Notícia

UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Outros equipamentos de transporte lideram inovatividade

Publicado em 26 março 2007

Por Sabine Righetti

O setor conhecido como "Outros equipamentos de transporte" lidera a inovatividade na indústria de transformação brasileira. É o que mostram as primeiras análises feitas a partir da metodologia do Índice Brasil de Inovação (IBI), um trabalho que vem sendo empreendido pelo Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT), do Instituto de Geociências da Unicamp, com apoio da Fapesp. O ranking dos setores mais inovadores da indústria de transformação brasileira, construído pela equipe e nomeado de IBI indústria, foi construído a partir de informações da pesquisa de inovação tecnológica (pintec/ ibge), de 2003, e do banco de patentes do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).
O IBI indústria é um indicador inédito, assim como a ordenação setorial que ele apresenta. A inovatividade da divisão setorial é calculada com relação à média da indústria de transformação. A liderança do setor "Outros equipamentos de transporte" se deve às atividades da indústria aeronáutica, que se destaca devido ao impacto que a inovação tecnológica principalmente de produto — como as aeronaves com projetos próprios para exportação. Pelo lado dos esforços, o setor é composto por variáveis como gastos com P&D interna e externa, refletindo novamente a participação da indústria aeronáutica que, por ser uma indústria de alta tecnologia, realiza dispêndios elevados em P&D.
O segundo colocado no ranking é o setor de "Máquinas para escritório e outros equipamentos de informática", em que a relação entre o número de mestres e doutores alocados em P&D e o pessoal ocupado total é alta. "Material eletrônico, aparelhos e equipamentos de telecomunicações" ocupa o terceiro lugar com um índice que corresponde a quase metade do valor do segundo colocado.
Após os três primeiros, a ordenação não se apresenta na seqüência esperada pela classificação de intensidade tecnológica da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O setor de petróleo, considerado de média-baixa intensidade por essa classificação posiciona-se em quinto lugar, à frente da indústria automobilística, refletindo a liderança da Petrobras na produção de petróleo em águas profundas. Nesse caso pesaram os esforços em recursos humanos e o número de patentes.

Análise
De acordo com a economista Silvia Angélica Domingues, pesquisadora do IBI, a construção deste ranking, além de explorar a consistência da metodologia, adicionou a perspectiva de comparação setorial, especialmente para países em desenvolvimento, onde indicadores convencionais nem sempre refletem o estágio tecnológico de suas indústrias. "No Brasil, nem sempre foram os setores mais intensivos tecnologicamente, de acordo com a classificação internacional da OCDE, os que apresentaram maiores esforços e resultados de inovação, o que reflete as especificidades do padrão tecnológico local", explica Silvia.
A iniciativa da construção do Índice Brasil de Inovação (IBI) é da revista Inovação Uniemp. A publicação do ranking das empresas mais inovadoras do áis deve acontecer em maio. Os resultados do IBI Indústria foram publicados no artigo "Metodologia do IBI permite classificar setores mais inovadores da indústria de transformação" pelos pesquisadores André Furtado, Edilaine Venancio Camillo e Silvia Angélica Domingues na última edição da revista (Ano 3, n. 10, vol. 2).