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Jornal da Unicamp online

Pacote amplia número de bolsas e de programas extracurriculares

Publicado em 22 outubro 2012

Por Clayton Levy

Diversos estudos na área de ensino superior mostram que a qualidade de vida no campus é fundamental para uma experiência universitária completa e satisfatória. Além de questões relacionadas à infraestrutura, segurança, transporte e alimentação, são imprescindíveis políticas voltadas para programas extracurriculares e de apoio aos estudantes. Atenta a essa realidade, a Pró-Reitoria de Graduação lançou nos últimos anos um pacote de medidas para agregar mais qualidade à vida estudantil, que vai muito além da mera assistência.  

Entre as ações concretizadas estão o aumento do número de programas e bolsas concedidas pelo Serviço de Apoio ao Estudante (SAE); implantação de editais de apoio às atividades estudantis; lançamento do programa Aluno Artista; aprimoramento do processo de estudo e aprendizagem; empréstimo de bicicletas para circulação no campus; incentivo à leitura, com direito a prêmios; e expansão do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica (Sappe). Por meio dessas iniciativas, muitos alunos conseguem unir o útil ao agradável, participando de atividades que, além de garantir uma ajuda financeira, permitem atuar em projetos sintonizados com sua área de formação.

É o caso de Jessica Cristina Sallasa, que cursa o segundo ano de Estudos Literários no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Como participante do programa Aluno Artista, ela passou os últimos três meses declamando em público textos da escritora Hilda Hilst, com direito a uma bolsa no valor de R$ 340,00 por mês. As apresentações podiam ocorrer tanto ao ar livre quanto em áreas cobertas. No final, o projeto, intitulado “Hilda-nos Hilst”, virou um curta-metragem, que foi apresentado em abril na Casa do Lago. “Foi uma experiência muito rica, porque além de divulgar o trabalho da escritora, também aprofundamos a relação da leitura com outras formas de comunicação, como o vídeo”, diz a estudante.

Implantado há dois anos, o Aluno Artista permite aos alunos que tenham alguma habilidade artística divulgar o seu trabalho pelo campus. Estudantes de todas as unidades podem participar, independentemente de sua área de formação. A edição 2010 selecionou dez projetos que resultaram em 80 apresentações nos campi de Campinas, Limeira e Piracicaba. Devido ao sucesso da ideia, as edições 2011 e 2012 passaram a selecionar quinze projetos. Os artistas selecionados se comprometem a dedicar 30 horas mensais ao trabalho em períodos que não coincidam com o seu horário de aulas. A vigência da bolsa é de seis meses. Além da verba mensal, o projeto contemplado ainda recebe um auxílio para sua execução no valor máximo de R$ 3 mil.

Moradia

A bolsa Aluno Artista é apenas um dos itens que integram a política institucional de assistência e permanência estudantil, que além das bolsas inclui diversos programas de apoio ao estudante, entre eles a Moradia Estudantil. Em 2011 o setor contou com recursos da ordem de R$ 30 milhões, correspondendo a 12% do orçamento de custeio da Universidade no período. Só com a Moradia Estudantil foram gastos R$ 3 milhões, incluindo reformas e outros benefícios.

Em 2012, a verba para os programas de assistência e permanência estudantil aumentou para R$ 33 milhões, como resultado de inovações na política de bolsas. “A partir de um estudo sobre as demandas, reformulamos bolsas que já existiam e criamos outras, buscando diversificar as opções”, diz o coordenador do SAE, Leandro Medrano. “O objetivo principal é viabilizar a permanência do estudante na Universidade”, completa.

Entre as novidades adotadas está a expansão da Bolsa Auxílio Social (BAS), cujo número de beneficiados saltou de 833 em 2011 para 983 em 2012. São 150 bolsas a mais, perfazendo um crescimento de 18%. Nessa modalidade, que substituiu a antiga Bolsa Trabalho, o aluno realiza atividades associadas à sua área de formação ou em movimentos sociais, sempre com a orientação de profissionais ou professores. O valor atual da BAS é de R$ 550,31, referente a 60 horas mensais de dedicação, além dos valores dos Auxílios Transporte e Alimentação, totalizando R$ 670,31. A seleção adota critérios socioeconômicos, com base na renda per capita do aluno.

“É um auxílio importante, principalmente para quem chega de outra cidade”, diz Rafael Lucas Cavalheiri, que veio do município de José Bonifácio, na região de São José do Rio Preto, para cursar Artes Visuais no Instituto de Artes (IA). Como beneficiário da BAS, ele está lotado no próprio SAE, onde desenvolve atividades na assessoria cultural, que cuida de projetos como o Aluno Artista. Seu sonho, porém, é atuar como produtor de arte. “Futuramente pretendo trabalhar na curadoria de alguma galeria”, diz.

Também foram criadas quatro novas modalidades de bolsas: Bolsa Auxílio ao Ensino e Aprendizagem (BAEF), no valor de R$ 733,00, para quem já completou metade do curso; Bolsa ProFIS, no valor de R$ 670,00, para todos os 120 alunos do Programa de Formação Interdisciplinar Superior; Bolsa Auxílio Social e Iniciação Científica (BAS-IC), que complementa bolsas de iniciação científica concedidas pela Fapesp e CNPq, totalizando R$ 680,00; e a Bolsa Auxilio Instalação, no valor de R$ 300,00, destinada a auxiliar nas primeiras despesas do estudante que acaba de chegar à cidade.

O SAE oferece ainda a Bolsa Emergência para atender alunos que passam por dificuldades econômicas pontuais; Bolsa Programa de Auxílio a Projetos Institucionais (PAPI), criada com o objetivo de auxiliar o desenvolvimento dos projetos de cunho institucional; e Bolsa Pesquisa Empresa, que tem por objetivo facilitar a interação entre empresa e universidade, estimulando o financiamento de bolsas, pelo setor produtivo, destinadas a alunos de graduação e pós-graduação.

Editais

A política voltada para atividades estudantis passou a contar com outro importante reforço em 2011, quando foram lançados os dois primeiros editais de apoio à realização ou participação de alunos em eventos acadêmicos, científicos, culturais e esportivos.  O valor destinado a cada edital é de R$ 30 mil. Segundo Dora Maria Grassi Kassisse, assessora da PRG, estas chamadas representam um aporte adicional ao Programa de Apoio a Atividades Estudantis Extracurriculares, criado em 2011, e que destinou cerca de R$ 700 mil para entidades e associações estudantis.

Além do auxílio financeiro através das bolsas, os estudantes contam com o Programa de Moradia Estudantil (PME). Em atividade desde 1990, tem por finalidade garantir estadia gratuita para estudantes de graduação e pós-graduação provenientes de famílias com baixa renda. Historicamente, nenhum aluno com renda per capita familiar igual ou inferior a 1,5 salário mínimo deixou de ser atendido. Em situações emergenciais, os estudantes contam ainda com uma bolsa moradia, destinada ao aluguel de residência.

A qualidade da vida estudantil não se limita, porém, às condições de moradia, alimentação e transporte. Um fator fundamental é o desempenho do aluno nos cursos, que pode encorajá-lo a permanecer ou abandonar a Universidade. “Muitos saem porque não se adaptam ao ritmo das aulas”, observa Medrano. Para atender aos estudantes que enfrentam dificuldades nesse aspecto, o SAE criou em 2011 o programa Saiba Mais. Os alunos recebem orientações que vão desde estratégias de aprendizagem até gestão do tempo. O número de atendidos saltou de 300 em 2011 para 1,2 mil em 2012.

Atuando na mesma linha, mas direcionado a públicos diferentes, o Projecta é um programa destinado a auxiliar os estudantes na inserção profissional. Os interessados participam de atividades destinadas a auxiliar no planejamento da carreira. Há ainda atividades para aqueles que se sentem inseguros quanto à escolha do curso que estão fazendo. “Nesse aspecto, o programa ajuda o estudante a entender se está no curso certo”, diz Medrano.

Outra novidade de sucesso é a Estante Literária, que tem como objetivo incentivar a leitura entre os estudantes. Lançada em abril de 2011, a ideia é selecionar os dez melhores leitores da Universidade, que serão premiados ao final de cada ano. O primeiro colocado ganhará uma viagem para as feiras internacionais do livro, como as de Guadalajara, Frankfurt ou Paris. Os demais classificados receberão vale-livros. Inédito entre as universidades públicas brasileiras, o projeto está sendo viabilizado por meio de um site vinculado ao SAE.  O site também oferece notícias sobre literatura, indicações de especialistas, sorteio de livros entre os inscritos e integração com o Facebook. Atualmente há mais de 700 inscritos e aproximadamente 1.200 obras resenhadas ou cadastradas pelos alunos.

Numa outra vertente, os estudantes podem também contar com a ajuda do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Estudante (SAPPE), que oferece as seguintes modalidades de atendimento: pronto atendimento psicológico, atendimento psicológico individual, grupal e relacional (famílias, casais, pessoas que têm relações próximas) e atendimento psiquiátrico. Além da assistência, o SAPPE ministra cursos de extensão universitária para psicólogos e psiquiatras, através da Escola de Extensão da Unicamp.

A demanda crescente pelos serviços levou a uma expansão na equipe fixa de atendimento, hoje composta por dez psicólogas, sendo que uma presta assistência no posto criado pelo SAPPE há três anos, na FOP em Piracicaba, duas psiquiatras, três funcionários administrativos, além de psicólogos que passam por treinamento em psicoterapia breve e pronto atendimento psicológico nos cursos de extensão. Com a ampliação do atendimento, entre 2009 e 2011 houve aumento superior a 40% no número de atendimentos psiquiátricos e de 20% para psicoterapia. Recentemente, o SAPPE iniciou uma pesquisa para conhecer o impacto de suas atividades na vida acadêmica bem como os sintomas mais frequentes que afetam os estudantes. “O objetivo é reunir subsídios para um melhor planejamento do trabalho”, explica a psiquiatra Tânia Maron Vichi Freire de Mello, coordenadora do SAPPE.