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Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

Pandemia da Covid-19 reduz procura por bolsas de pesquisa da Fapesp em 2020

Publicado em 09 agosto 2021

A pandemia da Covid-19 foi apontada pelo presidente da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), Marco Antonio Zago, como a principal causa de redução na procura de bolsas de pesquisa de graduação em 2020.

De acordo com dados apresentados nesta segunda-feira (9/8) à Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, o número caiu 29% -- de 7.107, em 2019, para 5.035, no ano passado.

Os auxílios (para pesquisas de doutores) também apresentaram queda: foram de 3.336 para 1.992 no período. Por outro lado, os recursos para pesquisa cresceram: foram de R$ 1,350 bilhão em 2019 para R$ 1,405 bilhão em 2020. Já neste ano, a fundação tem R$ 1,496 bilhão para serem investidos na concessão de bolsas de pesquisas e auxílios.

Segundo Zago, outra área afetada pela pandemia foi a duração das pesquisas. Dos 5.908 pedidos de alteração de extensão do período, a maioria deles foi para redução. "Curiosamente, os pedidos de redução do tempo da bolsa de estudos foram maioria, quando comparados com extensão. Desse total, 80% foram atendidos", afirmou o presidente.

Ele acredita que, com o avanço da vacinação e o combate aos efeitos da Covid-19, a previsão é de melhora na busca por recursos em pesquisas.

A Fapesp é uma das principais agências de fomento à pesquisa do país. Mesmo ligada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, é autônoma. Ela opera com 1% da receita tributária anual do Estado de São Paulo, garantido pela Constituição estadual. De acordo com o artigo 52-A da Carta, a prestação de contas da gestão e demonstrações de ações, programas e metas para a Alesp são obrigatórias.

Suas ações vão desde o fornecimento de bolsas de estudos para alunos da graduação e pós-graduação para áreas diversas do conhecimento e auxílios para pesquisadores com títulos de doutor, até o apoio a projetos com potencial de desenvolvimento de novas tecnologias e possíveis aplicações práticas.

Coronavírus

Embora as pesquisas tenham diminuído no período, o presidente disse que a Fapesp mostrou que a resposta à pandemia só foi possível na velocidade necessária por conta de investimentos anteriores no setor. Como exemplos, foram mencionados apoios a estudos, a startups, ao SUS; laboratórios capacitados em sequenciamento genético, compartilhamento internacional de dados, ensaios clínicos de vacinas, entre outros.

No ano passado, o total investido em pesquisas foi de R$ 978,3 milhões. A maior parte foi para pesquisas para o avanço do conhecimento (46%), seguido por formação de recursos humanos para ciência e tecnologia (23%), infraestrutura de pesquisa (13%), pesquisa em inovação (10%), pesquisa em temas estratégicos (7%), entre outros.

Os temas considerados estratégicos pela Fapesp são bioenergia e energias renováveis, biodiversidade: mapeamento, preservação e políticas públicas, mudanças climáticas globais, pesquisas na Amazônia e sustentabilidade, agricultura sustentável e economia verde.

Quando o assunto é a área de atuação, os gastos mais elevados se concentraram nas ciências da vida, em torno de R$ 440 milhões, ciências exatas, da terra e engenharias, R$ 365 milhões, interdisciplinares, R$ 99 milhões, e ciências humanas, sociais e artes, R$ 73 milhões.

"O balanço gasto em atividades é referente à demanda, e não uma escolha feita pela Fapesp. Também reflete o preço das pesquisas em cada uma das áreas, já que alguns projetos são mais baratos que outros, por não exigirem equipamentos caros e assim por diante", afirmou Marco Antonio Zago.

Comissão

Após o término da apresentação de gestão da Fapesp, o deputado Maurici (PT) questionou sobre a realidade dos bolsistas durante a pandemia e suas condições de estudos, e sobre o investimento em São Paulo ser condizente com a pujança do Estado.

O presidente Marco Antonio Zago respondeu que a relação com os bolsistas não é conflituosa e que as divergências foram suficientemente bem resolvidas. "Desde que surgiu a pandemia, toda a sociedade mudou e isso gerou um dano às universidades do mundo inteiro. Então, as pessoas talvez não se deram conta ainda sobre o impacto das nossas atividades", afirmou.

Já com relação ao investimento, disse que investir em ciência nunca é o bastante, mas que "São Paulo está muito a frente de todos os outros", completou.

Já o presidente da comissão, deputado Sergio Victor (Novo), perguntou sobre a possibilidade dos pesquisadores e empreendedores beneficiados contratar terceiros para as prestações de contas exigidas pela fundação, já que isso acaba tomando horas dos projetos.

Marco Antonio disse que não se tem informações concretas no momento, mas que "quem reclama de dificuldades habituais burocráticas sempre tem um pouco de razão, pois podemos melhorar", disse.

Além dos já citados, estiveram presentes na reunião virtual os deputados Castello Branco (PSL), Marcio da Farmácia (Pode), Marina Helou (Rede), Sebastião Santos (Republicanos), Dra. Damaris Moura (PSDB) e a suplente Professora Bebel (PT).