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Correio Popular

'Pai do Sirius' morre aos 68 anos

Publicado em 08 janeiro 2020

Por Cláudia Izique | Agência Fapesp

Antonio Ricardo Droher Rodrigues morreu na última sexta-feira, aos 68 anos. Engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutor em Física pelo King's College, University of London, foi responsável pelo projeto dos aceleradores dos dois síncrotrons brasileiros: o UVX, o primeiro do Hemisfério Sul, inaugurado em 1997, e o Sirius, seu sucessor, em fase final de comissionamento, ambos no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. Era casado com Liu Lin, líder do grupo de Física de Aceleradores do LNLS, e deixa três filhos: Erica, Kevin e Ian.

Seu corpo foi cremado no sábado, em Campinas. “Ricardo foi um engenheiro genial, responsável pela parte principal no projeto do primeiro Síncrotron UVX. Foi também quem projetou o Sirius e dirigiu as operações que levaram ao seu sucesso como grande obra instrumental para a ciência, inteiramente projetado e, em grande parte [80%], construído no Brasil”, diz Rogério Cezar Cerqueira Leite, presidente do Conselho do CNPEM. “Além do mais, foi sempre um pesquisador dedicado, gentil e modesto. Enfim, um exemplo de cientista e cidadão para todos os brasileiros.” Em tratamento de um câncer no pulmão, Ricardo Rodrigues não presenciou a primeira volta de elétrons no anel de Sirius, em 25 de novembro de 2019, e nem estava presente quando a equipe conseguiu armazenar elétrons por várias horas no acelerador, em 14 de dezembro do mesmo ano. Mas apareceu para uma foto dois dias depois, quando a equipe conseguiu gerar corrente suficiente para fazer chegar a luz síncrotron pela 1ª vez em uma das futuras estações experimentais do Sirius.

“Fizemos por ele. E ele ficou muito feliz”, diz Antonio Roque da Silva, diretor-geral do CNPEM. “O Ricardo era um gênio”, afirma o físico Cylon Gonçalves da Silva, que liderou o projeto de construção de UVX, no início dos anos 80 e que dirigiu o LNLS de 86 a 98. “Conheci muita gente excepcional, mas inteligência técnica e capacidade criativa como a dele eu nunca vi. Não era vaidoso, mas sabia o que valia. Era um líder extraordinário pela generosidade. A comunidade brasileira deve muito a ele.”