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Papel sintético feito de plástico reciclado é novidade

Publicado em 11 fevereiro 2009

Em breve, os setores gráfico e de embalagem poderão contar com mais uma inovação. O já conhecido papel sintético ganha mais um atributo de sustentabilidade e passa a ser produzido com plásticos reciclados.

O produto utiliza a tecnologia dos filmes de polipropileno biorientado (BOPP) - filmes plásticos que são usados em rótulos, embalagens de biscoitos, salgadinhos, pet food, na indústria gráfica, entre outras aplicações - porém contendo diferentes tipos de polímeros em sua composição. O resultado é um material resistente, com aspecto diferenciado, similar ao do papel "couché".

O grande diferencial da inovação é que não há no mundo outra tecnologia desenvolvida para usar diferentes plásticos reciclados - como o PP, PE, PVC, EVA - na composição do papel sintético. Vindo de garrafas descartadas, embalagens, frascos plásticos usados, entre outros, o material resulta em uma mistura homogênea, perfeita para a produção do filme. Graças a esse diferencial no desenvolvimento, o produto conquistou uma patente, depositada em nome dos três parceiros envolvidos: Vitopel, UFSCar e FAPESP.

O projeto, que levou cerca de três anos para ser desenvolvido, é fruto dos esforços da Vitopel e do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal de São Carlos (DEMa - UFSCar). A Vitopel e a maior companhia latino-americana, e terceira no mundo, na produção de filmes flexíveis biorientados. Os pesquisadores da universidade desenvolveram as formulações contendo material plástico descartado pós-consumo. Além do fornecimento da matéria-prima para o desenvolvimento, a Vitopel aprimorou as formulações originais e agregou a tecnologia para o desenvolvimento de filmes multicamadas, com tratamento que oferece ao produto final características como uma espessura mais fina, e ao mesmo tempo mais resistente, capaz de proporcionar barreiras à umidade, odores, etc. A parceria conta ainda com aporte da FAPESP.

A Vitopel já desenvolve filmes plásticos para papel sintético utilizando somente matérias-primas virgens. "A novidade neste caso foi a utilização de material reciclado vindo de coleta de plástico pós-consumo descartado, incluindo outros polímeros, visto que não é viável a total separação de cada tipo no processo de coleta seletiva", afirmou o diretor industrial da Vitopel, Sérgio Fernandes.

O produto já foi desenvolvido visando mercado. A empresa tem a intenção de lançar o novo papel sintético comercialmente, assim que algumas etapas sejam cumpridas, incluindo a criação de uma cadeia de fornecimento da matéria-prima (o plástico descartado). A Vitopel já tem os potenciais fornecedores: são algumas cooperativas de reciclagem com as quais a companhia mantém relacionamento. A inovação atenderá ainda os segmentos de gráfica, de rótulos e etiquetas, de publicidade (banners e outdoors), entre outros.

Os testes foram realizados no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Vitopel, o único da América Latina dotado de uma linha piloto para testes em escala semi-industrial, localizado na unidade da companhia, em Votorantim, SP. A fabricação desta linha poderá acontecer, tanto em Votorantim, quanto nas outras unidades da Vitopel - em Mauá (SP) ou Totoral (Argentina).

A Vitopel investe anualmente cerca de US$ 2 milhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) "e detém outras patentes de produtos criados para diversos mercados, como o de embalagem entre outros" lembra o presidente da Vitopel, José Ricardo Roriz Coelho. A companhia produz anualmente 150 mil toneladas de filmes flexíveis de BOPP e prevê investimentos de US$ 55 milhões até 2010 na ampliação da produção.