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Amazônia

PAC da Ciência e Tecnologia pode ter Núcleo Amazônia

Publicado em 18 setembro 2008

A criação de um núcleo exclusivo sobre a Amazônia com a finalidade de acompanhar todas as ações do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (PAC, T&I ou PAC da Ciência e Tecnologia) para a região foi uma das propostas apresentadas ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, durante a reunião da Comissão de Acompanhamento do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), na quarta-feira, 17 de setembro, em Brasília.

A sugestão de criação do Núcleo Amazônia partiu da comissão de Acompanhamento de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social e foi incluída no relatório parcial do PAC da Ciência e Tecnologia, contendo observações e propostas de aprimoramento, entregue ao ministro da Ciência e Tecnologia.

De acordo com o presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa e diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Odenildo Sena, a proposta do núcleo é uma tentativa de se trabalhar com mais objetividade a questão da Amazônia dentro do programa.

Durante a reunião, foi debatida ainda a necessidade de adoção de ações mais ousadas com o objetivo de reduzir as desigualdades regionais no âmbito da CT&I. O presidente do Confap fez uma explanação sobre o atual cenário da área no país e ressaltou a situação da região Norte que, atualmente, conta com apenas 4% dos doutores formados no Brasil. "Isso dificulta a competitividade e prejudica a geração de conhecimento sobre a região", frisa.

A carência de pesquisadores e profissionais nas áreas de Engenharia também esteve em pauta na reunião do CCT, uma vez que falta demanda a despeito do grande número de bolsas concedidas em todo o país para qualificação profissional nas Engenharias.

O investimento em iniciação científica foi apontado como o melhor caminho para a formação de capital intelectual nessas áreas. O Programa Ciência na Escola (PCE), da Fapeam, foi citado como uma iniciativa de sucesso no Amazonas.

"É preciso investir na iniciação científica para que daqui a 10, 15 anos tenhamos êxito na formação de capital intelectual nas áreas da Engenharia", complementa.

A Comissão discutiu as ações previstas no plano em quatro áreas: expansão e consolidação do sistema nacional do CT&I, acompanhamento de promoção da inovação tecnológica nas empresas, acompanhamento de P&D em áreas estratégicas, acompanhamento de CT&I para o desenvolvimento social. Também foram discutidos temas como utilização do Sistema de Informações Gerais em CTI (SigCTI), disponibilidade de recursos em linhas de subvenção econômica, crédito e capital de risco, Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), Pró-Inova, a instituição do Prêmio Nacional de Gestão da Inovação, o poder de compra do Estado e a participação de bancos públicos no financiamento da inovação.

Palestra

Antes da participação na reunião do Conselho Nacional de C&T, Odenildo Sena, ministrou, pela manhã, palestra sobre o "Papel das Faps no país" para os representantes dos países membros da União Européia. O convite foi feito pela Embaixada da França em Brasília.

O presidente do Confap fez uma explanação sobre a situação do sistema de C&T no país e ressaltou a importância das Faps no cenário nacional. Odenildo Sena aproveitou a ocasião para falar sobre as possibilidades de parceria entre as fundações e os países da União Européia, seguindo exemplos como o da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que possui várias iniciativas nesse sentido.

Sena adiantou que os integrantes da Embaixada Francesa presentes à reunião mostraram interesse em conversar com a Fapeam para tratar de futuras parcerias no campo dos estudos voltados a Mudanças Climáticas.