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Pandemia mobiliza a criação de redes de pesquisa

Publicado em 09 março 2021

Em busca de respostas à crise sanitária, social e econômica que se instalou no país com a chegada da pandemia de Covid-19, pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e instituições de ensino superior têm estabelecido, desde março de 2020, redes de trabalho para ampliar a interlocução com o poder público, contribuir na tomada de decisões e na formulação de políticas públicas. Pesquisa FAPESP mapeou ao menos 20 iniciativas nesse sentido, que envolvem desde análises do impacto do vírus Sars-CoV-2 entre populações vulneráveis até o desenvolvimento de metodologias que permitem rastrear e antecipar a dinâmica de disseminação de distintos vírus e que podem apoiar os gestores na elaboração de medidas de contenção.

“No último ano, observamos uma disseminação de grupos e associações que começaram a produzir análises e a buscar dados precisos sobre a pandemia, como forma de aumentar a transparência das informações fornecidas pelos governos”, afirma o sociólogo Glauco Arbix, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Exemplo desse movimento é a Rede de Pesquisa Solidária, criada por pesquisadores da área de humanidades da USP com a proposta de colaborar com o aperfeiçoamento das políticas públicas de combate à pandemia elaboradas pelos governos federal, estadual e municipal (ver “Caçadores de dados”, entrevista com Lorena Barberia, no site de Pesquisa FAPESP). A rede é apenas uma dentre as diversas iniciativas criadas por pesquisadores da USP para colaborar com o combate à pandemia. Hoje ela congrega mais de 100 especialistas, entre cientistas políticos, sociólogos, médicos, engenheiros, economistas e antropólogos. “Produzimos 26 notas técnicas, que foram divulgadas em boletins semanais distribuídos a mais de 10 mil pessoas”, observa Arbix.

Além de influenciar o debate público, a rede abriu canais de diálogo com formuladores de políticas, com a realização de reuniões com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo dos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul, e audiências com os governadores da Bahia e do Maranhão. “A Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul solicitou análises sobre testagem à rede, que a ajudaram a planejar medidas de contenção para os municípios”, informa. Além disso, o grupo organizou seminários internacionais – um deles contou com a presença dos secretários de governo de Buenos Aires, na Argentina, e de finanças de Bogotá, na Colômbia, e foi assistido virtualmente por mais de 3 mil pessoas.

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.