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Cruzeiro do Sul

País investe pouco em pesquisas tecnológicas

Publicado em 12 setembro 2009

Agência Fapesp

Embora produza ciência de qualidade, o Brasil tem dificuldades em transferir esse conhecimento à sociedade, pois a pesquisa tecnológica é feita predominantemente pelas universidades, com pouca participação do setor privado. Mas esse não é um problema exclusivo do Brasil, de acordo com o economista sênior da Divisão de Políticas de Ciência e Tecnologia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Jean Guinet.

Em entrevista à Agência Fapesp, Guinet explicou que, entre os 30 países que participam da OCDE, aqueles que menos investem em inovação são os que têm uma porcentagem mais baixa de participação do setor privado nas pesquisas. E são também os que têm menores níveis de Produto Interno Bruto (PIB) per capita. O Brasil não é, portanto, uma exceção.

Confira parte da entrevista:

Agência Fapesp: No Brasil, sabemos que a pesquisa científica e tecnológica é feita, em sua grande maioria, pelas universidades, com pouca participação do setor privado, o que dificulta a transferência de conhecimento para a sociedade. Esse problema também existe entre os países membros da OCDE?

Guinet: Geralmente a regra que observamos embora sempre haja exceções é a seguinte: quanto menor é o nível geral de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, maior é a porcentagem de gastos públicos. E há ainda uma correlação com o nível de desenvolvimento econômico: quanto maior é o nível de PIB per capita, maior é a proporção desse PIB investida em pesquisa e desenvolvimento e maior a participação das empresas no total das pesquisas.

Agência Fapesp: Há casos de países que conseguiram subverter essa regra, saindo de uma condição de pouco investimento em pesquisa e passando a inovar?

Guinet: É um problema muito mais universal do que geralmente se pensa. Porque há países nos quais há um nível razoavelmente grande de pesquisa e nos quais, ainda assim, há uma preocupação em aumentar a porcentagem da inovação nas empresas.

Agência Fapesp: Há consenso em relação à necessidade de haver pesquisas nas empresas?

Guinet: Sim, há essa convicção. Com base nas experiências internacionais e na análise de casos observamos que o sucesso das inovações depende bastante de uma participação considerável das empresas. São elas que fazem a ligação entre a produção de conhecimento novo e as necessidades do mercado.

Agência Fapesp: O senhor vê no Brasil um esforço em busca da superação desse quadro?

Guinet: Entendo que estão entre os objetivos do país induzir, convencer e oferecer boas motivações para que as empresas entrem ainda mais no jogo da inovação. É importante dizer que o Brasil não é nenhuma exceção no contexto mundial. O Brasil tem, de qualquer maneira, se destacado em atividades que exigem pesquisa em nível tecnológico a aviação é o campo mais evidente, mas há muitos outros. Isso prova que outros procedimentos no setor das empresas em relação à inovação são possíveis no Brasil. O importante é que essa atitude se generalize.