Notícia

Diarioweb (São José do Rio Preto)

Para desatar o nó da inovação

Publicado em 20 outubro 2011

Por João Fernando Gomes de Oliveira

Inovação é a palavra que nos últimos anos entrou para o vocabulário de muitos brasileiros. Está em campanhas publicitárias, em reuniões, no dia a dia dos empresários. Hoje, qualquer empresa que queira sobreviver sabe sobre a importância de inovar. Não inovar significa ficar vulnerável à concorrência mais criativa e correr o risco de perder competitividade. Por outro lado, muitas das grandes oportunidades de recursos financeiros para fomento à inovação exigem cooperação entre empresas e instituições públicas de pesquisa. Esse panorama cria perspectiva de um modelo de inovação para o Brasil que explore o potencial da Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) pública de forma diferenciada, como na Alemanha, por exemplo, onde há forte conexão entre academia e empresa nos setores intensos de tecnologia. Assim, surge a necessidade de um sistema público de suporte à inovação altamente eficiente, com boa velocidade de resposta. O momento é único na área de pesquisa e tecnologia para o Brasil. É a chance de desatar um nó que impede avanço mais célere da competitividade da indústria. Os institutos de pesquisa, em todo o Brasil, podem colaborar, ganhando nova configuração, alavancando o avanço na agregação de valor a produtos. Muito do que se cria não chega ao dia a dia dos brasileiros devido à falta de ligação entre universidades e empresas. Estudiosos inventam, mas as empresas não têm dado vazão às novidades. O vácuo está nas provas em escala industrial de novas tecnologias, em testes práticos de produtos e processos para validar sua realização no mercado. Poucos podem realizar eficientemente essas tarefas.

Em diversos países essa articulação cabe a institutos tecnológicos e é subvencionada pelo Estado. Universidades e empresas têm domínios distintos. Na universidade o trabalho tem origem livre, é colaborativo, de amplo espectro temático, publicável e de longo prazo, mas na empresa é competitivo, secreto e precisa de rápido resultado. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) assumiu recentemente o dever de se posicionar ainda mais como um catalisador de inovação, um articulador entre academia e setor empresarial, uma alternativa para todo o país. O governo do Estado de São Paulo, ao qual o IPT é ligado, via Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, dá um bom exemplo ao investir fortemente em suas capacitações e infraestrutura. Sob articulação do IPT estão sendo contratados acordos entre governo do Estado, BNDES, empresas, Fapesp, Finep e universidades como USP, ITA, Unesp e Unicamp, para testar novas tecnologias voltadas à produção sustentável de energia, estruturas mais leves com novos materiais e novos produtos para a indústria, ou até avaliar sistemas de apoio à produção de petróleo do pré-sal. O governo federal também acerta ao buscar esse modelo aglutinador com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), com metodologia que envolve contrato de gestão e dá flexibilidade para operação dos institutos. Resta acreditar que o Brasil prossiga na busca de trabalho conjunto entre universidades, institutos de pesquisas e empresas, para que se atinja um avanço com mais velocidade no cenário mundial de inovações.

JOÃO FERNANDO GOMES DE OLIVEIRA
Graduado e doutorado em engenharia mecânica pela USP e pós-doutorado pela University of California - Berkeley. Diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo