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Pandemia muda paisagem das cidades e incita reflexões sobre poluição e mobilidade

Publicado em 28 abril 2020

Com o esvaziamento das ruas das cidades em plena pandemia de Covid-19, as cidades brasileiras ganharam nova feição nas últimas semanas e com ela surgem novas reflexões acerca do modo de viver e produzir. Dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mostram redução de 50% de monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio durante a quarentena na capital paulista. A repentina mudança imprimiu à paisagem algo que os paulistanos pouco enxergam: céu azul e límpido, que confere, ainda, um belo pôr do sol no fim de tarde.

Menos carros nas ruas também resultam na diminuição de ruídos e acidentes. Pesquisadores da Bélgica indicaram que o isolamento social vem reduzindo os tremores sísmicos provocados pela circulação de pessoas e veículos na crosta terrestre entre 30% e 50%. Além dos benefícios para a saúde humana de cidades mais silenciosas, os sismólogos estão conseguindo detectar pequenos terremotos até então imperceptíveis. No Brasil, a Polícia Rodoviária Federal reportou redução de 28% no número de acidentes em rodovias federais, de 30% nos feridos e 7% das mortes.

Para o diretor de Políticas Públicas e Relações Institucionais da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), o arquiteto e urbanista Patryck Carvalho, as mudanças na emissão de gases poluentes são provas de que se deve repensar o transporte motorizado individual. “É um modelo perverso, do ponto de vista econômico, social e ambiental porque exige muito investimento público para funcionar e, em regra, transporta uma ou duas pessoas. Precisa ser colocado em xeque”, sugere. Para ele, essa é uma lição de que o investimento público deve ter foco no transporte coletivo urbano de qualidade como solução para mobilidade urbana.

De forma geral, segundo Carvalho, a pandemia é uma forma de enxergar o quanto as cidades brasileiras são excludentes. “As medidas sanitárias para diminuir o contágio e a disseminação da COVID-19, como ficar em casa e a higiene adequada, das mãos principalmente, são inacessíveis para milhões de cidadãos ou quase impossíveis de cumprir para uma grande parte da população brasileira. Os moradores das periferias, dos assentamentos informais, das favelas, dos cortiços, têm residências muito precárias, com alta densidade ocupacional, deficiências de ventilação e iluminação, com fornecimento intermitente de água potável, muitas vezes sem coleta e tratamento de esgoto e recolhimento de lixo. Como garantir o isolamento em residências de um ou dois cômodos? As entidades de Arquitetura e Urbanismo vêm apontando há muito tempo que é preciso intervir nas diversas formas da segregação urbana, acesso à habitação adequada, com água potável e esgotamento sanitário; espaços coletivos de lazer, equipamentos públicos e comunitários”, diz, ressaltando o fato de que, nas últimas semanas, o perfil das mortes ocasionadas pela Covid-19 está mudando.

Agora, a letalidade nas periferias de São Paulo, por exemplo, é maior devido a uma série de fatores que contribui para esse cenário, como a falta de saneamento básico e a ausência de assistência técnica profissional na construção das casas dessas regiões. “Não basta eu ficar quieto na minha casa, com os meus privilégios de classe se, para os serviços essenciais funcionarem,os trabalhadores, muitos deles moradores das periferias, precisam chegar nos mercados, padarias, hospitais, postos de saúde. É preciso se perguntar: quem está mantendo a cidade limpa? Quem está abastecendo o supermercado ou fazendo os pães? Quais as condições de vida, de transporte dessas pessoas? E não somente nesse momento em que a as preocupações coletivas estão minimamente afloradas. É importante que a cidade inteira seja saudável o tempo todo. É urgente e indispensável que o Estado brasileiro invista na melhoria da qualidade de vida das cidades, de forma articulada entre os três níveis de governo. Grandes aprendizados deveriam ficar para o depois dessa pandemia: o homem é animal coletivo e as cidades são a maior expressão disso. Se não forem boas para todos, não serão para ninguém. As cidades fazem parte do meio ambiente desse planeta e não podem continuar funcionando como se houvesse um planeta reserva. Enquanto a concentração de riquezas nas mãos de muito poucos for a regra do desenvolvimento capitalista, nós não teremos os recursos financeiros necessários para implementar as mudanças que precisamos”, afirma o arquiteto e urbanista. Todas essas questões, porém, não são novidades para quem há muito discute a agenda urbana, ressalta Carvalho, mas se mostram em caráter de urgência durante essa época atípica.

Do mesmo modo, conquistas já realizadas neste período, como a aprovação da renda básica emergencial, também já vinham sendo reivindicadas pelos movimentos sociais. Conforme pontua o diretor de Organização e Formação Sindical da FNA, o arquiteto e urbanista Danilo Matoso, é necessário que as organizações populares continuem se mobilizando e pressionando os poderes vigentes de forma cada vez mais frequente. “Espero que essa conquista mostre que esse auxilio tem que ser permanente”, afirma. Para Matoso, que também é coordenador do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Distrito Federal (ArquitetosDF), a pandemia mostra ainda que a habitação de qualidade é essencial para manter a população saudável. Por essa razão, para o diretor, é fundamental que durante a pandemia se invista em projetos que visem a Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (Athis). “O direito à moradia é parte de uma política de saúde pública. A melhor vacina hoje para conter o contágio também é feita pelos arquitetos e urbanistas, é a casa”, evidencia.

Essa opinião é reiterada pela secretária geral da FNA, Cárin D’Ornelas, que ressalta que o momento é ideal para uma reavaliação das cidades que precisam continuar existindo e crescendo com o fortalecimento de campanhas e ações políticas, econômicas e sociais. “Compromisso este, que os representantes do poder público devem exercer junto ao seu corpo técnico multidisciplinar. O objetivo deve ser a necessidade de termos um planejamento urbano que conviva com os deslocamentos dentro das cidades, as intempéries climáticas, as crises epidêmicas que atingem a população, e suas consequências devido à desordem urbana”, finaliza.

Com informações Exame e Fapesp

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