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Pantanal mato-grossense vai “evaporar” em 2100

Publicado em 08 abril 2016

Atualmente, nos dias mais quentes do verão, a temperatura no pantanal passa fácil dos 40° centígrados. Em 2100, a região considerada a maior planície alagada do mundo, corre o risco de ter as suas temperaturas médias anuais elevadas em até 7ºC, o que implicaria numa redução sensível no regime de chuvas da região, principalmente no inverno. Deficiência hídrica que afetaria a biodiversidade e a população.

 

Essas projeções foram estimadas a partir da aplicação ao pantanal dos modelos climáticos globais do 5º Relatório de Avaliação (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2014. O trabalho “Climate Change Scenarios in the Pantanal”, publicado no livro Dynamic of the Pantanal Wetland in South América, é de autoria da equipe do hidrologista e meteorologista José Antonio Marengo Orsini, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em Cachoeira Paulista (SP).

 

O estudo apontou que a associação entre temperaturas mais elevadas e menos chuva implicará um aumento da evaporação no pantanal. Dependendo da temperatura, volumes consideráveis de água represada poderão desaparecer, o que reduzirá a área total alagada e a quantidade de água nas porções de terra que permanecerão alagadas.

 

E, embora haja muita incerteza com relação às projeções pluviométricas, os modelos sugerem que, durante o inverno no hemisfério Sul, o Pantanal poderá experimentar uma redução na quantidade de chuva de 30% a 40%. Hoje, caem nele anualmente entre 1.000 e 1.250 milímetros de chuva.

 

O pantanal tem uma área de 140 mil km², 80% da qual fica no Brasil, nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e, não fosse o enorme fluxo anual de água para a região, o bioma seria tão seco quanto a caatinga nordestina. “Se atualmente, nos dias mais quentes do verão, a temperatura no pantanal passa fácil dos 40 °C, estamos falando em temperaturas máximas em torno ou superiores aos 50 °C. É temperatura de deserto”, pontuou.

 

As consequências para a fauna e a flora poderão ser severas. Espécies vegetais pouco adaptáveis a um grau de umidade inferior ao atual poderão desaparecer ou migrar para outras regiões. Em seu lugar, germinariam outras espécies, que preferem climas mais secos.

 

“A alteração na vegetação implicaria diretamente as populações de invertebrados e de vertebrados herbívoros, como capivaras, antas que delas dependem, mas também o gado das fazendas , numa reação em cadeia que afetaria todos os nichos da cadeia alimentar, até atingir os predadores de topo, como os felinos, os jacarés e as aves de rapina”, revela.

 

O trabalho tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas.

Agência da Notícia com DIÀRIO DE CUIABÁ

(Com Assessoria)