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Agência C&T (MCTI)

Paisagens e naturezas mortas em exposição na Galeria de Arte

Publicado em 30 junho 2008

Por Isabel Gardenal

Nem a um primeiro olhar passa despercebido o capricho do artista plástico e doutorando do Instituto de Artes (IA) George Rembrandt Gutlich, 40 anos, autor de Paisagens e Naturezas Mortas: Gravuras e Pinturas. Trata-se de uma exposição instalada na Galeria de Arte Unicamp desde a última semana. São pinturas e gravuras, 36 no total, além de um conjunto de peças de azulejo pintadas e desenhos. Veja outros trabalhos de George na galeria de fotos.

Na exposição, que vai até o dia 18 de julho, de segunda a sexta-feira das 9 às 17 horas, é colocado em relevo o trabalho de George, uma transição de gêneros: dimensões aparentemente opostas, intimidade dos objetos e grandiloqüência do espaço da paisagem, que tecem diálogos e inserem o imenso no diminuto. Todas as obras foram compostas no período entre 1989 e 2008. A tese de doutorado do artista plástico George é intitulada "Teatro da memória; a eloqüência das ruínas na paisagem urbana". Ele é autor do livro Arcádia Nassoviana, Editora Annablume, em co-edição com a Fapesp, obra de 2005. Expôs no Brasil e no exterior, em países como Portugal, Berlim, México e Turquia.

George faz traçados de uma miudeza milimétrica, que exigem tempo e esforço do seu autor. Os processos tradicionais da pintura e da gravura remetem diretamente à natureza morta, seja nos objetos de ateliê ou nos brinquedos que, além de evocarem a temática clássica das “vanitas” (vaidades), aludem-se ao lúdico, suas ferramentas e procedimentos.

Nascido em São José dos Campos-SP em 1968 e filho do pintor holandês Johann Gutlich, que veio ao Brasil na década de 50, George se alimenta de paisagens de cenas urbanas, preferencialmente de galpões e ambientes semi-abandonados.

No gênero "paisagem", este conjunto expõe cenas da várzea do rio Paraíba do Sul, contidas no álbum de gravuras em metal intitulado “Vargem Grande” e cenas urbanas do portfolio “Ars Memorandi”, cujos personagens são edifícios atópicos.

"É no universo das suas cartografias artisticamente transformadas que Gutlich perfaz sua caminhada pelas artes visuais. Como um de seus ícones preferidos da série das imagens inspiradas na infância, o ventilador, ele dissemina sua erudição, sensibilidade, poder expressivo, capacidade criadora e olhar treinado de impressor, em seu próprio trabalho e no de seus alunos, tornando-se um dos principais gravuristas, em talento e influência, de sua geração", opina o jornalista Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais pela Unesp e membro da Associação Internacional de Críticos de Arte (Aica, Brasil).