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Jornal do Commercio (RJ)

País ganha posições no ranking da matemática

Publicado em 19 fevereiro 2005

A comunidade matemática brasileira começou 2005 com o pé direito. O país acaba de ser promovido ao grupo 4 da União Matemática Internacional (IMU). O grupo, que já contava com Holanda, Suécia, Suíça, passa agora a ter também Brasil, Índia e Espanha.
A IMU, que tem o objetivo de fomentar a cooperação internacional em matemática, apóia atividades para o desenvolvimento científico da disciplina em todos os seus aspectos: pura, aplicada ou educacional. O ranking da organização compara 66 nações sobre a qualidade da pesquisa na área.
"Essa promoção representa o inequívoco reconhecimento internacional das atividades matemáticas na área científica de nosso país", explica a presidente da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), Suely Druck.
"Apesar de os grupos de pesquisa em matemática serem bastante recentes no Brasil, estar no grupo 4 significa a consolidação do trabalho de excelência que vem sendo construído por aqui desde a década de 1980", comemora.

América Latina
Com a ascensão na lista, o Brasil fica atrás da Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia, países que pertencem ao grupo 5. "Sem contar que nós estamos com a liderança absoluta no que se refere à América Latina", comemora Suely. Os países latino-americanos mais bem classificados depois do Brasil são Argentina, Chile e México, no grupo 2.
A presidente da SBM lamenta que a conquista da comunidade científica não reflita o ensino como um todo. "O ensino da matemática no Brasil tem ficado nas piores colocações nas avaliações nacionais e internacionais", conta.
Pesquisadora aponta falhas do sistema educacional
Suely Druck cita como exemplo dos problemas educacionais a pesquisa mais recente do Program for International Student Assessment (Pisa), em que o Brasil ficou em último lugar. Por conta disso, ela acredita que o Brasil vive atualmente uma fase de desvalorização do ensino de matemática, principalmente nas escolas públicas.
"As diretrizes do ensino são feitas por pessoas que não apresentam uma formação sólida na disciplina e, para piorar, diferentemente do que ocorre nos países desenvolvidos, os pesquisadores não opinam na formulação do currículo escolar. Isso pode ser somado a uma série de orientações pedagógicas equivocadas, ao baixo salário, à péssima formação e às precárias condições de trabalho dos professores", comenta a pesquisadora.
Para contornar a situação, Suely sugere a formulação de políticas mais abrangentes para a disciplina, que consigam garantir uma melhor formação para as próximas gerações. "Precisamos de uma política nacional que insira a matemática como uma das áreas prioritárias para o desenvolvimento científico e tecnológico do país", defende. (Agência FAPESP)