Decisão sairá após a conclusão da investigação sobre efeitos adversos graves; vacina é considerada estratégica no combate à dengue
O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não concluíram a investigação sobre os eventos adversos graves registrados após a aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue. Segundo o jornal Folha de São Paulo , a definição sobre a retomada do imunizante dependerá do resultado dessa apuração.
Em entrevista concedida nesta segunda-feira (6), durante o Fórum de Saúde promovido pela Amcham Brasil, em São Paulo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que especialistas analisam detalhadamente os 42 casos de reações graves temporalmente associados à vacinação.
“Os especialistas estão investigando detalhadamente, nessas 42 pessoas, se há alguma condição clínica, algum motivo [que provocasse as reações]. A partir dessa investigação, será definido como a vacina poderá ser utilizada de forma segura para a população”, afirmou.
O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente o uso da Butantan-DV no Sistema Único de Saúde (SUS) em 8 de junho, após o registro dos episódios sob investigação.
Investigação pode redefinir público-alvo
De acordo com Padilha, ainda não há prazo para a conclusão das análises, mas a expectativa é que elas sejam finalizadas o mais rapidamente possível.
“O Instituto Butantan faz parte dessa avaliação e vai devolver para a Anvisa o que encontrou em relação a isso. Em paralelo, o Ministério da Saúde compôs um painel de especialistas para pensar e organizar cenários, a depender do resultado. Pode ser que essa investigação sinalize que a vacina deva ficar restrita a um determinado público ou a uma determinada região”, explicou.
A Butantan-DV é considerada por especialistas e autoridades sanitárias uma ferramenta importante no enfrentamento da dengue, doença cuja incidência tende a aumentar em períodos de calor e chuvas, favorecendo a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Ministério mantém vacinação com a Qdenga
Enquanto a investigação sobre a Butantan-DV prossegue, o Ministério da Saúde mantém a vacinação com a Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda.
Em junho, a pasta oficializou a compra de 18 milhões de doses do imunizante, garantindo o abastecimento do SUS até 2027.
Segundo Alexandre Padilha, mais de 8 milhões de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos já receberam a vacina.
Ministro comenta casos de sarampo
Durante o evento, Padilha também abordou os casos recentes de sarampo registrados na zona norte de São Paulo. Segundo ele, os cinco casos identificados têm ligação direta com surtos da doença na Bolívia.
De acordo com o ministro, o Brasil notificou 38 casos importados de sarampo em 2025, mas a disseminação da doença foi contida graças à vacinação.
“Esses 38 casos importados só não se propagaram por conta do nosso esforço de vacinação. Estamos reforçando a parceria com a Prefeitura de São Paulo e com a Prefeitura de Guarulhos, além da rede estadual”, disse.
Na quinta-feira (2), moradores de São Paulo e de Guarulhos receberam alertas em seus celulares incentivando a vacinação contra o sarampo. A campanha informa que o imunizante é gratuito e está disponível no SUS para pessoas entre 6 meses e 59 anos.
Padilha afirmou ainda que a recertificação do Brasil como país livre do sarampo, obtida em 2024, não está ameaçada.