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Palestra aborda interdisciplinaridade no ensino superior

Publicado em 03 junho 2014

Por Sérgio Santa Rosa

No dia 29 de maio, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, Câmpus de Botucatu, recebeu a visita do professor Douglas Eduardo Zampieri, coordenador da Área de Pesquisa e Inovação e coordenador adjunto de Colaborações em Pesquisa da Fapesp, que falou sobre interdisciplinaridade na pesquisa e no ensino superior.

Eliana Curvelo, a assessora pedagógica da FMVZ, fez uma breve apresentação na abertura do evento, tratando dos conceitos básicos da interdisciplinaridade e a importância de sua aplicação. “É preciso haver uma coordenação das disciplinas, buscando uma estrutura mais profunda do conhecimento. Não podemos ignorar as transformações sociais que vêm acontecendo e as consequentes mudanças nos perfis profissionais”.

O professor Zampieri iniciou sua fala com uma apresentação do panorama dos projetos de inovação junto à Fapesp, destacando a atuação da Unesp nesse cenário. Ele também comentou alguns dos principais desafios para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. “89,5% das instituições de ensino superior são privadas. A pesquisa, portanto, se concentra em 10,5%, que são as instituições públicas”, explicou. “É importante sabermos que as mudanças tecnológicas resultam de embates e negociações entre partes interessadas, tais como, produtores, inventores, diferentes usuários e governo, ou seja, existe uma conceituação social envolvida e todos os atores da sociedade são importantes no processo”.

O professor mostrou exemplos da evolução de produtos de altíssima tecnologia desenvolvidos por instituições internacionais como a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada em Defesa (Darpa). Dentre os resultados de pesquisas interdisciplinares da Darpa, estão inovações como a internet e o GPS (Sistema de Posicionamento Global).

O professor também falou sobre problemas estruturais da educação, que vêm desde o ensino fundamental. “O pensamento abstrato de uma criança começa quando ela passa da aritmética para a matemática, lá no ensino fundamental. Entender a natureza é uma etapa que vem no ensino médio. E quando chegamos ao nosso aluno, ele não é capaz de entender que ele tem que agregar conhecimentos de várias áreas. Não é só estudar e passar na prova”.

Uma das sugestões do professor é que ao jovem seja dada oportunidade de aprender a partir do trabalho em problemas. “É preciso dar ao aluno questões que valham a pena ser resolvidas, que despertem a vontade de atuar”.

Sobre os contatos entre as universidades e o setor produtivo e possiblidade de transformar o conhecimento gerado na universidade em bens para a sociedade o professor afirmou. “O importante é formarmos alunos com espírito que seja, também, empreendedor. Para isso, precisamos de docentes que saibam os caminhos para transformar ideias em negócios”.

FMVZ/Botucatu