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Países buscam índice global

Publicado em 21 agosto 2009

Por Dayana Aquino - da Redação ADV

Brasil, Argentina e EUA vão trabalhar na formulação de um índice que permita mensurar a sustentabilidade da produção de biocombustíveis entre os três países. Essa foi uma das propostas que resultaram do Workshop on Biofuel Technologies and Their Implications for Water and Land Use, que reuniu pesquisadores das três nações, em São Paulo.

A elaboração de diretrizes para quantificar os impactos ambientais dos biocombustíveis ainda necessita de dados mais uniformes sobre a sustentabilidade da produção. Por conta dessa disparidade de informações, o resultado do workshop ficou nas propostas de mais estudos e nivelamento de dados que possam ser partilhados entre os países. As informações são de Marcos Buckeridgem, um dos coordenadores do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen) e professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).

A falta de dados precisos dificulta o trabalho comparativo sobre os resultados do uso das tecnologias em estudo, dos impactos na água e na terra, segundo Marcos Buckeridgem. A necessidade de equalizar esses dados foi unânime e deve representar o principal desafio dos pesquisadores.

Estudos

Durante o evento, foram apresentadas propostas de pesquisas. Ao todo, foram elaboradas cerca de 20 projetos de estudos, que devem ser realizadas em parceria entre os três países. Dessas, conforme informou Marcos Buckeridgem, foram elencadas as cinco mais importantes:

- Estudar o ciclo da água e da emissão de gás carbônico em conjunto;
- Avaliar o impacto da expansão de novas culturas e comparar com a cana;
- Fazer modelos integrados no uso da terra;
- Projetos de tecnologias a desenvolver;
- Desenvolver ferramentas que posam fazer a contabilidade da sustentabilidade nos três países.
Os participantes concluíram, conforme contou o pesquisador, que os índices globais devem incluir dados sobre balanço energético, escassez e uso da água, fatores econômicos, saúde do solo, questões sociais e impactos na biodiversidade.

Financiamento

Agora, segundo Buckeridgem, chega a fase política do trabalho, provavelmente a mais complexa, que é o financiamento dos projetos de pesquisa para nivelar essas informações. É necessário verificar onde os recursos serão alocados para dar continuidade aos trabalhos e de que forma isso poderá ser feito. Por conta de peculiaridades de financiamento de cada país, deverá ser criada uma estratégia que permita superar possíveis regras para fomento de pesquisas fora do país de origem.

O objetivo é permitir a integração entre as iniciativas. Por isso, representantes de agências de fomento estiveram presentes. Participaram do workshop representantes da FAPESP, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da National Science Foundation (NSF), dos Estados Unidos, e do Ministério da Ciência e Tecnologia da Argentina.

Buckeridgem também ressaltou a ideia de integrar aos estudos mais pesquisadores das áreas de ciências sociais em todos os elos da cadeia. Ele afirma que o tema é interdisciplinar e, destaque que há vários impactos - diretos e indiretos - em sua produção e uso que precisam ser acompanhados.

Interesses

Temas relativos ao uso da terra e da água na produção de, principalmente, etanol e biodiesel, foram debatidos, mas os países também apresentaram suas propostas e seus interesses em tecnologias mais eficazes e limpas. Os pesquisadores da Argentina demonstraram preocupação em ampliar a produção de biodiesel de forma mais eficiente, além de coletar mais dados para produzir o energético a partir de algas. De acordo com Buckeridgem, o país é hoje o maior exportador de biodiesel, mas não é o maior produtor do combustível.

A Argentina, no entanto, também tem interesses no etanol brasileiro. O país vizinho está montando uma usina na área próxima a fronteira com o Brasil. Já há um intercâmbio de pesquisadores entre ambos países e um particular interesse em etanol de segunda geração.
Já os EUA querem melhorar suas tecnologias de etanol de segunda geração. Com pouca área para a expansão da cultura, o país quer aumentar sua produtividade de forma mais eficiente, estudando novas matérias primas e com vistas a um maior aproveitamento da mesma planta base.

O Brasil, diferente de seus pares, está numa posição privilegiada, de acordo com o pesquisador. Por ter reconhecida excelência na produção de etanol de primeira geração, com a cana, figurando entre a matéria prima com a melhor produtividade para o etanol. O país deverá ter um papel de destaque no futuro da matriz energética, pois tem muita área para expandir sua produção sem ter que interferir na segurança alimentar ou causar desmatamentos.

Promovido pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Biotecnologia para o Bioetanol, o workshop reuniu cientistas do Brasil, Estados Unidos e Argentina com o objetivo de diagnosticar problemas na produção de bioenergia e orientar investimentos de agências de fomento à ciência e tecnologia na busca de soluções em áreas-chave.