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Revista H&C - Household & Cosméticos online

Para cientista, podemos ser bem mais inovadores

Publicado em 05 abril 2017

Um workshop realizado no Instituto de Química de Araraquara (SP), nos dias 9 e 10 de março, deu início aos trabalhos de dois Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) sediados na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Os novos institutos, que deverão atuar pelos próximos seis anos, são o INCT-Datrem e o INCT-Bionat (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biodiversidade e Produtos Naturais). As iniciativas contam com apoio financeiro da Fapesp e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O INCT-Bionat tem como objetivo entender melhor o que sua coordenadora, Vanderlan Bolzani, classifica como uma “fábrica de moléculas fantástica”: os organismos da biodiversidade brasileira. Entretanto, a cientista destaca que, apesar do enorme potencial da biodiversidade brasileira, e dos exemplos de empresas em diversos países com produtos de alto valor agregado baseados em espécies nativas na área farmacêutica ou de cosméticos, “infelizmente ainda não temos, no Brasil, exemplos de inovação radical”.

Bolzani espera que o novo INCT ajude a mudar esse quadro, tanto pelo esforço de obter mais conhecimento científico relevante, quanto pelo objetivo de sistematizar o que já se sabe sobre o potencial da biodiversidade brasileira. “Percebemos que, apesar da enorme diversidade de espécies no Brasil, os pesquisadores que trabalham com química de produtos naturais acabam muitas vezes estudando sempre as mesmas plantas”, disse. Por isso, segundo ela, a ideia é criar uma grande base de dados reunindo as dezenas de milhares de estudos já publicados sobre o tema e, de preferência, disponibilizá-la aos interessados por meio da internet. Um dos destaques do INCT-Bionat será o estudo de moléculas obtidas a partir de plantas medicinais do Nordeste, conduzido pelo vice-coordenador do instituto, Edilberto Rocha Silveira, da Universidade Federal do Ceará. “Não podemos revelar ainda exatamente quais são as plantas, justamente por causa do potencial comercial”, diz Bolzani.

(Com informações da Agência Fapesp)