Notícia

CREA-RS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio Grande do Sul)

Panorama do ensino de Agronomia em pauta em Ijuí

Publicado em 01 outubro 2018

Apaixonada pela profissão, a Eng. Agr. Dra. Gisele Herbst Vazquez, que faz parte da Comissão Temática do Congresso Técnico e Científico da Engenharia e da Agronomia 2018 (Contecc) e é ex-conselheira-adjunta da Câmara de Agronomia do CREA-SP, apresentou um amplo panorama da situação atual do Ensino Superior no Brasil, mas lamentou o fato de a sociedade não reconhecer o trabalho da primeira profissão regulamentada, a Agronomia. “Até mesmo entre os alunos”, aponta. Mas, dee acordo com ela, ao longo dos anos, houve um aumento expressivo na oferta de vagas e de cursos do Grupo Agronomia no Brasil.

Começou a sua apresentação mostrando dados que representam a importância do investimento em pesquisa ao ampliar a produtividade da agricultura paulista, por exemplo, gerando retorno econômico para a população. “Retorno para cada R$ 1,00 aplicado na agropecuária paulista em pesquisa e formação de recursos humanos: em extensão rural, R$ 11,00; instituições de pesquisa, R$ 20,00; Fapesp, R$ 27,00; Educação Superior, R$ 30,00”, esclareceu.

Apresentou ainda dados que apontam o aumento no número de alunos. Em 2014, havia 6,498 milhões matriculados, sendo 4,676 milhões nas IES privadas e 1,822 milhão nas IES públicas. Em 2015, a pesquisa aponta 8,03 milhões de alunos matriculados, sendo: 6,08 milhões nas IES privadas e 1,95 milhão nas IES públicas.

Também em 2015, dos 33.501 cursos de graduação, os de Engenharia ficam em terceiro lugar, depois de Ciências Sociais, Negócios, Direito, em primeiro, e Educação em segundo.

Referente ao número de vagas em cursos de graduação por modalidade de ensino, pesquisa apresentada pela Eng. Gizele mostram: do total de 5.749.175, cursos presenciais, 5.035.483 são oferecidos pelas instituições privadas; enquanto as públicas destinam 713.692. As vagas em ensino a distância não são muito diferentes: dos 2.782.480 vagas oferecidos, 2.731.556 são disponibilizados pela instituição privada e 50.924, pelas universidades públicas.

A professora Gizele defende que o Sistema Confea/Crea participe mais das discussões sobre os Ensino a Distância. “Já é uma realidade. O Ensino a Distância já representa 26% da educação superior do país. E vai crescer mais. Estudo realizado pela Sagah, empresa desenvolvedora de conteúdo e tecnologia EaD, prevê que, em 2023, o ensino superior a distância já corresponderá a 51% do mercado. No ensino a distância hoje predomina a licenciatura”, apontou.

Para ela, no entanto, os alunos brasileiros de Agronomia não estão preparados para o Ensino a Distância. “O grande problema é a falta de base do aluno ingressante, que já vem da pouca formação no Ensino Médio. Precisamos discutir a qualificação destes cursos, tanto no nível de qualificação dos docentes na área da Agronomia, quanto para quem se forma. O desafio é como utilizar a tecnologia para contribuir com o ensino e formação de um profissional que tenha capacitação técnica para o mercado”, avaliou.

Lamentou ainda o fato de o Brasil estar entre os países com menor porcentual de graduados nas áreas de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na sigla em inglês), segundo o relatório da OCDE, publicado no dia 11 de setembro deste ano.

Segundo dados atualizados do Ministério da Educação (MEC), obtidos junto ao Sistema e-MEC (2018), apontaram que as Instituições de Ensino Superior (IES) oferecem 366 cursos de Agronomia e 95 cursos de Engenharia Agronômica, em um total de 461: presencial, 438; a distância, 23, sendo 14 como solicitações provisórias. “Há 88 cursos da Região Sul registrados no MEC e 105 na Região Sudeste”, detalha.

Discorreu ainda sobre as provas do Enade e a pontuação dos cursos de Agronomia, informando que os cursos da Região Sul receberam nota 5.

Depois de falar sobre atribuições e da importância do Sistema Confea/Crea neste processo, a Eng. Gizele sugeriu o Manifesto em Defesa da Qualidade da Formação Profissional na Modalidade Agronomia com 10 sugestões para o Confea, como a que o Sistema Confea/Crea possa oferecer subsídios à decisão do Ministério da Educação quanto à avaliação de seus cursos em caráter decisivo e não opinativo, como prevê o artigo 29 do Decreto 8.754, de 10 de maio de 2016 e Exame de proficiência para a profissão.

A ideia é que os coordenadores analisem o documento e a possibilidade de novas propostas.

Finalizou, dizendo que não não existem receitas. "Cada escola, no processo democrático de escolha dos objetivos, valores e perfis de formação, terá de gerar sua própria estrutura curricular. Mesmo porque não adianta montar belas planilhas e listas de competências e objetivos se o conjunto de professores não estiver comprometido com as mudanças desejadas e disposto a enfrentar o trabalho decorrente."