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Gazeta de Piracicaba online

Ouro verde do século 21

Publicado em 19 julho 2007

Solenidade de progresso. Assim foi classificada, nessa terça-feira (17), a assinatura do convênio de R$ 100 milhões entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Dedini Indústria de Base, pelo governador José Serra (PSDB), que muito bem humorado participou da abertura do 5º Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira (Simtec). Serra destacou a relevância do papel da região de Piracicaba para o sucesso do Pró-álcool, pela capacidade empreendedora e acúmulo de conhecimento da produção e utilização do etanol carburante de cana-de-açúcar, pela sua tecnologia e viabilidade econômica. "Toda semana vem gente do exterior a Piracicaba trazer todas as possibilidades de cooperação, absorção de tecnologia, ver como se faz etanol de qualidade, barato e com vistas à proteção ambiental. Contamos com o Simtec para prestigiar o ouro verde do século 21", disse.

A urgência de diminuir as conseqüências do aquecimento global, presente na agenda mundial, disse o governador, coloca em evidência o etanol. "O século 20 foi do ouro negro e fumacento do petróleo, mas o que depender de São Paulo, da Fapesp, dos nossos produtores, o século 21 será o do ouro verde em combustíveis, menos daninho e muito mais saudável ambientalmente", declarou.

Em 2006, afirmou Serra, os produtos derivados da cana-de-açúcar corresponderam a 14,4% da oferta de energia do País, proporção quase idêntica a da oferta de energia pelo caminho hidrelétrico. Em São Paulo, quantificou o governador, há 4,2 milhões de hectares de área plantada, 75% das exportações de álcool saem do Estado e 72% das de açúcar. São Paulo é o segundo maior produtor de açúcar e álcool do mundo, sendo superado apenas pelo próprio País. "A maior parte dos três milhões de empregos diretos e indiretos desse setor está em São Paulo", disse.

Para estimular a produção sustentável do álcool, o governo do Estado criou o projeto Etanol Verde, antecipando em 10 anos o prazo do fim da queima da cana em São Paulo, a recuperação de 425 mil hectares de matas ciliares nas lavouras canavieiras até 2010 e a certificação de conduta ambiental para as empresas que aderirem.

Serra falou da mecanização da colheita de cana, admitindo sua dificuldade em terras com inclinação superior a 12%. Ele disse querer da Fapesp a elaboração de pesquisas para criação de equipamentos para esse tipo de solo. "Não me parece obstáculo intransponível e permitiria aliviar as queimadas. Em São Paulo, dos 4,2 milhões de hectares de cana plantada, queima-se hoje dois e meio milhões", enumerou.


Abertura

O prefeito Barjas Negri (PSDB), ressaltou a importância da Dedini no setor de açúcar e álcool no Brasil, com experiência de mais de 85 anos e 30 deles dedicados ao desenvolvimento da tecnologia do álcool, permitindo ao País ter maior produtividade e qualidade. "Em Piracicaba temos o departamento de criatividade do açúcar e do álcool. Nossos técnicos, empresas, instituições de pesquisas e pesquisadores desenvolveram uma tecnologia, ao longo das últimas três décadas", enfatizou.

Prefeitos de várias cidades da região, deputados e os secretários estaduais, João Sampaio - de Agricultura e Abastecimento - e Alberto Goldman - de Dsenvolvimento - além de representantes de entidades de classes participaram da abertura do Simtec.

Tarcisio Mascarim, diretor-presidente corporativo da Dedini, disse que o setor de bens de capital, sucroalcooleiro, vai demandar vagas de empregos no município e região. "E o Simtec é oportunidade para que todos conheçam o potencial tecnológico da nossa região", ressaltou.


Dedini e Fapesp

A base das pesquisas da Dedini Indústria de Base, ressalta José Olivério, vice-presidente da empresa, será desenvolvida nas instituições acadêmicas escolhidas, mas protótipos poderão ser construídos na empresa ou em outras usinas. Oliviério aposta no uso do etanol para a produção de outros produtos nobres. "O grande objetivo desses projetos é melhorar a produtividade, rendimento e eficiência", explicou.

Desde 1980, revelou Olivério, a Dedini atua na produção de etanol a partir de celulose e tem unidade instalada na usina São Luiz, em Pirassununga que utiliza o processo "Dedini Hidrólise Rápida" (DHR).

Essa é apenas uma das pesquisas da empresa, que possui outras relacionadas a primeira geração do etanol de cana, da segunda geração (o etanol de celulose) e de terceira, que é a utilização de biomassa gaseificada e uso de reação de síntese. "O convênio da Fapesp abrange todos as gerações e abrangem cerca de 35 projetos", revelou.

Carlos Henrique Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, disse que a Fundação financia 188 projetos, tem como estratégia a formação de recursos humanos, o apoio à pesquisa exploratória e à pesquisa realizada com vistas a aplicações, exemplo do convênio assinado com a Dedini. Metade do valor é liberado pelo órgão e a outra metade pela empresa. O valor é para desenvolvimento de dezenas de projetos de pesquisas para os próximos cinco anos.

Segundo Brito, ainda não foram definidas as instituições acadêmicas que vão participar das pesquisas. O convênio pode contemplar instituições como Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), que vão apresentar projetos que serão selecionados. A seleção deve ocorrer até o final deste ano

Carlos Vogt, presidente da Fapesp, disse que a assinatura do convênio representa momento significativo que serve como parâmetro para todas as ações que precisam ser feitas em prol da tecnologia.