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Pacu geneticamente modificado foi desenvolvido

Publicado em 16 agosto 2021

Um grupo de cientistas brasileiros liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com o apoio da FAPESP, desenvolveu pela primeira vez na América do Sul uma linhagem de peixe nativo resistente a bactérias. Espécimes geneticamente selecionados de pacu-branco (Piaractus mesopotamicus ) apresentam maior resistência à bactéria Aeromonas hydrophila , responsável por perdas na piscicultura em todo o mundo. Em média, a resistência a doenças em peixes aumenta em 10-20% com cada nova geração.

Essa melhora foi possível graças a quatro estudos que determinaram, entre outros fatores, o tipo de herança genética e os genes responsáveis pela imunidade contra essa bactéria. As descobertas mais recentes foram publicadas na revista BMC Genomics.

“A única espécie de peixe melhorada produzida atualmente no Brasil é exótica. A tilápia é um peixe africano que veio para cá com um programa de criação desenvolvido no exterior, que agora está sendo refinado no país. Selecionamos o pacu branco por ser autóctone e cultivado há cerca de 30 anos, mas toda a produção ainda é baseada em lotes sem melhoramento”, diz Diogo Teruo Hashimoto, pesquisador do Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp) e coordenador de seus estudos.

O líder do projeto no exterior é José Yáñez, professor da Universidade do Chile. Os estudos foram de autoria inicial de Vito Antonio Mastrochirico Filho e ocorreram durante seu mestrado e doutorado no Caunesp, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP. No trabalho mais recente, os pesquisadores realizaram uma análise genômica de populações sujeitas à infecção pela bactéria e descobriram várias regiões cromossômicas associadas à resistência.