Notícia

Jornal do Brasil

Paciente reage mal a células de babuíno

Publicado em 09 fevereiro 1996

SÃO FRANCISCO, EUA - O transplante experimental da medula óssea de um babuíno num paciente com Aids, realizado em dezembro na Universidade da Califórnia, em São Francisco, parece ter fracassado. Na última quarta-feira, resultados de exames provaram que as células do babuíno não se ligaram às da medula óssea do voluntário, como era esperado. "Por enquanto, os resultados sugerem que não há células do babuíno presentes", afirmou Steven Deeks, professor assistente de medicina da Universidade da Califórnia e um dos pesquisadores que fez o transplante em Jeff Getty. Experiência - Os médicos fizeram um transplante experimental em Getty numa tentativa de estimular seu sistema imunológico, já que os babuínos são resistentes ao vírus que causa a doença. Os pesquisadores esperavam que as células do animal se juntassem às de Getty, permitindo que sua medula óssea produzisse células sangüíneas resistentes ao HIV. Dessa maneira, ele conseguiria repelir as infecções que podem ser fatais para os pacientes com Aids. Novos testes serão realizados e também é possível - embora improvável - que as células apareçam mais tarde no organismo do paciente. Deeks explicou que as células da medula óssea do babuíno devem ter sido rejeitadas pelo sistema imunológico de Getty. Em dezembro, Steven Deeks considerou que a operação seria um sucesso já que o procedimento parecia bastante seguro. Uma questão intrigante para os médicos é que, apesar dos resultados do transplante, a saúde de Getty pareceu melhor do que antes da operação. Melhoras - O paciente, que saiu do hospital no início de janeiro, já está com mais peso e muitos dos sintomas desapareceram. Deeks explicou, no entanto, que a melhora não ocorreu graças ao transplante. Possivelmente, é conseqüência de outros fatores, como a terapia de radiação dirigida aos gânglios linfáticos. O médico afirmou que ficou satisfeito com os resultados. "O ponto da questão é que nós provamos que o transplante é seguro", disse. Deeks adiantou que os pesquisadores pretendem realizar um novo transplante num futuro distante, onde podem usar doses maiores de quimio e radioterapia.