para ele, a saída para esse ganho de produtividade, e consequente incremento em competitividade, não pode ser outra que não seja atuar em inovação. “O principal objetivo da Finep é transformar o Brasil por meio da inovação”, ressaltou o executivo.

O diretor da Desenvolve SP, Julio Themes Neto, falou sobre os objetivos e atuação da agência paulista e apresentou um panorama sobre as principais iniciativas a disposição das indústrias paulistas.

Moderador do painel, o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, Robert William Velasquez Salvador, relembrou que durante todo o dia estiveram disponíveis na frente de prédio da Fiesp veículos demonstrando produtos e inovações das entidades parcerias.

Site de inovação industrial

No final do painel, foi apresentado o site Inovação Industrial, desenvolvido pela Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

O novo canal de comunicação disponibiliza informações relevantes aos empresários que pretendem ampliar sua competitividade por meio da inovação, como linhas de financiamentos disponíveis e um sistema que permite as empresas realizarem sua autoavaliação no quesito inovação.

O site pode ser acessado no endereço: www.fiesp.com.br/inovacao-industrial