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A Tarde (BA)

País pede patente para genes de praga, agrícola

Publicado em 20 fevereiro 2000

São Paulo - O Brasil já está preparando um pedido de patente internacional para cerca de uma dezena de genes da bactéria Xylella fastidiosa, cujo código genético completo foi o primeiro seqüenciado no Brasil. Esse microorganismo é responsável pela praga do amarelinho, que atinge um terço dos pomares cítricos do país. O seqüenciamento, concluído oficialmente sexta-feira, põe o Brasil na vanguarda mundial da pesquisa genética de pragas agrícolas. "Pedimos patente para os genes que acreditamos serem os pontos fracos da bactéria, neles vamos concentrar as pesquisas de biotecnologia para o combate da praga", explicou Andrew Simpson, coordenador de DNA do Projeto Genoma brasileiro. "Se não patenteamos, as empresas não investem em desenvolver produtos a partir de nossas pesquisas porque correm o risco de perder todo o investimento", pondera. No anúncio oficial da conclusão do Genoma Xylella, feito pelo governador Mário Covas, ficou claro que, além da transcrição do código genético da bactéria, o Brasil avança rapidamente na descoberta das funções de cada um de seus 3 mil genes. Segundo João Setúbal, um dos coordenadores de bioinformática do projeto, os cientistas brasileiros têm níveis variados de informações sobre a função de 63% dos genes da Xylella. O objetivo agora é desenvolver estratégias de combate à praga a partir dessas informações. Para isso. já estão sendo desenvolvidos, desde o ano passado, 21 projetos de pesquisa diferentes, dirigidos a investigar o possível "calcanhar-de-Aquiles" da bactéria. "Um dos projetos trabalha sobre o gene responsável pela adesão da praga ao hospedeiro com a intenção de buscar formas biotecnológicas de impedir a fixação da praga na planta", exemplifica Setúbal. Os 21 projetos devem absorver US$ 1 milhão e, como a quase totalidade do Projeto Genoma brasileiro, são financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A importância vital dessa área da genética foi destacada pelo diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez: "O segredo do seqüenciamento genético será banal em cinco anos, o essencial será a capacidade de analisar o colossal volume de informações genéticas que ele produzirá", afirma, assinalando que qualquer um dos 35 laboratórios que participam do Projeto Xylella tem capacidade de produzir diariamente um volume de informações equivalente, em bits, às obras completas de Shakespeare.