Notícia

Empreendedor

Ouro contra o bronze

Publicado em 01 fevereiro 2007

Por Alexsandro Vanin

A necessidade cada vez maior de proteção aos raios ultravioleta estimula mercado de exposição segura

Os primeiros alertas sobre os perigos da exposição excessiva e sem proteção ao sol surgiram na década de 1980. Até então, o bronzeado era sinal de saúde e beleza, padrão estabelecido mundialmente depois que a alvura, típica dos nobres que podiam passar o dia todo na sombra, perdeu o glamour. Num país com 7,6 mil quilômetros de costa e mais de 75% de seu território na zona tropical — e o restante numa região afetada pelo buraco na camada de ozônio —, onde a cultura do bronzeamento permanece arraigada e a da prevenção dá os primeiros passos, o câncer de pele representa um problema de saúde pública: 25% das neoplasias malignas registradas no Brasil têm origem na pele, e o índice de novos casos, estimados em 122 mil em 2006, cresce a uma média de 10% ao ano, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Não deixa de ser uma oportunidade de negócios relacionados à exposição segura, como protetores solares, chapéus, roupas que já vêm com protetor solar no tecido, películas, óculos de sol e guarda-sóis.
Trata-se de artigos que bloqueiam a radiação ultravioleta (UV), parte da energia emitida pelo sol (correspondente a 7% do total), subclassificada em três tipos. Os raios UVA, que não têm incidência amenizada pela camada de ozônio (espécie de protetor natural do planeta), podem causar câncer de pele e seu envelhecimento a quem se expõe nos horários de alta incidência — cerca de 70% a 80% da quantidade de energia UV no verão chega à Terra entre as 9h e as 15 horas, sendo 20% a 30% em torno do meio-dia — continuamente e ao longo de muitos anos. Os raios UVB, parcialmente absorvidos pela camada de ozônio, respondem por cerca de 80% das queimaduras e podem causar câncer em longo prazo. Os raios UVC, potencialmente mais carcinogênicos que os outros, são completamente absorvidos pelo ozônio, mas a degeneração da camada tem ampliado sua incidência.
A queimadura é a principal reação imediata da pele à exposição excessiva aos raios solares. Altas doses de UV também provocam edemas, bolhas e descascamento em curto prazo. O envelhecimento precoce da pele é gradual e tem como principais sinais o ressecamento, o aparecimento de rugas e marcas profundas, e perda da elasticidade. Mas a pior reação crônica é o câncer de pele, que se divide em melanoma (originado nos melanócitos, células produtoras de melanina) e tumores não melanoma. Os últimos são o tipo de câncer mais freqüente na população brasileira, e o Inca estima a ocorrência de 116 mil novos casos em 2006. O melanoma, apesar de corresponder a apenas 4% dos casos de câncer de pele, possui letalidade elevada devido à sua alta possibilidade de metástase.
O tipo de pele está diretamente ligado ao surgimento de câncer de pele — mais de 90% das neoplasias não melanoma ocorrem em pessoas de pele clara (tipos 1 e 2). Bebês e idosos também possuem pele mais sensível à radiação UV. No Brasil, o maior número de novos casos estimados em 2006 se encontra no Sudeste e no Sul, em ordem decrescente, regiões onde há a maior concentração de pessoas com pele clara. O índice relativo (número de casos por 100 mil habitantes) é maior nos Estados do Sul, onde a colonização italiana e alemã é predominante. A taxa de incidência de tumores não melanoma em Santa Catarina é de 125,78 entre homens e de 117,5 entre mulheres, e de 8,58 e 8,26, respectivamente, no caso do melanoma. Um dos fatores que colaboram para o elevado índice no Estado é o grande número de trabalhadores na agricultura, pesca e aqüicultura.

Prevenção e economia
Mudança de comportamento é chave para a diminuição do número de novos casos
A prevenção ao câncer de pele resulta em tratamentos menos traumáticos e com melhor resposta, bem-estar social e economia para os cofres públicos. As campanhas de prevenção surgiram no Brasil há 20 anos, mas apenas a partir de 1999 elas passaram a ser permanentes e estruturadas de forma mais articulada entre governo e sociedade civil. Segundo Marcus Maia, dermatologista e coordenador da campanha do câncer de pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), espera-se estabilizar o número de novos casos após 15 anos de trabalho contínuo, e que haja regressão no número de novos casos após 20 ou 25 anos. "A mudança de comportamento é muito difícil", diz. Apenas 25 milhões de brasileiros usam protetor solar, e mais de 60% da população não toma nenhuma precaução.
"É preciso tornar os meios de prevenção mais populares", diz Maia. O preço do protetor solar é elevado, mas, segundo ele, alguns fabricantes garantem que é possível fabricar um produto de baixo custo, em torno de R$ 5, para distribuição gratuita pelos serviços de saúde pública para quem trabalha exposto ao sol e pessoas de baixa renda, principalmente no verão — algo como é feito com preservativos. O que torna os protetores solares tão caros são os tributos e o custo de marketing envolvido, inclusive embalagem. "A SBD pretende aproximar os governos e os fabricantes."
A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é popularizar o Índice Ultravioleta (IUV), uma medida da intensidade da radiação UV incidente sobre a superfície terrestre, a fim de que as pessoas se conscientizem dos efeitos nocivos do excesso de exposição ao sol. No Brasil, o responsável pela previsão de IUV é o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), a partir de imagens de satélite e modelos numéricos rodados em seu supercomputador. A pesquisa foi iniciada em 1997, na Universidade de São Paulo (USP), e há quatro anos é divulgada pelo Cptec. "Procuramos informar a sociedade, para que ela tome as precauções devidas", diz Marcos Sanches, meteorologista. Os níveis de radiação UV são muito elevados na maior parte do ano e em quase todo o território brasileiro.
"O problema é que as campanhas educativas não atingem todas as classes sociais e profissionais por igual", diz Carlos Eduardo Alves dos Santos, chefe da seção de dermatologia do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Segundo ele, existem muitas pessoas que trabalham expostos ao sol e sem proteção adequada. É o caso de agricultores e pescadores, principalmente, carteiros e trabalhadores da construção civil, limpeza e segurança pública. Mas não se pode culpar um empregador pelo surgimento de um câncer de pele, pois a doença pode ter sido causada pela exposição exagerada ao sol e sem proteção durante a infância, conforme Maia. "No entanto, seria uma atitude amigável das empresas tomar medidas de precaução e educação para seus empregados."
A conscientização é um dos objetivos do projeto Info-tempo, desenvolvido há dois anos na unidade catarinense da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro). Diariamente, são divulgados no site da instituição (www.fundacentro.sc.gov.br), desde a segunda quinzena de novembro de 2006, as previsões de IUV e o Índice de Calor (IC), a partir dos dados disponibilizados pelo Cptec, juntamente com textos educativos sobre riscos à saúde e recomendações. O IC faz uma associação da temperatura e da umidade relativa do ar para estimar o desconforto térmico, apresentando os horários recomendáveis para a execução do trabalho tanto para atividades na sombra como sob exposição direta ao sol. As informações permitem o melhor planejamento do trabalho, tanto pelo empregador como pelo empregado. "Esperamos que a divulgação desses índices contribua para a conscientização sobre os perigos do estresse térmico e da radiação solar, induzindo os trabalhadores a adotarem algumas ações simples, como o uso de protetores solares e horários mais adequados para a exposição solar", diz o meteorologista Daniel Bittencourt, coordenador do Info-tempo.
O projeto vem sendo intensamente divulgado em publicações científicas, apresentações em seminários e internet, além de palestras e cursos em associações profissionais (como colônias de pesca e cooperativas de agricultores), nos quais a ênfase é o trabalho de conscientização. "Temos que mudar o modelo, a cultura existente, tanto dos empregadores quanto dos trabalhadores, na qual segurança e prevenção não são prioridade", diz Rose Aylce Oliveira Leite, diretora da Fundacentro no Estado. A próxima etapa do projeto é a geração de previsões do Índice Windchill, relacionado ao frio intenso.

Segunda pele
Aplicação de aditivo em tecido protege o corpo dos raios ultravioleta
Aqueles indivíduos que trabalham de sol a sol ou praticam esportes ao ar livre podem contar com uma defesa a mais dos raios solares, além de protetor solar, chapéu e óculos: o tecido das roupas. Os sintéticos naturalmente bloqueiam mais radiação ultravioleta (UV) do que os de algodão, mas estes podem receber aditivos que ampliam em mais de 50 vezes sua proteção. Na Austrália, a legislação prevê o uso de roupas com fator de proteção ultravioleta (FPU) para o desempenho de determinadas funções que exigem exposição prolongada ao sol. No Brasil, o produto ainda é novidade, mas sua adoção em uniformes representaria no mínimo uma atitude de responsabilidade social para as empresas, quando não de economia. "O custo para o tratamento de problemas decorrentes da falta de segurança no trabalho, tanto para os empregadores quanto para a União, é muito maior do que o investimento em segurança e prevenção", diz Rose Aylce Oliveira Leite, diretora da Fundacentro de Santa Catarina.
A LC Malhas, de Brusque (SC), fabrica tecidos com FPU desde o segundo semestre de 2003. Rodrigo Bastos Rocha, gerente de produto e qualidade, conta que a malharia já foi sondada por secretarias de saúde para o desenvolvimento de projetos de uniformização de estudantes. Mas o mercado-alvo da empresa é formado por confecções. Para ele, esse é um nicho que vai explodir. "Vai começar como um diferencial para as empresas que adotarem o produto em suas coleções, e depois vai acabar se tornando obrigatório utilizar tecidos que protejam contra raios UV para não perder mercado." Atualmente, os cerca de 3 mil quilos de material produzido pela LC Malhas são adquiridos por quatro confecções: duas utilizam o tecido em linhas infantis, uma vende seus produtos apenas em farmácias de manipulação, e outra, apenas na internet.
Apesar de as vendas terem aumentado significativamente nos últimos anos, a linha UVBlock ainda não deu retorno. Rocha acredita que o mercado estará estabelecido dentro de cinco anos. "É uma aposta para o futuro, garantimos assim know-how e uma marca estabelecida no mercado." O processo consiste na aplicação de um aditivo, fabricado pela Huntsman, na fase de tingimento. A dificuldade está em seu controle, para que se atinja o FPU adequado. Este pode variar de 15 a 20, o que significa que o tecido bloqueia até 95,8% da radiação UV — uma proteção considerada boa —, até 50 ou 50+, quando o bloqueio é superior a 97,5%, uma defesa considerada excelente pelos dermatologistas.
O tecido UVBlock protege contra raios UVA e UVB, proteção que só se perde quando o produto fica puído ou rasgado. Segundo Rocha, a diminuição do FPU não chega a ser mensurável mesmo após 100 lavagens. O custo do tecido é 10% maior do que aqueles que não recebem nenhum tratamento para proteção solar, mas a diferença tende a diminuir com o aumento da procura esperado pela LC Malhas, empresa criada há 20 anos e pioneira neste nicho.

Dose certa de sol
Comunidade científica volta-se para o desenvolvimento tecnológico de artigos de proteção à radiação UV
Roupa com tratamento especial é um nicho que vai explodirFator de Proteção Solar (FPS) é o índice que determina o tempo que uma pessoa pode permanecer ao sol sem produzir eritema — sem deixar a pele vermelha. Quando se usa um filtro solar com FPS 15, por exemplo, a pele leva 15 vezes mais tempo para ficar ruborizada do que se estivesse desprotegida. Mas como saber qual é o período correto? Uma forma é ficar exposto ao sol, sem qualquer proteção, até aparecerem as primeiras manchas avermelhadas. No entanto, o tempo pode variar conforme o horário de exposição e localização, o que pode levar a um resultado errôneo. Outra alternativa foi desenvolvida pelo pesquisador Fábio Monaro Engelmann, proprietário da NanoBras: o DUV-AB, um dosímetro de incidência de radiação UV na pele humana.
Já existem no mercado sensores eletrônicos de incidência de UV, mas são pouco práticos e não tão complexos quanto o DUV-AB, um adesivo hipoalergênico de 2 cm X 2 cm para se colocar na pele. O adesivo possui um desenho, de aproximadamente 1 cm X 1 cm, que muda de cor conforme a dose de UV a que foi submetido, informando se já está na hora de sair do sol ou quanto tempo resta de exposição segura. Se o protetor solar for passado por cima do adesivo, ele vai absorver e indicar a hora de reaplicar. Existem versões para cada um dos cinco tipos de pele, e o desenho pode variar conforme o público-alvo, de temas infantis a estilo tribal de tatuagem. "O DUV-AB vai virar mania, uma brincadeira entre as crianças", diz Engelmann.
O DUV-AB deve ser colocado no mercado no segundo semestre. O preço ao consumidor ainda está em avaliação, mas a estimativa é que um envelope com cinco adesivos (um para cada dia) custe R$ 5. Engelmann também está em negociação com fabricantes de protetor solar para comercialização conjunta dos produtos. "Será um diferencial para quem adotar, o DUV-AB ajudará a aumentar as vendas." Segundo ele, hoje a maior parte das pessoas não passa a quantidade correta de protetor solar e não reaplica o produto após o tempo necessário.
Engelmann é bacharel em Ciências Moleculares e fez mestrado, doutorado e pós-doutorado no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). Mas cansou de enviar currículos para empresas e não ter resposta. Decidiu, então, entrar com um projeto na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e abrir sua própria empresa, a NanoBras, que desenvolve produtos nas áreas de química dos materiais e nanotecnologia. O DUV-AB valeu ao pesquisador o Prêmio Santander Banespa de Ciência e Inovação na categoria Indústria, e R$ 50 mil para o desenvolvimento do projeto também financiado pela Fapesp.

Barato e eficiente
Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o foco é o aumento da eficiência dos protetores solares e a diminuição do preço final dos produtos. Sheila Garcia, pesquisadora do Instituto de Farmácia da instituição, coordena um grupo que tem como objetivo a melhora da formulação de filtros já existentes a partir do uso de lipossomas — substâncias com composição semelhante à da membrana celular —, técnica desenvolvida por ela em tese defendida na USP em 1998. As lipossomas protegem as substâncias ativas do filtro, que permanece mais tempo na pele, proporcionando um FPS maior.
Outro ramo de pesquisa, iniciado em 2002, ocorre em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Católica de Brasília (UCB). As instituições da capital brasileira sintetizam substâncias ativas para novos filtros, à base de extrato de castanhas de caju, e a UFRJ faz o teste da eficácia e busca a melhora da formulação com o uso de lipossomas.
"O objetivo é encontrar matérias-primas nacionais para substituir as utilizadas atualmente, na maior parte importadas, e chegar a um produto final mais barato ao consumidor", diz Sheila. Até o momento, já foram sintetizadas 37 substâncias ativas, e quatro delas apresentam boas perspectivas. Os testes pré-clínicos revelaram que, apesar de o óleo de castanha de caju ser cáustico e poder até provocar queimaduras se usado na forma bruta, algumas dessas substâncias sintetizadas pela equipe não apresentaram toxicidade na presença da luz e não causaram irritação cutânea e ocular. Após a obtenção de patente internacional, novos testes serão feitos em laboratórios registrados. Se for aprovado, o produto poderá ser usado na indústria farmacêutica e de cosméticos.
Gerardo de Souza, pesquisador do Instituto de Química da UFRJ, também trabalha com duas frentes de pesquisa. Uma analisa os processo de absorção de luz dos componentes, ou seja, a eficiência dos protetores solares. Sua equipe procura descobrir a relação entre as estruturas eletrônicas na composição dos protetores e a capacidade de absorção do ultravioleta solar, estudando a interação da luz com alguns compostos utilizados nos protetores e conhecidos pela sua capacidade de absorção na região ultravioleta, como derivados da benzofenona e do ácido para-amino benzóico. Outra, em parceria com instituições do Amazonas, analisa o uso de determinados compostos derivados de plantas da região amazônica como protetor solar. Os trabalhos foram iniciados há pouco mais de um ano, e as substâncias pesquisadas são mantidas em sigilo. Dentro de mais um ano, o grupo deve ter resultados mais concretos.

Sol na medida
Mercado de protetores solares cresceu 140% em cinco anos
Medeiros: bronzeado mais homogêneoA principal defesa contra os efeitos maléficos da radiação ultravioleta (UV) são os protetores solares. Segundo dados do Euromonitor, o mercado de proteção solar cresceu 140% de 2001 a 2005. A tendência é de incremento do uso, pois ainda se trata da forma de prevenção menos adotada pelos brasileiros, conforme pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que aponta o uso de chapéu e permanecer na sombra como os principais cuidados de exposição ao sol. O percentual de brasileiros com 20 anos ou mais que usa protetor solar ultrapassa 20% apenas na Região Sul do país e não chega a 15% na Região Norte.
Leandro Medeiros, gerente da marca Nivea Sun, da BDF Nivea Ltda., vê o crescimento da venda de protetores solares como resultado da conscientização de cada vez mais brasileiros sobre a necessidade de proteger a pele durante a exposição ao sol. As campanhas do produto enfatizam a importância de se defender diariamente dos malefícios provocados pela radiação UV, além de chamar a atenção do consumidor para os atributos de Nivea Sun. São utilizados anúncios em jornais, revistas e TV, e ações nos pontos-de-venda, com o uso de material promocional claro e didático, displays, ilhas, demonstradoras e pacotes promocionais.
A marca é comercializada no Brasil desde o início da década de 1980, quando a Nivea trouxe para o país os primeiros itens de proteção e cuidado com a pele. A maior mudança ocorreu em 2006, com o lançamento do Fator Azul, composto que garante proteção a partir do primeiro minuto após a aplicação. Sua textura leve e suave acelera a absorção do produto, proporcionando um bronzeado mais homogêneo, e os agentes hidratantes deixam a pele com uma aparência macia. "Nivea Sun é um conceito que reúne quatro benefícios: proteção mais segura contra a radiação UVB e UVA, prevenção ao envelhecimento precoce da pele, hidratação prolongada e proteção imediata", diz Medeiros.
O portfólio da marca conta atualmente com 25 itens, entre protetores, bronzeadores, loções pós-sol e autobronzeadores. O pico de vendas ocorre no verão, mas, segundo Medeiros, a diferença está cada vez menor, resultado da conscientização de que os riscos da exposição ao sol estão presentes no ano inteiro. A linha de cuidados faciais da Nivea também conta com produtos que possuem fator de proteção solar (FPS), como alguns itens da linha antiidade e cuidados específicos.

Amigos na sombra
Pet Society lança protetor solar e óculos específicos para animais
Fernanda: veterinários sentem-se mais seguros Cães e gatos devem ser levados para passear periodicamente para se manterem alegres e sadios. Mas é importante lembrar que eles estão sujeitos aos mesmos problemas causados nos humanos pela exposição excessiva ao sol. O câncer de pele pode manifestar-se nos animais como uma ferida que não cicatriza, apesar das tentativas de tratamento. Quando isso ocorre, é necessário fazer uma biópsia da lesão, para saber o que é aquele ferimento. Para evitar qualquer problema, devem-se tomar os cuidados básicos: evitar passeios entre 9 horas e 15 horas, procurar mantê-los na sombra e aplicar protetor solar.
A Pet Society lançou um protetor solar específico para cães e gatos no verão de 2006. Segundo Fernanda Cioffetti, veterinária e gerente comercial, a aceitação no mercado foi muito boa, e a procura aumentou nesta temporada. "Veterinários sentem-se mais seguros em recomendar o uso de protetores específicos do que aqueles fabricados para humanos." Isso porque o consumidor pode reclamar de qualquer reação alérgica que porventura ocorrer em seus animais. Além disso, a pele desses animais é muito diferente. São menos camadas, e a absorção e a transpiração ocorrem de outra forma.
O protetor solar é indicado principalmente para animais albinos ou com ausência de pigmentação, ou ausência de pêlos em determinadas partes do corpo, como barriga, focinho e pontas das orelhas. O produto da Pet Society possui fator de proteção solar (FPS) 30, protege contra radiação ultravioleta (UV) dos tipos A e B, não sai na água e possui uma substância amarga e atóxica para que os animais não retirem o produto lambendo. Vem em forma de loção, o que facilita a aplicação e absorção.
Os olhos dos cães também devem ser protegidos. A Pet Society importa e comercializa há três anos óculos com 100% de proteção UVA e UVB. É indicado para animais com catarata, conjuntivite e outros problemas oftalmológicos, além de ser uma medida de prevenção aos efeitos nocivos dos raios UV e da poeira. A empresa surgiu em agosto de 2004, como divisão da Cosmotec, com a proposta de inovar no mercado veterinário, carente de novas tecnologias na área de cosméticos e higiene animal. Os mais de 140 produtos do portfólio — que tem como mais vendidos o fluido desembaraçante para pelos, xampu de secagem rápida e creme dental que continua a agir após a escovação — são desenvolvidos por químicos e farmacêuticos de acordo com as propriedades fisiológicas da pele e dos pêlos dos cães e gatos.

Carro sem sufoco
Insulfilm pode filtrar mais de 99% dos raios UV
É possível se proteger dos malefícios provocados pela exposição exagerada ao sol até mesmo dentro do carro ou imóvel. Filmes aplicados na superfície interna do vidro, se revestidos com uma resina especial, podem filtrar os raios ultravioleta (UV). No caso dos produtos da marca Insulfilm, a percentagem de radiação filtrada chega a 99,5, e o modelo Climatizado ainda bloqueia 65% dos raios infravermelhos — responsáveis pelo aquecimento do interior do veículo.
Segundo Ailton Santos, do departamento de comunicação da Insulfilm, a venda de filmes é bem distribuída ao longo do ano, embora haja maior procura nos meses mais quentes ou em épocas em que a criminalidade cresce. "Com a possibilidade de enfrentarmos o verão mais forte dos últimos anos, em 2007, devemos atingir uma taxa de crescimento superior à que viemos registrando." O incremento anual de vendas foi de 94% em 2006 e de 67% em 2005.
O Insulfilm Climatizado foi lançado no verão de 2005, somando-se às versões Blindado, Laminado, Privacidade e Design, entre outros das linhas automotiva e arquitetônica. "O produto original da marca é um exclusivo filme de alta performance para vidros, não é película", diz Santos. Este produto possui embalagem, certificado e selo holográfico de autenticidade, com garantia de produto e aplicação, e é encontrado somente em lojas oficiais.
Introduzido no Brasil em 1980, o Insulfilm teve rápida aceitação no mercado, tanto que acabou emprestando o nome para os filmes automotivos. Mas a invasão de artigos contrabandeados e de baixa qualidade levou à proibição do produto pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) no início dos anos 1990. Em 1998, a Insulfilm do Brasil obteve a liberação da comercialização do produto, mas a insistência de concessionárias e lojas de acessórios em trabalhar com artigos piratas levou a empresa a um corte de relações com o mercado em 2002. Grandes investimentos foram feitos na melhor adaptação dos filmes ao clima e à segurança do Brasil, e no desenvolvimento de um sistema de franchising, que atualmente conta com duas unidades, além da matriz em São Paulo: Rio de Janeiro e Porto Alegre. Segundo Santos, o plano de expansão prevê a abertura de 72 unidades nos próximos três anos, 12 em 2007, 24 no ano que vem e 36 em 2009.

Guarda-sol pelo avesso
Design e tecnologia modificam um acessório tradicional
Manter-se na sombra é a forma de proteção solar mais utilizada pelos brasileiros com 20 anos ou mais, conforme pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Cerca de 40% dos moradores das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste tomam este cuidado, enquanto no Sudeste o índice é de pouco mais de 30%, e no Sul, em torno de 25%. Na praia, o jeito mais prático de produzir sombra é usar guarda-sol. Seu uso, no entanto, pode ser um incômodo quando o dia está ventoso.
Celso Santos, designer e freqüentador das praias do Rio de Janeiro, percebeu que o problema estava na fixação do artefato na areia e encontrou uma solução original: um helicóide instalado no tubo inferior facilita sua colocação no solo, e a parte superior abre ao contrário — a concavidade fica para cima. O inusitado guarda-sol foi lançado pela Spirit Design no fim de 2005, o que rendeu ao seu criador dois prêmios internacionais, o IF Design Award 2006 e o Red Dot do mesmo ano. "Todo designer deseja receber o IF, que talvez seja a premiação mais importante do mundo na área", diz Gilca Carneiro, gerente de novos produtos.
O guarda-sol Revolution Spirit é feito com um pano especial, que recebe uma camada protetora contra raios ultravioleta dos tipos A e B (UVA e UVB), além de tratamento impermeabilizante. O design também cria um bolsão de ar que diminui o calor. A armação é feita de hastes de fibra de vidro e peças em polipropileno, e estrutura de tubos de aço inox, o que evita a ferrugem. "Nosso guarda-sol foi desenvolvido para ter longa duração e não apenas para uma temporada", diz Gilca. O produto possui ainda porta-objetos e cabide.
A Spirit foi fundada em 2001 com a proposta de agregar design a produtos já existentes. O primeiro foi o ventilador Spirit, hoje oferecido em mais de 30 versões. Depois, surgiram o guarda-sol e a raquete de frescobol, e em breve será lançado um circulador de ar. Entre os profissionais que prestam serviço à empresa, figuram Guto Índio da Costa, criador do ventilador, e Celso Santos, responsável pelo guarda-sol e pela raquete de frescobol.

Olhar longe dos raios
Óculos de sol filtram a radiação ultravioleta, que pode causar inflamações e catarata
A radiação UV também pode causar ou intensificar problemas ou doenças nos olhos. Um agravante é que sua percepção não é imediata, e exposições prolongadas, mesmo a baixas intensidades, provocam danos que podem ser irreversíveis ou exigir uma intervenção cirúrgica. As inflamações da córnea e da conjuntiva são seqüelas diretas dos raios UVB. São sintomas dessas enfermidades a dor, lacrimação, sensação de corpo estranho, fotofobia e avermelhamento das pálpebras. A radiação UVA é apontada como responsável pelo surgimento de cataratas. Bebês e crianças são mais suscetíveis a danos devido à maior transparência do cristalino, que tende naturalmente a se tornar mais opaco com o avanço da idade, aumentando a proteção. Para estar sempre resguardado, oftalmologistas recomendam o uso de óculos de sol de boa qualidade.
A Chilli Beans encaminha seus óculos para laboratórios creditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) para avaliação e certificação da proteção UVA e UVB. Segundo Vanessa Rincon, diretora de produtos, dentro de três meses todos os óculos expostos nas lojas da marca contarão com o selo — ainda existem alguns produtos anteriores à prática em estoque. A proteção solar dos óculos Chilli Beans já era atestada por fotômetros disponíveis em todos os seus pontos-de-venda. "Sempre tivemos a preocupação de passar segurança para o consumidor, principalmente porque nossos produtos são mais baratos que similares e vendidos em quiosques de shoppings", diz Vanessa.
Outro aparelho exclusivo da Chilli Beans é o espelho digital. "É uma ferramenta na área estética que ajuda muito nas vendas", diz Vanessa. Câmeras adaptadas em telas planas com sistema touch screen filmam o cliente e congelam a imagem. Dessa forma, ele tem a possibilidade de comparar, em até quatro ângulos diferentes, o produto que está provando. Segundo Vanessa, a tecnologia está sendo ampliada, com base no cadastro de imagem dos clientes, para permitir que os usuários experimentem novos modelos de óculos virtualmente.
A venda de óculos de sol da Chilli Beans é bem distribuída ao longo do ano. O recorde de vendagem, inclusive, ocorre no inverno, nos pontos-de-venda de Campos do Jordão, na serra paulista. "Os produtos da Chilli Beans não são apenas óculos de sol, são acessórios de moda", diz Vanessa. A empresa iniciou suas atividades em 1996, num pequeno estande no Mercado Mundo Mix (feira de moda voltada para o público jovem), em São Paulo, comercializando óculos de sol com design focado nas tendências fashion e a preços bem acessíveis. Em 1997, abriu sua primeira loja, e no início de 2006 a marca era comercializada em mais de 140 pontos exclusivos do Brasil e do exterior.